sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O Jornal Nacional da família Marinho dona de rede Globo ignorou a nota da defesa de Lula sobre e-mail da Odebrecht


A NOTA DE LULA QUE O JN RECEBEU - E NÃO LEU - SOBRE OS EMAILS DE ODEBRECHT
                       

"O material de Odebrecht foi juntado extemporaneamente, quando todas as testemunhas do processo já tinham sido ouvidas. Além disso, é no mínimo estranho que ele diga que achou as correspondências em cópia de material que estava em posse da Polícia Federal e dos procuradores da Lava Jato, que jamais disseram ter conhecimento dos documentos. Os supostos e-mails foram apresentados apenas em arquivo pdf, desacompanhados das vias eletrônicas", diz trecho da nota assinada pelo advogado Cristiano Zanin Martins, que afirma que "pedirá o descarte do material ou então que seja apurada a sua idoneidade"


247 - O Jornal Nacional recebeu, mas não leu, a seguinte nota enviada pelo advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula.

"O material de Odebrecht foi juntado extemporaneamente, quando todas as testemunhas do processo já tinham sido ouvidas. Além disso, é no mínimo estranho que ele diga que achou as correspondências em cópia de material que estava em posse da Polícia Federal e dos procuradores da Lava Jato, que jamais disseram ter conhecimento dos documentos. Os supostos e-mails foram apresentados apenas em arquivo pdf, desacompanhados das vias eletrônicas", diz trecho da nota.

Leia a íntegra:

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA QUE O JORNAL NACIONAL RECEBEU SOBRE OS SUPOSTOS EMAILS DE MARCELO ODEBRECHT:

"Os supostos emails juntados ontem por Marcelo Odebrecht em nada abalam o fato de que o ex-presidente Lula jamais solicitou ou recebeu da Odebrecht ou de qualquer outra empresa um imóvel para o Instituto Lula, que sempre esteve instalado no mesmo local, adquirido em 1991.

O material de Odebrecht foi juntado extemporaneamente, quando todas as testemunhas do processo já tinham sido ouvidas. Além disso, é no mínimo estranho que ele diga que achou as correspondências em cópia de material que estava em posse da Polícia Federal e dos procuradores da Lava Jato, que jamais disseram ter conhecimento dos documentos. Os supostos e-mails foram apresentados apenas em arquivo pdf, desacompanhados das vias eletrônicas.

O pdf foi preparado no dia 07.02.2018, dia originariamente marcado para a entrega do laudo da Polícia Federal sobre os sistemas usados na contabilidade paralela do grupo Odebrecht, ainda não entregue. Perícia realizada anteriormente pela defesa de Lula em outros documentos apresentados por Odebrecht e usados pelo MPF revelaram indícios de adulteração.

A defesa pedirá o descarte do material ou então que seja apurada a sua idoneidade, além de ouvir novamente as testemunhas. Todas as doações feitas ao Instituto Lula são legais e registradas".

CRISTIANO ZANIN MARTINS


Advogado do ex-presidente Lula

Publicado no Brasil247

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A conta na Suiça do operador de propinas do PSDB de Jose Serra Aloisio Nunes e Geraldo Alckimin


TIJOLAÇO: PAULO PRETO ACHOU OS R$ 113 MILHÕES “NA BEIRA DA ESTRADA”?

                    
"Graças à cooperação do Ministério Público da Suíça , que – segundo a Folha – 'compartilhou espontaneamente com procuradores de São Paulo' informações sobre quatro contas 'cujo beneficiário é o investigado Paulo Vieira de Souza', ficamos sabendo que o amigo de José Serra que reclamou por estar sendo deixado 'à beira da estrada' por José Serra tinha 'cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a R$ 113 milhões'", escreve Fernando Brito, editor do Tijolaço


Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

Só apareceu, claro, porque as autoridades da Suíça o expuseram, porque aqui a paralisia do inquérito faz inveja a um cágado.

Mas, graças à cooperação do Ministério Público da Suíça , que – segundo a Folha – “compartilhou espontaneamente com procuradores de São Paulo” informações sobre quatro contas “cujo beneficiário é o investigado Paulo Vieira de Souza”, ficamos sabendo que o amigo de José Serra que reclamou por estar sendo deixado “à beira da estrada” por José Serra tinha “cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a R$ 113 milhões”

O dinheiro estava, naquela data, no banco suíço Bordier & Cie em nome da offshore panamenha Groupe Nantes S/A, que foram transferidos para um banco em Nassau, nas Bahamas, em fevereiro de 2017. Hoje, nem Deus sabe por onde anda essa dinheirama.

