terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um pouco da energia jovem

Este vídeo mostra alguns esportes sendo executados com precisão e energia, alguns não deram certo,,,,faz parte.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Afinal a noticia é boa ou ruim?

Como os jornalões conseguiram estragar um Natal surpreendente

Folha e Estadão esmeraram-se em tratar as vendas de Natal como um fracasso.
Manchete da Folha: “Comércio tem o pior resultado no Natal em 11 anos”.
Manchete do Estadão: “Com crédito contido e juros altos, vendas de Natal decepcionam”.
Ambos os jornais trabalham em cima de dados da Serasa Experian e da Alshop (a associação dos lojistas de shoppings).
Vamos a alguns erros de manchetes e de análises.
1. Erro de manchete: Se em 2013 vendeu-se mais do que em 2012, como considerar que foi o pior resultado  em 11 anos?
2. A Serasa trabalha especificamente com pedidos de informação para crédito. Houve retração no crédito, mas a maior ferramenta de vendas têm sido o parcelamento (em até dez vezes) em cartões de crédito e de loja. Os jornalões trataram os dados da Serasa como se representassem o universo total de vendas.
3. As vendas em shoppings deixam de lado o comércio para classes C e D - justamente as que mais vêm crescendo. Mesmo assim, os jornalões trataram os dados como se representassem o todo.
4. A Alshop (associação dos lojistas) informou que as vendas cresceram 6% no Natal. O problema maior foi o aumento do número de lojas, que fez com que as lojas mais antigas permanecessem com o mesmo faturamento. Ora, o que expressa o mercado são as vendas totais. A distribuição entre lojas novas e antigas é problema setorial, que nada tem a ver com a conjuntura.
5. Os jornalões deixaram de lado o comércio eletrônico - que tem sido o principal competidor das lojas de shopping. Em 2013 os shoppings centers venderam R$ 138 bilhões, 8% a mais do que em 2012. O comércio eletrônico vendeu R$ 23 bilhões, ou 45% a mais do que em 2012. Somando a venda dos dois segmentos, saltou de R$ 151 bi em 2012 para R$ 161 bi em 2013, aumento de expressivos 12%.
6. Os jornais falam em “decepção”, porque a Alhosp esperava crescimento de 10% nas vendas de Natal e conseguiu-se “apenas" 6%. Esperar 10% de crescimento com uma economia rodando a 2% é erro clamoroso de análise. Mas, para os jornalões, o erro está na realidade, que não acompanhou os sonhos.
Se não houvesse essa politização descabida do noticiário econômico, as análises estariam em outra direção: a razão do consumo ainda não ter se acomodado mesmo com dinheiro mais caro, o crédito mais escasso, com a competição de Miami, com o PIB andando de lado etc. E suas implicações sobre as contas externas brasileiras. Estariam questionando também que raios de política monetária é esta, na qual aumenta-se a Selic para supostamente reduzir a demanda agregada, e ela continua crescendo.
Comentario:
Quem se informa somente pelo que passa na tv Globo, jornais Estadão e folha e a revista Veja, vai realmente achar que o Brasil esta acabado!
O Brasil e imensamente grande tem muitos problemas ainda para serem resolvidos, e com o a energia de seu povo trabalhador com certeza terá um grande futuro! 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Pedestre e o uso do celular

Como o ser humano desrespeita a própria vida, neste vídeo feito na Russia a gente vê que o uso de celular também pelo pedestre e perigoso.

Na Russia os carros usam cameras para eviar fraudes de gente se jogando na frente do carro para depois cobrar indenização.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Sabe o que aconteceu com a turma dos Correios?

Cardozo, Donato e a fábula da classe dominante, artigo de Paulo Moreira Leite

DA ISTOÉ

CARDOZO, DONATO E A FABULA DA CLASSE DOMINANTE

Já está em curso acelerado articulação para inverter papéis e responsabilidades no propinoduto tucano e na máfia dos fiscais

Por Paulo Moreira Leite
Determinados episódios tem o poder de revelar toda estrutura da sociedade em que vivemos, mostrando quem tem o poder de verdade – e quem tem acesso, somente, a brechas e migalhas.

Estou falando da denúncia sobre o propinoduto do PSDB. O caso ficou adormecido quinze anos nas gavetas do Ministério Público e da Justiça de São Paulo. Pedidos das autoridades do paraíso fiscal suíço foram arquivados. Inquéritos eram abertos e fechados logo em seguida. Ninguém era incomodado pelas autoridades brasileiras, nem mesmo Robson Marinho, homem de confiança do ex-governador tucano Mário Covas, titular de uma fortuna em contas secretas. Mesmo a iniciativa internacional de uma das maiores empresas do mundo, a Siemens, parecia não dar em nada. Até que, uma década e meia depois da primeira denúncia, as investigações começam a andar. Surgem nomes de governadores de Estado, parlamentares, tesoureiros, operadores financeiros e dezenas de envolvidos. 

Aparece, então, o vilão da história: José Eduardo Cardozo, o ministro da Justiça que entregou à Polícia Federal papeis que circulavam nos bastidores de políticos e empresários do país. Se tivesse engavetado o documento, Cardozo poderia ser acusado de prevaricação. Hoje, é acusado por participar de uma “trama sórdida” ao lado de um deputado estadual do PT e do presidente do Conselho Administrativo de Direito Econômico.

Na verdade, Cardozo deve ser elogiado. Mandou investigar uma denúncia de crime. Se há uma crítica a ser feita é outra: por que demorou tanto?

O episódio parece estranho mas não é. Faz parte de uma desigualdade política típica de uma sociedade dividida em 99% e 1%, na qual o acesso ao topo sempre foi muito estreito e difícil do que sugere a lenda de que vivemos numa terra de oportunidades. Para resumir, nosso subdesenvolvimento não foi improvisado. É obra de séculos, ensinava Nelson Rodrigues. Classe dominante numa sociedade subdesenvolvida é assim: domina mesmo quando não governa. As condições mudam, as facilidades se tornam menos óbvias. Mas através de mentes e fios invisíveis, mantém a capacidade de refazer os fatos, mudar a narrativa, inverter os papéis e alterar o fim da história enquanto ela está acontecendo.

O atraso econômico, a desigualdade social e a concentração de poder político se superpõem, conversam e se alimentam, atravessam gerações, se acasalam e se reproduzem. Dominam todas as instâncias políticas que não dependem do voto popular, a única forma de poder na qual, vez por outra, é possível expressar uma vontade resistência – frequentemente derrotada pelas baionetas, pela porrada e pelas regras eleitorais que autorizam o aluguel do Estado pelo poder econômico privado, que faz o possível para seduzir todos que queiram render-se a seus interesses.

