terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um projeto de movimentos sociais para Minha Casa Minha Vida

 
Sugerido por Adir Tavares
Da Rede Brasil Atual
Ex-presidente Lula participou de entrega de chaves a 192 famílias organizadas em movimentos, contempladas na primeira fase. Conjunto em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, terá 1.100 apartamentos
Por Rodrigo Gomes
Com luta
Ato de entrega das chaves do empreendimento João Cândido, em Taboão da Serra, coroa uma década de persistência
São Paulo – As primeiras 192 moradias do programa Minha Casa Minha Vida na modalidade Entidades – projetado e gerido por movimentos sociais – foram entregues neste sábado (20), em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, em meio a muitos risos e lágrimas de famílias que pela primeira vez na vida vão sair do aluguel ou da moradia de favor.
O Condomínio João Cândido – nomeado em homenagem ao marinheiro negro, líder da revolta da chibata, em 1910 –, foi articulado entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento Sem Teto de Taboão da Serra (MST-Taboão). É um desdobramento bem sucedido das ocupações Chico Mendes, iniciada em 2005, e João Cândido, de 2007. “É um resultado impressionante. Muitos aqui são idosos que ocuparam, ficaram embaixo de lona, com barro no pé, participaram de manifestações. Essa conquista não foi presente de ninguém. É fruto da organização e da luta dessas famílias”, destacou o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos.
Casa Própria
Convidado pelo movimento para fazer a entrega das chaves, Lula foi recebido com festa pelas famílias
A entrega das chaves contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), criador do programa, que se disse impressionado com a qualidade e o tamanho das moradias. O ex-presidente considera que o programa evoluiu, mas as casas podem melhorar mais. “Eu vou levar o nome do empresário para a presidenta Dilma. Mandei fotografar. Vamos provar que é possível, como o mesmo dinheiro, fazer apartamento de qualidade para as pessoas humildes desse país”, afirmou Lula.
Lula lembrou que quando propôs o programa, em 2009, muitos não acreditavam que seria possível e os primeiros resultados foram decepcionantes. “Fomos visitar uma das primeiras obras, em Governador Valadares, Minas Gerais. Se eu não fosse presidente da República, e não tivesse de respeitar uma certa liturgia, eu tinha me pegado de cacete com os caras que cuidaram daquela casa. Não estava acabada, não tinha estuque, não tinha porta e o chão era de terra. Tudo para fazer mais barato. Comecei a ver as casas e fui ficando indignado.”
De quase 3 milhões de unidade entregues ou com obras em andamento do programa Minha Casa Minha Vida, somente 50 mil foram construídas por ess modalidade, em que cerca de 1,5% do orçamento total do programa é direcionado para entidades populares que organizam movimentos por moradia. As unidades padrão têm 39 metros quadrados e, no geral, são destinadas a famílias com renda entre três e seis salários mínimos (até R$ 4.344).
Os apartamentos entregues neste fim de semana são destinados a famílias com renda abaixo de três salários mínimos (R$ 2.172). E têm entre 56 e 63 metros quadrados, com dois ou três dormitórios. São três blocos de oito pavimentos, com oito apartamentos por andar, elevadores, áreas comuns e centro comunitário. A construção teve fiscalização dos futuros moradores.
“É o maior apartamento do programa no país. E está sendo feito com o mesmo recurso que outros, que fazem algo menor. Isso demonstra que a modalidade Entidades tem de ser ampliada e fortalecida. O modelo sofre muita resistência, porque tem muita gente nesse país que acha que o povo não sabe gerir projeto”, afirmou Boulos.
Boulos ressaltou que sem luta e sem Minha Casa Minha Vida Entidades, esse momento dificilmente existiria
Referência
Para a gerente nacional de Entidades Urbanas da Caixa Econômica Federal, Eleonora Lisboa Mascia, o Condomínio João Cândido deverá ser utilizado como modelo no país. “Este é um empreendimento referência em qualidade e tempo de obra. Prova de que quando conseguimos levar o recurso para quem vai ser beneficiado, o resultado é melhor e mais rápido”.
Cada unidade custou cerca de R$ 100 mil, sendo R$ 72 mil subsidiados, pelo governo federal, e R$ 20 mil pelo projeto Casa Paulista, do governo estadual. O valor restante será pago pelos moradores, em prestações que variam entre R$ 50 e R$ 80 por mês. Ao todo o governo federal investiu cerca de R$ 20 milhões na obra, iniciada em março de 2013. “Se o subsídio não existisse, 95% dos companheiros aqui hoje não poderiam conseguir suas casas. E a gente critica, às vezes, por entender que o subsídio precisa melhorar”, afirmou Boulos.
Os critérios iniciais para inclusão são os mesmos do programa, como renda, idade, familiares com deficiência e não ter feito outro financiamento pela Caixa Econômica Federal. O Minha Casa Minha Vida aceita que tanto as prefeituras, no modelo convencional, como os movimentos, no Entidades, insiram critérios próprios. Por exemplo, a prefeitura de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, exige que o inscrito não tenha ocupado irregularmente áreas no município desde 1997, como forma de desmobilizar os movimentos sociais.
No caso do Conjunto Habitacional João Cândido, um dos critérios foi a participação nas reuniões, manifestações e atividades dos movimentos. Ficou ainda definido com a construtora Engecom que pelo menos 50% dos trabalhadores do empreendimento tinham de ser pessoas organizadas pelos movimentos.
Rosevaldo, de capacete branco, era só alegria por ter ocupado, trabalhado e agora ir morar em uma das moradias
Um desses trabalhadores é o encarregado de elétrica Rosevaldo Caetano Alves, que morou na ocupação João Cândido. “Para mim é uma alegria imensa estar construindo todos os dias, além da minha casa, a dos meus companheiros de luta. Não tem o que pague essa alegria”. Além dos 192 apartamentos entregues neste sábado, e outros 190 que serão entregues no fim de janeiro de 2015, Rosevaldo diz ter outros 900 que vai ajudar a fazer.
O baiano, há 20 anos em São Paulo, sempre pagou aluguel. Até que um dia passou um carro de som no Jardim dos Reis, onde ele morava, anunciando que havia a ocupação, chamando quem não aguentava mais viver assim. “Ficamos alguns anos debaixo da lona. Enfrentamos muita caminhada, bala de borracha, bomba de gás lacrimogêneo. Mas vencemos”, comemora, com os olhos marejados.
Rosevaldo vai morar no Condomínio João Cândido com a mulher e quatro filhas. Quer passar o natal na casa nova. As coisas em casa já estão empacotadas. Ele deixou um colchão inflável no apartamento e usa para descansar nos dias de trabalho. Ele lembra que foram duas lutas, porque no início sua mulher não acreditava. “Eu ia para o movimento, mas depois tinha de dialogar com ela em casa, explicar. Muitas pessoas passaram por isso. Hoje ela vê o nosso sonho realizado”, concluiu.
“Esperamos que isso seja um exemplo e uma iluminação na luta daqueles que ainda não vão entrar hoje, mas veem que aqui nós temos um exemplo concreto de que e organizar dá resultado. E não é qualquer resultado. É uma moradia digna”, afirmou Boulos.
Não faltou emoção na entrega das chaves às primeiras 192 famílias. Idosos tiveram prioridade. Unidades terão entre 56m2 e 63m2 e prestações de no máximo R$ 80