“Paulo Preto”, como é conhecido, é mantido na geladeira há oito longos anos, desde que um relatório da Polícia Federal, em maio de 2010, encontrou – segundo publicou então a revista Época – indícios de que Vieira, também “amigo de Aloysio Nunes Ferreira” e diretor da Dersa na gestão Serra , teria recebido pagamento das empreiteiras que faziam a construção do Rodoanel.

Na campanha de 2010, reclamou que Serra – que fingiu desconhecê-lo quando questionado por Dilma Rousseff – não poderia “abandonar assim um amigo, na beira da estrada”. Agora, pede ao Ministro Gilmar Mendes, a quem o algoritmo do sorteio do STF caprichosamente escolheu como relator dos inquéritos sobre Serra e Aloysio, que abduza para o Supremo a única investicação que andou, a presidida pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara da Justiça Federal em São Paulo que, por sinal, era sigilosa até agora.

O que vai permitir saber se o ministro concordará e, afinal, não deixará um amigo na beira da estrada.

Publicado no Braasil247

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A operação lavajato esta destruindo o MPF ministério publico federal por Afrânio Jardim

                           


AFRANIO JARDIM: LAVA JATO ESTÁ DESTRUINDO O MINISTÉRIO PÚBLICO

Procurador de Justiça aposentado e professor de Direito Afrânio Silva Jardim afirma que a operação Lava Jato, coordenada por Deltan Dallagnol, está destruindo o Ministério Público Federal; "O Ministério Público Federal se transformou em um acusador sistemático e impiedoso. A sua falta de técnica jurídica é visível e gritante", diz ele artigo; "Vale dizer, são imperdoáveis os danos que alguns poucos 'deslumbrados' e 'narcisistas' membros do Ministério Público Federal causaram à nossa Instituição e ao sistema de justiça criminal em geral", acrescenta o jurista


247 - O procurador de Justiça aposentado e professor de Direito Afrânio Silva Jardim afirma que a operação Lava Jato está destruindo o Ministério Público Federal.

Segundo Jardim, o papel de um Ministério Público democrático é, em um primeiro momento, oferecer a necessária denúncia para a instauração do processo penal, dispondo de prova mínima do crime que vai imputar ao réu na sua peça acusatória (princípio da obrigatoriedade). Depois, em alegações finais, o Ministério Público deve substituir a sua “capa de acusador pela capa de fiscal da lei”.

"Em outras palavras, na ação penal condenatória pública, o Ministério Público é parte no processo, pois manifesta uma pretensão punitiva em juízo. Entretanto, não está ele vinculado ao pedido que formulou na peça inicial, devendo, ao final da instrução, pronunciar-se como verdadeiro fiscal da correta aplicação da lei ao caso concreto, segundo o que entendeu provado. Tal 'parecer' do membro do Ministério Público não tem caráter vinculatório, seja para o juiz, seja para os demais membros do Parquet que venham a atuar no mesmo processo", diz o jurista.

"Vale dizer, são imperdoáveis os danos que alguns poucos 'deslumbrados' e 'narcisistas' membros do Ministério Público Federal causaram à nossa Instituição e ao sistema de justiça criminal em geral", acrescenta.

Leia, abaixo, o artigo na íntegra, publicado no site Empório do Direito:

O Ministério Público já não é o mesmo após as distorções da ‘Lava Jato’

Afrânio Silva Jardim

Inicialmente, é preciso deixar bem claro que estou me referindo a uma pequena parcela do Ministério Público, o qual vejo como uma importante instituição do Estado moderno.

Pertenci aos quadros do Ministério Público de meu Estado por 31 anos e disso me orgulho muito. Entretanto, um corporativismo extremado faz com que a maioria dos membros do Parquet fique silente diante de alguns exageros persecutórios e até associações de classe hipotequem solidariedade a práticas irregulares abaixo apontadas, julgando estar fazendo bem para a instituição. Este corporativismo exagerado só prejudica a Instituição.