Esse universo inclui as instituições que não dependem da vontade do povo, como as grandes universidades, a Justiça, o setor privado no sentido econômico, sejam sócios e parceiros internacionais, e também no sentido político, a começar pelos grandes grupos de comunicação. A verdade é que o 1% nem precisa conspirar para fazer valer seus interesses e vontades. Funciona no piloto automático, por um sistema de senhas, eufemismos e códigos ideológicos. Aquilo que se diz aqui se repete mais adiante, através de vozes que falam na mesma melodia e compasso. É onipresente a ponto de confundir-se com a natureza, num encantamento que só é possível quando se possui o monopólio da palavra – exercido como orquestra pelos meios de comunicação.

Neste ambiente, o escândalo do propinoduto é uma sombra inesperada no esforço de criminalização do condomínio Lula-Dilma em 2014. Manda calar a boca. Mostra que, além de dedicar-se a práticas lamentáveis, numa escala contínua e gigantesca sem paralelo conhecido na história brasileira, o PSDB paulista construiu uma blindagem sólida, que torna ainda mais difícil apurar e investigar qualquer denuncia – o que só agrava qualquer ilegalidade que já foi cometida. São varias raposas para tomar conta do galinheiro das verbas do metrô e dos trens urbanos.

E é por isso que até imagino que Cardozo pode ser chamado a explicar-se, no Congresso, ou lá onde for, antes mesmo que qualquer tucano emplumado, com o futuro político a beira do precipício, seja obrigado a dar explicações verdadeiramente necessárias e urgentes.

O esforço é elevar o clima de indignação, falar em aparelhismo sem constrangimento mesmo depois que se soube que o ministério público de São Paulo engavetou oito pedidos de informações internacionais do ministério publico da Suíça – elevando para um padrão internacional um comportamento patenteado pelo inesquecível Geraldo Brindeiro, aquele que engavetou até confissões de venda de votos na emenda que permitiu a FHC
disputar a reeleição.

É ridículo mas veja bem o que ocorreu na máfia dos fiscais da prefeitura.

Nenhum alto responsável por oito anos de descalabro e cobrança de propina, em São Paulo, foi localizado, investigado nem punido. O cerco se fechou em torno de Antônio Donato, o secretário da prefeitura de Fernando Haddad. Donato era um adversário notório e combativo das gestões anteriores, inimigo de qualquer aproximação com o então prefeito Gilberto Kassab. Só aceitou uma trégua por disciplina partidária, após uma luta interna renhida e pública. Só assumiu funções executivas depois que a turma já havia sido desalojada de seus postos, como resultado de uma campanha eleitoral na qual teve um papel fundamental. São credenciais que dão o direito de duvidar de qualquer uma das insinuações feitas contra ele por cidadãos em busca desesperada de uma boia de salvação, a quem a lei confere até o direito de mentir em legítima defesa. Já vimos este filme em 2005.

Depois que um protegido seu foi gravado em vídeo quando recebia propinas no Correio, Roberto Jefferson foi aos jornais, a Câmara e a TV falar do “mensalão.” A turma de 1% abençoou aquele delator benvindo e mudou a história. Quando Jefferson se desdisse, dizendo que era "criação mental," a história já fora modificada e reescrita. Sabe o que aconteceu com a turma dos Correios? Nada. O caso está parado até hoje.

O espetáculo do poder nessa escala é conhecido. Só não é preciso bater palmas. Basta abrir os olhos.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

  Guilherme Arantes: "Brasil vai aprender a conviver com a liberalidade da Democracia"

Sugerido por Marco St.
Do Facebook de Guilherme Arantes
Me solicitaram sugestões a partir do texto que postei, sobre direitos em excesso, e deveres zero. A primeira sugestão é não desanimar e parar imediatamente com o discurso monótono do desalento, ceticismo, de ficar xingando o Brasil. O mundo é inteiro igual, o ser humano não é nada mais especial nos EUA, por exemplo, onde a sociedade é truculenta e onde O.J. Simpson não foi condenado pelo evidente assassinato da mulher, um escandalo na época.
Itália? porca miséria... uma politica de piadas. França ? berço da Democracia, está sempre guinando para a extrema direita, xenofobia, exclusões raciais e étnicas, oligaquia perversa. Japão? truculência total, escravidão e desumanidade no dia a dia. China e India, os novos milagres do mundo, sem comentários... É bom lembrar que se você olhar uma foto de 1940 do Largo do Café (como as que tem no Bar Brahma) voce pode pensar que era uma beleza, tudo limpo, as pessoas "decentes" , tinham "compostura" ...Voce não vai ver um preto, um mulato, um japonês sequer. Só um povo branco, burguês, de terno de casimira inglesa, de chapéu (muitos panamás) fumando charuto, algumas poucas mulheres de tailleur, uma sociedade "visível" completamente apartada da realidade. Onde estão os negros, ali ? Onde estão as massas do proletariado , invisível ? Olhe hoje. A inclusão não é uma conquista partidária, de uma corrente. Foi sangrenta, teve luta no dia a dia. Mas andou.
As pessoas até 30 anos atrás faziam piada de preto, de árabe, de judeu, de japonês - (é bem diferente que piada de português , porque esta não é piada étnica).
Hoje não tem mais graça , aliás, pra mim e pra os meus filhos, nenhuma graça.
Mudou.

No tempo da Ditadura (pouco tempo atrás) o samba que se ouvia nas paradas de sucesso era : "Do Lado Direito da Rua Direita...." (Originais do Samba, com Mussum e tudo...) Pode ? Para pra pensar...

A questão é que o Brasil agora vai aprender a conviver e lidar com a liberalidade da Democracia.

É ruim? Incomoda ver o povão ter sua expressão, as periferias, o gosto da maioria?
A mim, não incomoda.

É fácil ficar chamando as décadas de 60, de 70, de privilegiadas, porque havia "cultura popular de qualidade" - fácil porque era uma sociedade de exclusão!!!
A coisa complica quando voce precisa conviver com as diferenças.
Não troco o meu tempo PRESENTE por nada! Não me engano, o passado hoje parece doce porque está lá distante, já passou e está dominado na nossa cabeça, porque o passado é mais confortável, porque não implica em desafio, Parece doce, mas era escroto ! muito mais escroto.

Quem não estiver preparado pra conviver com a inclusão social, e quer a volta da aristocracia, está ferrado porque o mundo não quer mais o que já foi.
E eu quero o futuro.

No futuro, cada desalento, cada roubalheira que estourou na mídia, cada perversidade que é divulgada,cada êrro, cada acerto, cada confusão, cada discussão, cada controvérsia, tudo, mas tudo mesmo, terá sido um tijolinho na construção da democracia. Na História, nada se perde, e essa construção é lenta.