Há tempos passei a perceber que os acordos de cooperação premiada (delação premiada) estavam ocorrendo diante de circunstâncias artificialmente criadas. Em outras palavras, que prisões estivessem sendo decretadas com desvio de finalidade. Ademais, trouxeram para o processo penal o nefasto “negociado sobre o legislado”.

Na verdade, muitas prisões não estavam sendo decretadas para instrumentalizar e viabilizar a coleta de provas ou evitar a fuga dos indiciados, mas tinham como escopo oculto fragilizar os investigados e constrangê-los a delatar outras pessoas, mormente em se tratando de suspeitos de certa idade.

Prisões temporárias são decretadas para interrogar os indiciados, que têm o direito constitucional de ficarem calados. Nestas circunstâncias, ficam temerosos de ter o prazo prorrogado ou ser tal prisão convertida em prisão preventiva. Feita a delação, são os indiciados colocados em prisão domiciliar, com tornozeleiras, conforme prometido ou esperado.

Desta forma, estas “condenações domiciliares” são, na prática, um verdadeiro “faz de contas”. Por outro lado, mesmo soltos, os réus se sentem ameaçados por penas altíssimas, já que juízes punitivistas não estão reconhecendo as figuras do concurso formal e do crime continuado. A teoria de delito está sendo ultrajada.

Acho que tudo isto está acontecendo porque a Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário se irmanaram para o salutar combate à corrupção. Entretanto, não temos aqui o chamado Juizado de Instrução, motivo pelo que o juiz não tem de combater nada, mas sim prestar a jurisdição quando provocado, de forma imparcial e isenta, sem se deixar levar, até inconscientemente, por tendências políticas e ideológicas.

Por outro lado, o Ministério Público, pela Constituição Federal, tem por finalidade principal tutelar a ordem jurídica e defender o Estado Democrático de Direito. O Ministério Público não deve atuar no processo penal como se fosse um “advogado da acusação”. Ao Estado Democrático e ao membro do Ministério Público, não podem interessar a condenação de um inocente ou uma aplicação de pena imerecida.

O papel de um Ministério Público democrático é, em um primeiro momento, oferecer a necessária denúncia para a instauração do processo penal, dispondo de prova mínima do crime que vai imputar ao réu na sua peça acusatória (princípio da obrigatoriedade). Depois, em alegações finais, o Ministério Público deve substituir a sua “capa de acusador pela capa de fiscal da lei” (custos legis), opinando livremente, com isenção e a possível imparcialidade, pela condenação ou absolvição do réu, (art.385 do Cod. Proc. Penal).

Em outras palavras, na ação penal condenatória pública, o Ministério Público é parte no processo, pois manifesta uma pretensão punitiva em juízo. Entretanto, não está ele vinculado ao pedido que formulou na peça inicial, devendo, ao final da instrução, pronunciar-se como verdadeiro fiscal da correta aplicação da lei ao caso concreto, segundo o que entendeu provado. Tal “parecer” do membro do Ministério Público não tem caráter vinculatório, seja para o juiz, seja para os demais membros do Parquet que venham a atuar no mesmo processo.

Entretanto, não é isto que estamos vendo na chamada Lava Jato, pois os membros do Ministério Público Federal se sentem obrigados, perante a opinião pública que convocaram, a demonstrar que não fizeram acusações improcedentes. Não se apresentam como promovedores de justiça, mas sim como promotores de condenações!!! A politização do processo penal pode tirar do acusador o importante juízo de razoabilidade que deve nortear toda a acusação penal.

O Ministério Público Federal se transformou em um acusador sistemático e impiedoso. A sua falta de técnica jurídica é visível e gritante.

Em alguns textos anteriores, demonstrei abusos e equívocos técnicos ocorridos na “operação Lava Jato”, como buscas domiciliares genéricas e conduções coercitivas sem prévio descumprimento a anterior intimação, mormente quando o investigado tem direito de não ser interrogado. Se a Constituição Federal outorga ao investigado o direito de ficar calado, o artigo do Cod. Proc. Penal, que autoriza a sua condução coercitiva, não foi por ela recepcionado. Vale dizer, está revogado pela própria Constituição de 1988.

Houve também vazamentos seletivos, com o fim de jogar a opinião pública contra suspeitos, em detrimento de suas intimidades e dignidade, violando o princípio da presunção de inocência. Do “processo penal do espetáculo” passou-se ao “processo penal da humilhação”. Com tudo isso, alguns Procuradores da República se mostraram coniventes e se omitiram na luta em prol da legalidade.