Temos que cuidar é pra não haver em hipotese alguma retrocesso de ARBÍTRIO. Essa a cagada histórica, porque o Brasil tutelado ficou infantilizado e parou no tempo da construção de sua democracia.
A violencia nas ruas é um sinal de tudo o que não queremos ver, uma anarquia que apetece tanto aos deslumbrados "revolucionários" moldados em outro tempo, década de 60 em que o quebra-quebra tinha o charme gauche da Contracultura.
Grande bosta de tempo ! Guerra Fria, exclusão, racismo, linha dura, roubalheira total, e ninguém podia abrir o bico.

Então, a melhor opção é lutar. Seguir adiante.

Mas se não é pra acreditar nas mentiras, se é pra se indignar, eu gosto ainda mais porque o caminho é esse.
Se é pra contestar, brigar todo dia, toda hora, melhor ainda.

Essa pedra só ficará redonda se rolar, bater, lixar, rolar, bater, lixar.
No fim, fica redondinha.
 

domingo, 17 de novembro de 2013

Construtoras reduzem lançamentos e desovam estoques no terceiro trimestre


Muitas construtoras e incorporadoras de capital aberto reduziram os lançamentos e concentraram as vendas no terceiro trimestre nas unidades em estoque, segundo os balanços divulgados nos últimos dias.
Para o consumidor, se a estratégia das empresas se mantiver neste final de ano, poderá ser um bom momento para conseguir descontos.
Mas é preciso pesquisar, pois nem sempre um imóvel não vendido na época do lançamento terá um abatimento significativo no preço.
Antecipar prestações reduz custo do financiamento imobiliário
Um bairro com muita oferta, por exemplo, pode ter produtos com tipologias e padrões diferentes, sem que algum deles esteja "sobrando" no mercado, ainda que a venda seja mais lenta.
Nesse caso, o apartamento em construção pode ser mais caro do que um semelhante vendido na planta, já que foi se valorizando conforme as obras avançaram.

Zé Carlos Barreta - 10.abr.2013/Folhapress
Prédio em construção no Tatuapé, zona leste de São Paulo
Prédio em construção na zona leste de SP; unidades em estoque representaram maioria das vendas de algumas incorporadoras
A chance de fazer um bom negócio, porém, é bem maior quando o empreendimento foi entregue ou está perto de ficar pronto.
Isso ocorre porque, além de ter a facilidade de se mudar logo, o consumidor sai fortalecido, pois a empresa, que tem de administrar o imóvel, quer se livrar de todos os custos extras.
DESCONTOS
Segundo Luciano Guagliardi, diretor de Relação com Investidores da Brookfield, para definir o valor que será reduzido do preço original do imóvel, leva-se em conta a economia com o pagamento de IPTU e condomínio, além da depreciação do apartamento ao longo do tempo.
A companhia, afirma, não tem como política conceder descontos, e a redução no preço das unidades concluídas é estudada caso a caso.
No terceiro trimestre, os imóveis em estoque da empresa representaram 99,6% das vendas, em valor. Já os lançamentos caíram 93,1% no confronto com o mesmo período no ano passado.
Os imóveis em estoque também responderam por grande parte das vendas da Rodobens (85,5% do total), da Eztec (82,2%), da PDG (77,0%), da Even (75,0%) e da Cyrela (60,5%).
Editoria de Arte/Folhapress
"O foco das construtoras é trazer de volta a geração de caixa mais robusta, diminuindo lançamentos", afirma Felipe Miranda, analista da corretora Coinvalores.
"O setor passou por um processo de ajuste. Teve um período forte de lançamentos e todo mundo foi com muita sede ao pote", diz William Alves, analista-chefe da consultoria XP Investimentos.
Apenas três (PDG, Brookfield e Viver) das 15 maiores empresas na Bolsa com foco no segmento residencial tiveram prejuízo no terceiro trimestre.
Quatro (MRV, Rossi, Helbor e Trisul) apresentaram lucro menor na comparação com o mesmo período do ano passado, e a Tecnisa reverteu as perdas, registrando ganho de R$ 62 milhões.
Os destaques, entre as que tiveram aumento no lucro, foram Gafisa (226%), João Fortes (75%) e Eztec (49%). Even, Rodobens e CR2 também registraram alta. Já a Cyrela, que tem o maior valor de mercado, apresentou também o maior ganho (R$ 174,6 milhões).
17/11/2013 - 01h30
| DANIEL VASQUES
CLARA ROMAN
DE SÃO PAULO
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O Engavetador geral do PSDB em São Paulo

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Porque esta faltando gás de cozinha!

Falta gás de cozinha em cinco Estados do país


A Abragás (Associação Brasileira das Revendedoras de Gás LP) informa que há falta de gás de cozinha (GLP) em São Paulo, Paraná, Santa Catatina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O abastecimento de gás encanado não será afetado.
"Houve um desencaixe no fornecimento da Petrobras. As distribuidoras estão recebendo, em média, entre 60% e 70% da necessidade", afirmou José Luis Rocha, presidente da entidade. "Não queremos causar pânico aos consumidores, mas estamos racionando sim o GLP em alguns lugares. Quem estava acostumado a comprar três, quatro botijões está levando só um", completou. De acordo com a Abragás, cerca de 95% dos lares brasileiros usam GLP.
Segundo sete revendedores ouvidos pela reportagem na capital paulista, os distribuidores do produto estão entregando bem menos do que o esperado desde segunda-feira.
Na zona oeste da capital, por exemplo, o funcionário de uma revendedora afirmou que recebeu apenas metade da quantidade necessária para atender seus clientes. O abastecimento é diário, mas hoje nem houve entrega. "Atendemos de 700 a 800 clientes por dia. Com o estoque que temos, não vamos conseguir atender um terço disso hoje", relatou o funcionário.
Na zona norte da cidade, o funcionário de uma revenda relata que recebeu 70% do volume solicitado. "Estou vendendo 30% menos por dia devido ao problema no abastecimento", afirmou.
De acordo com o Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), as empresas estão trazendo o produto de várias partes do país para contornar a situação.
A entidade representa seis distribuidores de GLP, que detêm cerca de 90% do mercado. "O sindicato espera que, no prazo máximo de dois dias, essas dificuldades já estejam solucionadas graças ao esforço coletivo das distribuidoras", afirmou em nota.




REFINARIA
O problema, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo), se deve a uma parada programada para manutenção na refinaria Henrique Lage, em São José dos Campos (SP), na qual houve uma redução na oferta de GLP. Mais cedo, a agência havia informado erroneamente que a paralisação havia sido em uma refinaria no Paraná.
A ANP admite que houve uma baixa nos estoques, por isso as distribuidoras restringiram os pedidos das revendas até a regularização da oferta. "A ANP está monitorando a situação, que deverá ser regularizada até semana que vem", informou o órgão em nota.
O GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) é um subproduto do petróleo, fabricado nas refinarias, ao contrário do gás natural, que pode ser encontrado junto ou separado do petróleo nos reservatórios em terra ou no mar.
Segundo a Petrobras, já foi apresentado à ANP um plano para disponibilizar uma quantidade adicional de GLP em São Paulo para contemplar e garantir o suprimento do mercado na área de Paulínia e Indaiatuba.
"A companhia também esclarece que dois navios estão descarregando GLP ainda nesta semana de forma a garantir o ressuprimento regular às distribuidoras que operam localmente, conforme procedimento usual da Petrobras." De acordo com a ANP, "falhas no suprimento do GLP pela Petrobras de fato têm ocasionado problemas no fornecimento em algumas regiões do Brasil".