Tudo isto ficou ainda mais evidente pela omissão do Ministério Público Federal diante da cena patética e absurda de conduzir o ex-governador Sérgio Cabral acorrentado pelas mãos e pernas, como se fosse um escravo no século XIX. Ao que se saiba, o Ministério Público desconheceu este abuso de autoridade, a que assistiu nossa população estarrecida. Lamentável.

Os fins não podem justificar meios incorretos. Como sempre disse, não é valioso punir a qualquer preço. No caso, o preço é muito alto, qual seja, abrir mão de garantias individuais previstas na Constituição Federal e retroceder a um verdadeiro “Estado Policial”, jogando na “lata do lixo” da história todo o evoluir do processo civilizatório, que nos outorgou a preciosa cultura de uma sociedade democrática.

Os chamados direitos fundamentais não podem ser “flexibilizados”, consoante está ocorrendo no Estado Pós-Democrático, segundo procedente denúncia do jurista Rubens Casara. Também neste particular, o Supremo Tribunal Federal tem sua parcela de culpa.

Enfim, não à corrupção. Não a um Ministério Público e a um Poder Judiciário messiânicos e “punitivistas”. Gritamos “NÃO” a qualquer tipo de ampliação de discricionariedades no processo penal. Sim a uma sociedade solidária, justa, democrática e fraterna.

O triste é perceber que tais sequelas são indeléveis e demorarão algumas gerações para serem removidas. Vale dizer, são imperdoáveis os danos que alguns poucos “deslumbrados” e “narcisistas” membros do Ministério Público Federal causaram à nossa Instituição e ao sistema de justiça criminal em geral.

Afrânio Silva Jardim é Professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente de Direito Processual (Uerj). Procurador de Justiça (aposentado) do Ministério Público do E.R.J.

Publicado no Brasil247

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A intervenção do Exercito no Rio de Janeiro decretada por Temer é na base do improviso segundo o jornal o Estado de São Paulo

                  

                ESTADO: INTERVENÇÃO DO RIO É COLEÇÃO DE IMPROVISOS
 
Em um duro editorial publicado nesta terça, o jornal Estado de S.Paulo classificou a intervenção militar no Rio de Janeiro como uma "coleção de improvisos"; "A decisão de Michel Temer de decretar intervenção federal no Rio de Janeiro não foi precedida de nenhum planejamento. A se acreditar nas palavras do próprio Temer, a drástica medida, inédita desde a redemocratização do País, resultou não de uma indispensável reflexão com assessores e conselheiros nem de estudos sólidos sobre a extrema complexidade do cenário da intervenção, mas apenas da aflição de alguns dos auxiliares próximos do presidente"


247 - O jornal O Estado de S.Paulo publicou nesta terça um duro editorial contra a intervenção militar no Rio de Janeiro.

Confira abaixo alguns trechos do texto:

"A decisão do presidente Michel Temer de decretar intervenção federal no Rio de Janeiro não foi precedida de nenhum planejamento. A se acreditar nas palavras do próprio Temer, a drástica medida, inédita desde a redemocratização do País, resultou não de uma indispensável reflexão com assessores e conselheiros nem de estudos sólidos sobre a extrema complexidade do cenário da intervenção, mas apenas da aflição de alguns dos auxiliares próximos do presidente com os “fatos dramáticos” registrados pelo noticiário durante o carnaval no Rio – ainda que os crimes desse período não tenham diferido, em quantidade e em violência, do que infelizmente vem acontecendo diariamente, há tempos, naquele Estado. A decisão de Temer, tenha ela sido motivada por esse espírito impulsivo ou por sabe-se lá que considerações de caráter político, tem sido até aqui uma coleção de improvisos.