DENISE LUNA
DO RIO
VIVIAM NUNES
DE SÃO PAULO

domingo, 6 de outubro de 2013

Os 25 anos da Constituição - pôr Luis Nasif

Os 25 anos de uma grande Constituição

Quando promulgada, a Constituição de 1988 foi liminarmente condenada por economistas e políticos do velho modelo. Os economistas sustentavam que tornara o Brasil ingovernável, pelos direitos que consagrava, pelas promessas aparentemente irrealistas, de considerar a saúde e a educação como direitos inalienáveis de todos.
Ora, tornara ingovernável o modo de governar ao qual estavam acostumados, a partir do seu gabinete, sem povo, nem partidos, sem municípios, sem vida.
Tinha mais. Reconhecia direitos do consumidor, respeito ao meio ambiente, formas de organização social e de proteção aos direitos individuais.
O país mal saía de uma ditadura, parecia não ter uma sociedade civil. De repente, de todos os cantos brotavam organizações sociais, especialistas em saúde, direito, política, meio ambiente, em um sopro de vida civil inédito, cinzelando passo a passo, artigo a artigo a nova cidadania.
***
Contribuiu para tanto o formato da Constituição e o papel de Ulisses Guimarães na presidência e de Bernardo Cabral na relatoria. Montaram-se comissões temáticas, dentro dela incluíram diversos grupos de discussão. Depois, o conteúdo foi passado para uma comissão de redação e outra de consolidação final.
***
Foi uma Constituição eminentemente libertária, com o país emergindo da grande noite da ditadura, do planejamento sem povo, da concentração cavalar de renda e da falsa modernidade sem cidadãos.
Por isso mesmo, os constituintes tomaram-se do fogo sagrado do respeito aos direitos individuais e aos direitos sociais, da criação de freios e contrapesos que impedissem novas aventuras totalitárias, partindo do poder que fosse – do Executivo, Legislativo ou Judiciário.
***
Alguns perceberam de cara a modernidade da Constituição. Outros, deram-se conta com o tempo, quando Ministério Público, Judiciário, grupos políticos passaram a colocar em prática os princípios previstos na Constituição.
Ao longo desses 25 anos, foram reconhecidos os direitos à saúde e à educação. Por meio dele, abriu-se espaço para as minorias, os negros, os gays, as mulheres, os deficientes físicos, montaram-se redes de proteção social, como a Bolsa Família, universalizou-se o ensino básico.
***
Mais que isso, a Constituição garantiu a governabilidade em 25 anos tumultuados, pelo impeachment de um presidente (Fernando Collor), pela tentativa de desestabilização de dois outros – Fernando Henrique Cardoso, durante a desvalorização cambial, e Lula, durante e após o mensalão.
***
Esse poder estabilizador ficou nítido em fins do ano passado quando, embalados pelo sucesso público do julgamento da AP 470, Ministros aventureiros do STF (Supremo Tribunal Federal) tentaram empalmar o poder, avançando sobre as atribuições do Congresso.
Seguiu-se uma resistência legalista de figuras referenciais do direito, que acabaram com a aventura graças ao detalhamento minucioso da Constituição sobre as atribuições de cada poder.
***
A manifestação da legalidade suprapartidária é o fruto maior de uma Constituição que deu 25 anos de estabilidade a um país que, durante todo século 20, conheceu poucos momentos de normalidade democrática.
Habemus democracia.
Direto do site do Luis Nassif

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Caixa atinge R$ 100 bilhões no crédito Imobiliario

Crescimento sobre o ano passado é de 34%. Chora, Urubóloga, chora !

Do site Conversa Afiada que publica relevantes informações sobre o crédito imobiliário da Caixa: 

CAIXA ATINGE R$ 100 BILHÕES NO CRÉDITO IMOBILIÁRIO



Brasileiros passam a comprar imóvel mais cedo – 57% dos financiamentos imobiliários deste ano foram para clientes com menos de 35 anos


A Caixa Econômica Federal atingiu, em setembro de 2013, um total de R$ 100,1 bilhões em contratações do crédito imobiliário. O valor é 35,4% superior ao mesmo período de 2012, quando foram aplicados cerca de R$ 74 bilhões, e corresponde a 94% do total do crédito imobiliário executado pela CAIXA no ano passado. Já a idade dos tomadores tem decrescido nos últimos anos. O total da carteira tem 44% dos clientes com menos de 35 anos de idade, enquanto, nos contratos assinados exclusivamente em 2013, esse percentual é de 57%.

O número de contratos assinados, até a última sexta-feira (27), já é superior a 1,4 milhão, o que corresponde a mais de 5.600 contratados fechados por dia. Do montante realizado até aqui, foram aplicados R$ 33,1 bilhões com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); R$ 45,3 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE); e R$ 14,1 bilhões do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).

A expectativa da CAIXA é que, até o final de 2013, sejam atingidos mais de R$ 130 bilhões em financiamentos imobiliários. Para o vice-presidente de Habitação da CAIXA, José Urbano Duarte, o resultado é significativo, pois equivale a mais de 75% do que, inicialmente, foi previsto para 2013. “Se compararmos com o realizado, no mesmo período de 2012, já são R$ 26 bilhões a mais. São números que representam resultados efetivos, não apenas para a CAIXA, mas para a sociedade, para o setor da construção civil e para o país”, explica o vice-presidente.

O LTV (Loan to value) – cálculo que relaciona o montante do empréstimo com o valor da garantia – mantém-se na casa dos 70%, correspondendo a 73% até setembro de 2013. O financiamento para a compra de imóveis novos corresponde a R$ 64,5 bilhões, o equivalente a 64% do total do crédito imobiliário concedido pela CAIXA no período. O crédito para compra de imóveis usados somou R$ 35,5 bilhões, representando os 36% restantes.

Do total contratado, R$ 59,6 bilhões foram destinados aos financiamentos para aquisição ou construção de imóveis por pessoas físicas e R$ 40,4 bilhões foram negociados em financiamentos para a produção de empreendimentos. O financiamento à produção tem aumentado a sua participação nos últimos anos. Em 2007, correspondia a 14% do total do crédito imobiliário, enquanto em 2013 representa 40% desse montante.


Contratações no estado de São Paulo

Até o dia 27 de setembro de 2013, a CAIXA havia contratado R$ 25,5 bilhões em crédito imobiliário no estado de São Paulo, valor 33,2% superior ao mesmo período de 2012, quando foram financiados

R$ 19,1 bilhões. Até essa mesma data, foram registradas 304.763 assinaturas de contratos habitacionais, o que corresponde a um crescimento aproximado de 46,6% na quantidade de contratos em comparação com o mesmo período de 2012, quando foram assinados 207.820 contratos no estado.
O site conversa afiada é do jornalista Paulo Henrique Amorim
Comentario: A urubologa a que ele se refere é a jornalista da globo Mirian Leitão que nunca tem uma noticia boa sobre o Brasil.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

BRASIL ESTÁ ENTRE OS QUE MAIS REDUZIRAM A FOME

domingo, 22 de setembro de 2013

E agora Jose?

Ives Gandra: José Dirceu foi condenado sem provas

publicado em 22 de setembro de 2013 às 17:39
 
Ives Gandra: "Do ponto de vista jurídico, eu não aceito a teoria do domínio do fato. A teoria que sempre prevaleceu no Supremo foi a do na dúvida pró-réu"
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O ex-ministro José Dirceu foi condenado sem provas. A teoria do domínio do fato foi adotada de forma inédita pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para condená-lo.
Sua adoção traz uma insegurança jurídica “monumental”: a partir de agora, mesmo um inocente pode ser condenado com base apenas em presunções e indícios.
Quem diz isso não é um petista fiel ao principal réu do mensalão. E sim o jurista Ives Gandra Martins, 78, que se situa no polo oposto do espectro político e divergiu “sempre e muito” de Dirceu.
Com 56 anos de advocacia e dezenas de livros publicados, inclusive em parceria com alguns ministros do STF, Gandra, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, diz que o julgamento do escândalo do mensalão tem dois lados.
Um deles é positivo: abre a expectativa de “um novo país” em que políticos corruptos seriam punidos.
O outro é ruim e perigoso pois a corte teria abandonado o princípio fundamental de que a dúvida deve sempre favorecer o réu.
*******
Folha – O senhor já falou que o julgamento teve um lado bom e um lado ruim. Vamos começar pelo primeiro.
Ives Gandra Martins - O povo tem um desconforto enorme. Acha que todos os políticos são corruptos e que a impunidade reina em todas as esferas de governo. O mensalão como que abriu uma janela em um ambiente fechado para entrar o ar novo, em um novo país em que haveria a punição dos que praticam crimes. Esse é o lado indiscutivelmente positivo. Do ponto de vista jurídico, eu não aceito a teoria do domínio do fato.
Por quê?
Com ela, eu passo a trabalhar com indícios e presunções. Eu não busco a verdade material. Você tem pessoas que trabalham com você. Uma delas comete um crime e o atribui a você. E você não sabe de nada. Não há nenhuma prova senão o depoimento dela -e basta um só depoimento. Como você é a chefe dela, pela teoria do domínio do fato, está condenada, você deveria saber. Todos os executivos brasileiros correm agora esse risco. É uma insegurança jurídica monumental. Como um velho advogado, com 56 anos de advocacia, isso me preocupa. A teoria que sempre prevaleceu no Supremo foi a do “in dubio pro reo” [a dúvida favorece o réu].
Houve uma mudança nesse julgamento?
O domínio do fato é novidade absoluta no Supremo. Nunca houve essa teoria. Foi inventada, tiraram de um autor alemão, mas também na Alemanha ela não é aplicada. E foi com base nela que condenaram José Dirceu como chefe de quadrilha [do mensalão]. Aliás, pela teoria do domínio do fato, o maior beneficiário era o presidente Lula, o que vale dizer que se trouxe a teoria pela metade.
O domínio do fato e o “in dubio pro reo” são excludentes?
Não há possibilidade de convivência. Se eu tiver a prova material do crime, eu não preciso da teoria do domínio do fato [para condenar].
E no caso do mensalão?
Eu li todo o processo sobre o José Dirceu, ele me mandou. Nós nos conhecemos desde os tempos em que debatíamos no programa do Ferreira Netto na TV [na década de 1980]. Eu me dou bem com o Zé, apesar de termos divergido sempre e muito. Não há provas contra ele. Nos embargos infringentes, o Dirceu dificilmente vai ser condenado pelo crime de quadrilha.
O “in dubio pro reo” não serviu historicamente para justificar a impunidade?
Facilita a impunidade se você não conseguir provar, indiscutivelmente. O Ministério Público e a polícia têm que ter solidez na acusação. É mais difícil. Mas eles têm instrumentos para isso. Agora, num regime democrático, evita muitas injustiças diante do poder. A Constituição assegura a ampla defesa -ampla é adjetivo de uma densidade impressionante. Todos pensam que o processo penal é a defesa da sociedade. Não. Ele objetiva fundamentalmente a defesa do acusado.
E a sociedade?
A sociedade já está se defendendo tendo todo o seu aparelho para condenar. O que nós temos que ter no processo democrático é o direito do acusado de se defender. Ou a sociedade faria justiça pelas próprias mãos.
Discutiu-se muito nos últimos dias sobre o clamor popular e a pressão da mídia sobre o STF. O que pensa disso?
O ministro Marco Aurélio [Mello] deu a entender, no voto dele [contra os embargos infringentes], que houve essa pressão. Mas o próprio Marco Aurélio nunca deu atenção à mídia. O [ministro] Gilmar Mendes nunca deu atenção à mídia, sempre votou como quis.
Eles estão preocupados, na verdade, com a reação da sociedade. Nesse caso se discute pela primeira vez no Brasil, em profundidade, se os políticos desonestos devem ou não ser punidos. O fato de ter juntado 40 réus e se transformado num caso político tornou o julgamento paradigmático: vamos ou não entrar em uma nova era? E o Supremo sentiu o peso da decisão. Tudo isso influenciou para a adoção da teoria do domínio do fato.
Algum ministro pode ter votado pressionado?
Normalmente, eles não deveriam. Eu não saberia dizer. Teria que perguntar a cada um. É possível. Eu diria que indiscutivelmente, graças à televisão, o Supremo foi colocado numa posição de muitas vezes representar tudo o que a sociedade quer ou o que ela não quer. Eles estão na verdade é na berlinda. A televisão põe o Supremo na berlinda. Mas eu creio que cada um deles decidiu de acordo com as suas convicções pessoais, em que pode ter entrado inclusive convicções também de natureza política.
Foi um julgamento político?
Pode ter alguma conotação política. Aliás o Marco Aurélio deu bem essa conotação. E o Gilmar também. Disse que esse é um caso que abala a estrutura da política. Os tribunais do mundo inteiro são cortes políticas também, no sentido de manter a estabilidade das instituições. A função da Suprema Corte é menos fazer justiça e mais dar essa estabilidade. Todos os ministros têm suas posições, políticas inclusive.
Isso conta na hora em que eles vão julgar?
Conta. Como nos EUA conta. Mas, na prática, os ministros estão sempre acobertados pelo direito. São todos grandes juristas.
Como o senhor vê a atuação do ministro Ricardo Lewandowski, relator do caso?
Ele ficou exatamente no direito e foi sacrificado por isso na população. Mas foi mantendo a postura, com tranquilidade e integridade. Na comunidade jurídica, continua bem visto, como um homem com a coragem de ter enfrentado tudo sozinho.
E Joaquim Barbosa?
É extremamente culto. No tribunal, é duro e às vezes indelicado com os colegas. Até o governo Lula, os ministros tinham debates duros, mas extremamente respeitosos. Agora, não. Mudou um pouco o estilo. Houve uma mudança de perfil.
Em que sentido?
Sempre houve, em outros governos, um intervalo de três a quatro anos entre a nomeação dos ministros. Os novos se adaptavam à tradição do Supremo. Na era Lula, nove se aposentaram e foram substituídos. A mudança foi rápida. O Supremo tinha uma tradição que era seguida. Agora, são 11 unidades decidindo individualmente.
E que tradição foi quebrada?
A tradição, por exemplo, de nunca invadir as competências [de outro poder] não existe mais. O STF virou um legislador ativo. Pelo artigo 49, inciso 11, da Constituição, Congresso pode anular decisões do Supremo. E, se houver um conflito entre os poderes, o Congresso pode chamar as Forças Armadas. É um risco que tem que ser evitado. Pela tradição, num julgamento como o do mensalão, eles julgariam em função do “in dubio pro reo”. Pode ser que reflua e que o Supremo volte a ser como era antigamente. É possível que, para outros [julgamentos], voltem a adotar a teoria do “in dubio pro reo”
Por que o senhor acha isso?
Porque a teoria do domínio do fato traz insegurança para todo mundo.
Leia também:
Luiz Moreira: STF legitimou todas as ditaduras brasileiras
Bandeira de Mello: “Espero que os embargos ajudem a mitigar injustiças”