Os sintomas dessa precariedade surgiram logo que a decisão sobre a intervenção foi tornada pública, na noite de quinta-feira passada. O decreto ainda não estava pronto quando a medida foi anunciada. Depois que seu texto foi divulgado, soube-se que o interventor seria o general Walter Souza Braga Netto, comandante militar do Leste, que só foi informado sobre sua nova função horas antes da assinatura do decreto. No sábado, o presidente Michel Temer reuniu-se no Rio de Janeiro com autoridades locais e federais, além do interventor Braga Netto, para, segundo se esperava, alinhar as estratégias necessárias para fazer valer o que estipula o decreto. No entanto, nada ficou acertado – oficialmente, o governo informou que a intervenção ainda estava em fase de “planejamento”, a despeito do fato de que o decreto já está em vigor e que, por óbvio, o planejamento deveria estar pronto há muito tempo.


Assim, na base do improviso, o governo federal assumiu uma responsabilidade que não lhe compete. Sua atribuição é manter as contas públicas em ordem, e não sanear a polícia corrupta de um Estado arruinado por anos de desmandos cometidos por governantes eleitos pelo voto da mesma população que hoje pede socorro. Ao abandonar a crucial reforma da Previdência para intervir na segurança pública no Rio sem um plano muito bem definido, o governo Temer parece contar com nada mais que a sorte."
Publicado no Brasil247

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Intervenção do Exército no Rio de Janeiro decretada por Michel Temer é uma guerra contra os pobres


A intervenção no Rio e a guerra contra os pobres

19 de Fevereiro de 2018


                   

Nestas alturas dos acontecimentos todos sabem que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro é injustificável e que se revestiu de um ato eminentemente político. Injustificável porque o Rio está longe de ser a cidade mais violenta do Brasil, ficando, inclusive, atrás de várias outras capitais. Injustificável, porque durante o Carnaval não houve o propalado surto de violência. Pelo contrário: dos 27 indicadores de violência, 16 caíram em relação ao Carnaval de 2017. O indicador de homicídios, por exemplo, caiu 14,81% e o de roubos teve uma queda de 9,85%. Até mesmo o conservador Estadão fez um duro editorial classificando a intervenção como injustificável em face da ausência de um fato objetivo plausível para aplicá-la. Enquanto isso, os tradicionais representantes da esquerda vacilante, somados à Marina Silva e a Miro Teixeira, a aprovam ou titubeiam na sua condenação.

O governo Temer, a beira do precipício, buscou dois objetivos com a intervenção: o primeiro, criar uma cortina de fumaça em face da não aprovação da reforma da Previdência que o marcaria por um fracasso retumbante, pois essa reforma era o ponto programático central do golpe. O segundo, uma tentativa desesperada de recolocar o governo e Temer no jogo eleitoral, já que todas as pesquisas os colocavam à margem dessa disputa. A intervenção, certamente, produzirá impactos no processo eleitoral, mas não terá força para suspender as eleições, como teme a esquerda medrosa.

O caráter improvisado da intervenção ficou patente na reunião que Temer fez no último sábado, no Rio, com o governador e outras autoridades. Ficou claro que nem Temer e nem o Exército sabem quais as medidas que serão implementadas. Não havia nenhum planejamento para dar força a uma decisão tão grave, que coloca em movimento um aparato de Estado, como é o exército, desviando-o de suas finalidades. A rigor, Temer comete um crime político ao usar instrumentos de Estado para fins pessoais e políticos.

Alguns analistas bem conceituados sugerem que a intervenção consiste numa bolsonarização sem Bolsonaro e que ela terá como efeitos a derrubada de Bolsonaro nas pesquisas, a catapultagem generais duros e legalistas e a criação de uma narrativa sebastianista de salvação pelas Forças Armadas. Tratam-se de análises equivocadas: se Bolsonaro cair, cairá por si mesmo, como é a tendência. Se a intervenção tiver algum sucesso, ele até poderá aproveitar-se disso, pois corre sozinho nessa raia. O Exército, uma das poucas instituições com credibilidade, sabe dos riscos que corre se se prestar à manipulação de um governo sem legitimidade e se enveredar pelo caminho das ações espetaculosas. As Forças Armadas já estão agindo no Rio e nada de muito diferente deverá ocorrer a não ser se os interventores tiverem a coragem de expurgar as polícias. Em resumo: produzir-se-á uma sensação de segurança de curto prazo e os problemas estruturais da violência continuarão existindo.

Guerra contra os pobres

Na América Latina existe uma guerra, não contra a pobreza, mas contra os pobres, notadamente nos países de alta desigualdade, a exemplo de El Salvador, Brasil, México, Venezuela, Colômbia e dai por diante. Todos sabem que violência e pobreza andam juntas. Um relatório da ONU aponta que a região é a mais violenta do mundo. É também a região mais desigual do mundo e com a maior desigualdade urbana do mundo. Das 50 cidades mais violentas do mundo, 19 são brasileiras e 43 são latino-americanas e o Rio de Janeiro não está entre elas.

Nesta guerra sistemática contra os pobre é travada no Brasil e na América Latina, a concepção predominante das elites predatórias da região é a de que a riqueza se produz com a manutenção e expansão da pobreza. No Brasil, seis pessoas detêm 50% da riqueza. De acordo com a CEPAL, 30% da população latino-americana ou 175 milhões de pessoas, são pobres sendo que desses, 75 milhões são indigentes. Um dos últimos relatórios da ONU indica que mais 220 milhões ou 38% da população correm risco de se tornarem pobres. É a trágica normalidade da América Latina.

Organizações criminosas de diferentes tipos e o tráfico de drogas se alimentam da pobreza como infantaria de comércio e da guerra, e das classes médias e altas como destinatárias do consumo e propiciadoras dos lucros. Jovens pobres, desempregados, sem cultura, sem lazer e sem esperanças, são presas fáceis do crime organizado. Mas não é só. Vários estudos mostram que a maioria esmagadora dos homicídios ocorre nas regiões pobres, periféricas, constituídas de excluídos. Pouquíssimos desses crimes são elucidados.

Os pobres enfrentam dois tipos de guerras, ambas fratricidas, porque são guerras de pobres contra pobres. A primeira, é patrocinada pelo tráfico e pelas organizações criminosas, que disputam territórios e mercados. A segunda é patrocinada pelo Estado, que usa as polícias, também constituídas de pobres, para reprimir e matar pobres, principalmente jovens. Estudos mais antigos e recentes mostram que o Estado se vale do sistema legal, do sistema judicial, do sistema prisional e do sistema policial para travar a guerra contra os pobres. Além da violência, as cadeias estão repletas de pobres, muitos deles sem julgamento. O sistema judicial julga de forma enviesada contra os pobres, contra os negros, contra os índios e contra as mulheres. Nas periferias, a repressão visa manter as populações confinadas, sob o terror das polícias e do crime, prisioneiras de guetos, inabilitadas à liberdade e ao usufruto da vida. É um sistema brutal de dominação, repressão, perseguição e guerra.

Estudos até mesmo feitos por coronéis da Polícia Militar de São Paulo chamam a atenção acerca do absurdo de como as polícias são treinadas. A sua formação é para matar, para a guerra. As insígnias, os brasões os refrões são todos orientados para a morte e não para proteger a sociedade e garantir direitos. Essa orientação para a guerra vem produzindo o aumento de jovens mortos pelas polícias e de policiais mortos em confrontos. As populações periféricas nutrem medo e descrença nas polícias. Os policiais pobres vivem com medo de seres assassinados, tudo isto mesmo com o fato de muitas polícias, notadamente as polícias militares no Brasil, prestarem relevantes serviços sociais de primeiro atendimento em várias situações de risco. Este sistema criminoso de formação das polícias é de responsabilidade dos governadores, os verdadeiros agentes do uso das polícias contra os pobres e de proteção do patrimônio dos ricos.

Os governos progressistas, em que pesem terem produzido alguns resultados na redução da pobreza, produziram resultados insuficientes. Na área de segurança pública, os resultados foram ainda mais precários. No Brasil, por exemplo, quando se ensaiava um programa mais estruturante através do PRONASCI, o mesmo sofreu uma guilhotinada pelo governo Dilma. Nada o substituiu. Pelo contrário: houve um retrocesso.

A intervenção no Rio é mais uma faceta da guerra contra os pobres, assim como o foram as UPPs. Existe um entrelaçamento entre os interesses do crime organizado e os interesses dos políticos. Os primeiros garantem lucros, financiamento de campanhas e currais eleitorais e os segundos garantem leniência, incompetência e corrupção.

Mesmo tendo sido adotada por um governo claudicante, a intervenção deixou as esquerdas perplexas e desorientadas, numa continuidade de conduta que vem desde o impeachment-golpe, passa pelas reformas trabalhista e da previdência e pela perseguição a Lula. Sem organização nas comunidades periféricas, sem força para mobilizar, mesmo num momento em que a maioria da população rejeita categoricamente o governo, as esquerdas permanecem sem estratégia e sem tática, limitando-se a uma retórica reativa, defensiva e pueril. Caminham para angariar uma nova e devastadora derrota neste fatídico ano em que poderão perder as eleições, sem Lula na disputa.