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Enfim os médicos Cubanos chegaram!

Depois de visitá-los, repórter pergunta: Onde está a blindagem dos médicos cubanos?

publicado em 18 de setembro de 2013 às 9:34

Na região de Belém, médicas cubanas comemoram o aniversário de colega
Onde está a blindagem dos médicos cubanos?
por Dario de Negreiros*, de Belém, especial para o Viomundo
Algumas notícias deixam especialmente preocupado um repórter que viaja para longe. “Assessor interrompe entrevista de médica cubana em Tocantins”, diz uma matéria do portal Terra, com vídeo e tudo“Ministério ‘blinda’ médicos estrangeiros em São Paulo”, conta o Estadão. “Isso não é normal. Qual o medo? Qual o receio?”, questiona-me um amigo paulista, médico, pelo chat do Facebook. Eu, do Pará, começo a imaginar as desculpas que terei de dar ao meu editor quando voltar de viagem com meia dúzia de declarações dos tais dos cubanos, todas elas colhidas – por sorte, creio – na confusão de um desembarque na Base Aérea de Belém.
No domingo, dia em que vi o vídeo do Terra, haveria um evento no hotel onde estão hospedados todos os cubanos que vieram ao Pará. Lá, oficialmente, participam de uma “semana de acolhimento”. Na prática, como se sabe, o governo federal ganha tempo enquanto tenta resolver o imbróglio jurídico que envolve os seus registros nos CRMs (Conselhos Regionais de Medicina). “O secretário de saúde estará lá. Amanhã vai ser quente!”, diz, ao celular, um repórter paraense. É tudo o que eu não quero: jornais, televisões, autoridades locais à solta e os cubanos, imagino, blindados.
Em vez de ir ao evento “quente”, ligo para a assessora da secretaria de saúde do Pará: “Me perdi para chegar a Mosqueiro [ilha fluvial, nos arredores de Belém, onde fica o hotel]. Posso ir amanhã?”. Ser o único jornalista no local, andando livremente pelo hotel, conversar com os médicos longe das câmeras e das autoridades, parece-me uma boa estratégia.
Mas não havia blindagem alguma. Ao contrário, as assessoras, simpáticas ao extremo, facilitam de todas as formas meu trabalho. Para melhorar, minha estratégia não podia ser mais bem sucedida. Sendo o único repórter no local, posso acompanhar os médicos nas palestras, conversar tranquilamente nas varandas de seus chalés, encontrá-los no salão de jantar, entrevistá-los, relaxados, à beira da piscina do hotel. Ninguém, evidente, conversa à vontade na presença de câmeras de TV, fotógrafos de jornal e secretários de Estado, com seus auxiliares e assessores andando pra lá e pra cá.
É verdade que há uma certa homogeneidade incômoda no discurso destes profissionais, todos eles submetidos aos termos do convênio firmado pelo governo brasileiro, via Opas (Organização Pan-americana da Saúde), com Cuba. Nesta reportagem, procuro mostrar que, em situações mais informais, suas vozes chegam a expor algumas dissonâncias, mas nenhuma capaz de desfazer o uníssono fundamental. “Solidariedade” e “internacionalismo” formam um leitmotiv cujo volume nunca diminui. Se estes cantores têm liberdade interpretativa ou se são regidos por alguma batuta invisível, que julgue o leitor.

Em treinamento

“Mucho diñero!”
É com atenção que os 62 médicos cubanos assistem à palestra do também médico Raimundo Sena, diretor da Escola Técnica do SUS (Sistema Único de Saúde). Sena fala pausadamente e os alunos, juntos, complementam: “Estes são os obje…?”: “…tivos!”. É assim o tempo todo, de forma que, tanto quanto nas entrevistas, ressoa na sala um coro de uma só voz. Se alguma bagunça irrompe – como quando Sena diz que no Brasil “o pessoal usa muita sigla”, ao que os cubanos riem vigorosamente –, surge rápido um “ssshhhhhh” e o silêncio se restabelece.
“A dificuldade maior é a comunicação, por causa da língua”, conta o professor. “Mas eles não têm dificuldade de compreensão do que se está discutindo, porque eles têm uma formação elevada. A grande maioria, além da graduação, tem especialização, alguns têm mestrado, doutorado. Isso facilita o diálogo”, afirma.
Mas há no ar uma tensão facilmente perceptível. “Eles estão ansiosos porque têm dificuldades de comunicação com Cuba, com seus familiares”, confirma Sena. De fato, quando acaba a aula, é este o único assunto. A assessora da secretaria de saúde paraense diz que lhes trará quatro notebooks, três modems e um celular com roaming internacional desbloqueado. Os cubanos explicam que, de Cuba, não se pode fazer chamadas internacionais. Os assessores, então, ligam para a operadora, consultam a tarifa da ligação para Cuba e voltam com a resposta: não será possível garantir o contato telefônico. “Custa R$4,99 por minuto! Mucho diñero!”.
Diante do único computador da sala, os médicos formam uma longa fila. Começo a conversar com um deles, que me parece bastante aflito. Compadecido, ofereço-lhe meu celular. “Quanto custa?”. Esse não é mais vendido – respondo. Esse é velho. “Mas quanto custa?”. Com a tampa traseira rachada, assim? Sei lá, uns duzentos reais – digo, chutando. “Quer vender agora?”.
É inacreditável, mas em um programa de tamanha importância para os governos brasileiro e cubano, a simples comunicação telefônica com os familiares daqueles que protagonizam a ação não foi garantida. Os assessores se preocupam, em especial, com uma das médicas, cuja filha de dois anos e meio está em Cuba. No dia anterior, ela teria “entrado em pânico”, dizem, com a dificuldade de comunicação.