Aldo Fornazieri

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Na Lavajato do juiz Moro delatores falam da propina ao senador Jose Serra e ao seu partido o PSDB


                 DELATORES REFORÇAM PROPINAS A SERRA E AO PSDB

                       

Carlos Henrique Barbosa Lemos, ex-diretor da OAS, afirmou em depoimento à Polícia Federal que empreiteiras fizeram um acordo em 2006 para o repasse de R$ 30 milhões ao ex-secretário de Transportes de São Paulo Dario Rais Lopes; segundo ele, os recursos eram referentes a obras do Rodoanel e abasteceram o caixa 2 do PSDB; delatores das empreiteiras afirmaram que, na época, o então diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, solicitou propina de 0,75% do total recebido por cada empresa vencedora dos lotes das obras do trecho sul

247 - Em depoimentos à Polícia Federal no inquérito que investiga o senador José Serra (PSDB), ex-executivos da OAS e da Andrade Gutierrez afirmaram que pagaram propinas a autoridades de São Paulo, que, segundo eles, tinham como destino final a campanha do PSDB ao governo do Estado em 2006.

Carlos Henrique Barbosa Lemos, ex-diretor da OAS, afirmou que empreiteiras fizeram um acordo em 2006 para o repasse de R$ 30 milhões ao ex-secretário de Transportes de São Paulo Dario Rais Lopes. Segundo ele, os recursos eram referentes a obras do Rodoanel e abasteceram o caixa 2 do PSDB.

Lemos disse ainda que parte dos valores foi repassada em espécie para Mário Rodrigues Júnior, então Diretor de Engenharia da Dersa. Outra parte, segundo ele, foi "transferida na forma de doações eleitorais ao PSDB devidamente registradas na Justiça Eleitoral". Rodrigues Júnior foi citado por delatores da Odebrecht como destinatário de um repasse de R$ 1,2 milhão.

Após a eleição de Serra ao governo estadual, os contratos com as empreiteiras pelo Rodoanel foram renegociados em 2007 pelo governo, o que levou a uma redução de 5% do valor global. Os delatores das empreiteiras afirmaram que, na época, o então diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, solicitou propina de 0,75% do total recebido por cada empresa vencedora dos lotes das obras do trecho sul.

As informações são do Estado de S. Paulo.

Publicado no Brasil247

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

LULA QUESTIONA MORO SOBRE VIOLAÇÃO DOS SISTEMAS DA ODEBRECHT

15.02.2018

                           

Defesa do ex-presidente, representada pelo advogado Cristiano Zanin Martins, entrou com uma petição junto ao juiz Sergio Moro solicitando esclarecimento sobre a versão da força-tarefa da Lava Jato de que não consegue acessar o MyWebDay, sistema de contabilidade paralela da Odebrecht; documento pede a suspensão da perícia em curso até que o MPF esclareça a situação, diga há quando tempo se tem conhecido de que não é possível abrir o sistema e qual foi a base para fazer a denúncia contra Lula com base no sistema

247 - A defesa do ex-presidente entrou com uma petição junto ao juiz Sergio Moro solicitando esclarecimento sobre a versão da força-tarefa da Lava Jato de que não consegue acessar o MyWebDay, sistema de contabilidade paralela da Odebrecht.

O documento pede a Moro que suspenda a perícia em curso até que o Ministério Público Federal esclareça a situação, diga há quando tempo tem conhecido de que não é possível abrir o sistema e qual foi a base para fazer a referência ao MyWebDay na denúncia contra Lula.

A defesa lembra que o MPF negociou com a Odebrecht o acordo de leniência e uma das condições foi a entrega do sistema. A dúvida, levantada pelo advogado Cristiano Zanin Martisn, é se o processo de negociação entre a empreiteira e a Justiça foi pueril - a ponto de não se ter verificado o sistema recebido - ou se o objetivo é deixar de se fazer a prova de que não há registro na contabilidade paralela de valores pagos a Lula.

Confira aqui a petição a Moro.

Publicado no Brasil247