Rene (acima) e o casal Yusmel-Lisset

René, Yusmel e Lisset
É na varanda de seu chalé que converso tranquilamente com René Alberto Marrero Fernandez, 41, formado na Faculdade de Medicina de Holguín. Pergunto-lhe sobre um assunto amplamente debatido na chamada grande mídia: qual é, afinal, o destino da bolsa de R$10 mil paga, por médico, pelo governo federal?
Eis a resposta mais frequente: “este dinheiro vai, quase por inteiro, para o governo cubano; para mim, resta apenas um estipêndio mensal, o suficiente para me manter no país. Fora isso, meu salário, em Cuba, continua sendo integralmente recebido pela minha família”. Ou seja: quase todos os médicos negam que as missões internacionais sejam uma oportunidade de fazer um pé-de-meia.
René, entretanto, responde de modo um pouco diferente. “Em missões internacionais, recebemos uma compensação”, admite. “Fora isso, ajudamos um pouco a economia de Cuba, que – e isso não é segredo pra ninguém – é um país pobre. Ademais, estamos bloqueados pelo imperialismo. O embargo econômico é muito grande. Com este trabalho, melhoramos também a economia do nosso povo, que tanto necessita.”
As referências às dificuldades econômicas dão ensejo à formação de outra polifonia consonante: todos fazem questão de dizer que, em Cuba, não existe nem pobreza extrema, nem diferenças sociais importantes. “É um tema muito complicado, a economia de Cuba”, diz René. “Mas, em meu país, a pobreza extrema não existe. A saúde é totalmente gratuita para todos, assim como a educação.”
E onde não há pobreza extrema ou grandes diferenças de renda, não há violência urbana. Mais cedo, ainda durante a palestra, dois policiais militares, armados e com coletes à prova de balas, entram na sala para conversar com uma das assessoras. Esta, posteriormente, faz questão de tranquilizar a classe. “Não se preocupem. Eles só vieram aqui para dizer que, ao lado do hotel, há uma invasão, uma favela. Então, por favor, após as 21h não saiam do hotel.”
“Isso não existe, para nós”, conta Yusmel Reve, 36. “Em Cuba, você pode sair para qualquer lugar, a qualquer hora.” A médica Lisset Guerra, 33, emenda: “Sozinho!”. E Yusmel: “E não tem problema”. E Lisset: “Não acontece nada”.
Yusmel e Lisset são casados há sete anos. Juntos, estiveram também durante cinco anos em missão na Venezuela, onde garantem já terem se acostumado às limitações das restrições de segurança. “Lá, a partir das 18h já não se podia sair”, conta Lisset.
Tanto Yusmel quanto Lisset são professores de medicina: Yusmel é mestre em atenção integral à criança e Lisset, em urgências médicas. Além disso, ambos possuem pós-graduação em medicina de desastre. Das missões de que ambos participaram, a mais importante ocorreu, justamente, em meio a uma catástrofe. No dia 8 de outubro de 2005, um terremoto de 7,8 graus na escala Richter deixaria mais de 80 mil mortos na região da Caxemira. 2.564 médicos cubanos foram, então, enviados ao Paquistão.

O alojamento, antes de seguir viagem para o interior. Muitos médicos cubanos vão ficar bem isolados.

Maribéis
Saindo da sala de aula, apresento-me às duas médicas que mais queria conhecer: as Maribéis. Maribel Herrera Hernandez, 43, e Maribel Morera Saborat, 44, foram escolhidas para trabalhar na paupérrima Melgaço, no Arquipélago do Marajó. Quando, depois de 18 horas de viagem de barco, elas chegarem aos seus postos de trabalho, serão recebidas, se não por mais ninguém, ao menos por mim. Pois é Melgaço, município com o pior IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) do Brasil, que escolhemos para acompanhar o início do Mais Médicos.
Que não haveria blindagem alguma, já havia percebido. Mas não poderia imaginar que elas fossem tão simpáticas e receptivas. “Amigas, vejam só, nós teremos um jornalista particular”, brincam. E caminhamos até a varanda do chalé, onde fazemos a entrevista. De longe, as amigas brincam, enquanto elas posam para as fotos: “Vizinhas, a publicidade vai acabar com vocês!”, divertem-se.
“Antes de chegar, já sabíamos que o povo era muito pobre, que o índice de analfabetismo era muito alto”, conta Maribel, a Herrera Hernandez. “Não obstante, não nos amedrontamos com isso, ao contrário: vamos com muito mais desejo de mudar as condições de saúde dessa população”, diz. “Ou, pelo menos, de fazer o pouquinho que nós podemos fazer.”
É curioso: em Tocantins, o assessor do Ministério da Saúde teria provocado uma “interrupção abrupta” na entrevista – diz a vídeo-reportagem – justamente “quando uma jornalista brasileira perguntava à médica sobre o conhecimento dela sobre a realidade do Tocantins”. Sobre este assunto, todos os médicos com quem conversei, sem exceção, se mostraram particularmente à vontade para dissertar. Um deles me contou que, ainda em Cuba, fora-lhes exibido o filme “Ilha das flores”, de Jorge Furtado – talvez um dos mais conhecidos e contundentes documentos audiovisuais sobre a pobreza extrema brasileira.
“Sabemos que as principais problemas de saúde que existem em Melgaço são as doenças infectocontagiosas, que são as que mais podem ser prevenidas”, conta a outra Maribel, a Morera Saborat. “Ou seja: melhorando as condições ambientais, com medidas de higiene, de educação sanitária, podemos prevenir essas doenças. Sobretudo a tuberculose, a hanseníase e a malária. São doenças que, com determinadas medidas de educação da população, pode-se erradicar ou, ao menos, diminuir bastante seu índice de incidência”, garante. “E também vamos tratar as doenças crônicas que existem, sobretudo hipertensão e diabetes, que são as mais frequentes.” E resumindo suas expectativas – que não são baixas – afirma: “Então, acreditamos que sim: que com o nosso modesto trabalho vamos ajudar a aumentar o nível de saúde do povo de Melgaço”.
Assustou-me saber, digo-lhes em seguida, que enquanto ainda estão em um hotel da região metropolitana de Belém, não passado sequer um mês de viagem ao Brasil, a comunicação com Cuba e as saudades da família já tinham se tornado problemas tão grandes para eles. Como seria, então, passar três anos em pequenas cidades do interior do Pará?
“Nós temos uma formação, desde que começamos a estudar medicina, pautada na colaboração e no internacionalismo”, explica Saborat, lembrando-me que já esteve por quatro anos na missão venezuelana. “Veremos, dentro das possibilidades que existem em Melgaço, como podemos nos comunicar.”
“A nossa família também conhece este nosso princípio de solidariedade, e compartilha dele”, completa Hernandez, que já trabalhou em missões por dois anos na Venezuela e por 14 meses na Bolívia. Em Cuba, ambas têm à sua espera marido e dois filhos. “Eles entendem quando não podemos nos comunicar continuamente. Esperam, sim, ansiosos. Mas entendem que é a situação do momento.”
Não é à toa que Melgaço receberá duas Maribéis. Esta, aliás, é uma característica que chama logo a atenção de quem bate os olhos na lista de alocações dos médicos cubanos: não é possível depreender dela nenhuma outra ordem que não seja a alfabética. Logo, conclui-se: salvo casos especiais, os médicos não parecem dar qualquer palpite sobre o lugar em que trabalharão. Em dado momento, perguntei para um deles: “Vocês não escolhem a cidade?”. Respondeu-me com uma gargalhada.
“E nós não estamos com medo, como alguns têm dito, das condições do lugar ou de quão longe eles sejam”, afirma Hernandez. “Ao contrário, é um incentivo para nós: temos de nos esforçar um pouco mais em nossa ajuda.” E Saborat completa: “Vemos as pessoas como seres humanos, não como mercadoria.”
Dizendo-me isso, olhando-me nos olhos, estas mulheres me fazem lembrar de Lorenzo Nacheli, um missionário italiano que há anos passa sua vida, vinte e quatro horas por dia, cuidando de pessoas em situação de rua, no Arsenal da Esperança, em São Paulo. “Quando estou conversando com você, Dario”, dizia-me Lorenzo, “você é a pessoa mais importante do mundo para mim. E é assim com todas as pessoas com quem converso”. Agora, na minha lembrança, por uma dessas inversões que a gente não explica, são os olhos de Lorenzo que me lembram os olhos das Maribéis, como se tivesse visto estes antes daquele. “Nos vemos em Melgaço”, despeço-me.
Não sei até onde vai a perspicácia e em que ponto começa a inocência do repórter, mas me parece ser necessário muito esforço para abstrair destas falas o tom opressivo e castrador de um discurso previamente combinado. De qualquer maneira, contenho-me: como disse, cabe ao leitor tirar as suas conclusões.
*Dario de Negreiros viaja financiado pelos leitores do Viomundo. Para nos ajudar a produzir mais conteúdo exclusivo como este, clique aqui.
  • Direto do site Viomundo

domingo, 8 de setembro de 2013

Imóveis pequenos são aposta de incorporadoras em São Paulo


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Incorporadoras apostam em imóveis pequenos11 fotos

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Construtoras e incorporadoras estão investindo no mercado de imóveis pequenos. Na imagem, perspectiva de apartamento do BK30, empreendimento da incorporadora BKO no Alto da Boa Vista, em São Paulo Leia mais Divulgação
Incorporadoras que atuam na cidade de São Paulo estão direcionando seus negócios para imóveis pequenos e com boa localização.
A incorporadora Huma nasceu com o objetivo de oferecer imóveis de alto padrão e baixa metragem. O primeiro empreendimento será lançado em setembro na Chácara Klabin, na zona sul de São Paulo, perto de uma estação de metrô. Todos os compradores vão ganhar uma bicicleta dobrável. A ideia é que eles possam deixar o carro na garagem.
"O preço do metro quadrado subiu muito. A pessoa que conseguia comprar um apartamento de 80 m² há cinco anos hoje consegue comprar só um de 50 m². Por isso hoje muita gente topa morar num espaço menor se ele tiver mais charme e for perto do trabalho", diz Rafael Rossi, fundador da empresa.
Os apartamentos do prédio têm de 44m² a 66m² (fora as coberturas, que chegam a 124m²). Os imóveis menores têm um quarto, uma sala e uma cozinha, mas podem ser transformados em quitinetes (ou estúdios, como as empresas costumam chamar), que unem todos os cômodos em um só ambiente.
O metro quadrado sai a partir de R$ 11 mil. Um imóvel de 44m² custará, assim, cerca de R$ 484 mil. A Huma lançará mais dois empreendimentos do tipo no bairro do Itaim. 

Perto de bairros nobres e com vários serviços

Os imóveis pequenos também estão no foco da incorporadora BKO. A empresa acaba de lançar, no Alto da Boa Vista, zona sul de São Paulo, o BK30. O número no nome do empreendimento tem uma função: dar uma ideia da metragem dos apartamentos, que têm, na verdade, 32m² de área útil.
"Dois anos atrás, identificamos que haveria uma grande demanda por imóveis compactos no mercado e essa passou a ser nossa estratégia", diz Mário Giangrande, diretor-superintendente da BKO.
O objetivo é fazer lançamentos sempre próximos de bairros nobres. O Alto da Boa Vista, por exemplo, fica perto de Moema. Outro lançamento será na Bela Vista, perto dos Jardins. "Assim, podemos oferecer imóveis de preço acessível tanto para quem compra como para quem for alugar depois", afirma Giangrande.
Os condomínios vão oferecer uma série de serviços para os moradores, especialmente aqueles que passam o dia fora de casa. Entre as opções estarão os serviços de arrumação e concierge (que ficará responsável, entre outras coisas, por levar e buscar roupas da lavanderia).
No empreendimento já lançado, o preço do metro quadrado parte de R$ 9.500. Um apartamento de 32m² sairia por pelo menos R$ 304 mil. Mais de 65% das unidades já foram vendidas.
Aiana Freitas
Do UOL, em São Paulo

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Sinais de que o imóvel é uma 'furada'5 fotos

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Evite imóveis em regiões movimentadas. Não acredite que "com o tempo se acostuma" com o trânsito pesado. Congestionamentos são duplamente ruins. Primeiro, porque dificultam o acesso até a sua casa e, segundo, por causa do barulho. Antes de fechar o negócio, visite a casa ou apartamento em pelo menos três horários diferentes para checar como é o movimento na área Leia mais Gabriel de Paiva/Agência O Globo