Do site do Luis Nassif

TER, 23/12/2014 - 09:19
ATUALIZADO EM 23/12/2014 - 09:2

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Ninguem é novato em materia de corrupção!

Reproduzo excelente artigo de Cartacapital

Camargo Corrêa, ditadura, Petrobras e outros partidos

Governos da ditadura, do PMDB e PSDB têm muitas obras com a Camargo Corrêa, que possui uma histórica tradição de se envolver em polêmicas de corrupção.


Caco Schmitt (*) Camargo Côrrea/Divulgação

Se a gente prestar bem atenção ao noticiário da grande imprensa sobre o "escândalo" da Petrobras, a Sétima etapa da Operação Lava Jato, parece que o Grupo Camargo Corrêa é novato em matéria de corrupção. Ele e todas empreiteiras envolvidas. E parece também que na Petrobras está o único caso de denúncia de corrupção envolvendo serviço público, na história do Brasil. Então, vamos recuar no tempo pra refrescar a memória.

A Camargo Corrêa foi criada em 1939 como uma simples construtora. Fez grandes obras para a ditadura militar em várias regiões do Brasil. Ouvi seu nome pela primeira vez na Amazônia, nos anos 1970. Ela participou da tentativa dos militares de construir a Perimetral Norte (BR-210), em1973. Rodovia que cortaria a calha norte do Rio Amazonas, paralela ao rio, do Amapá até a divisa com a Colômbia.

Quem pagou foram os índios Yanomami, especialmente a aldeia Xikawa, localizada no limite leste do Território Yanomami. Eles viviam em relativo isolamento e sofreram com o contato com os trabalhadores da Camargo Corrêa. Epidemias de gripe e sarampo dizimaram 80% da população da região. Depois, vieram o alcoolismo, a prostituição, a mendicância e, por fim, a desestruturação social – com aldeias inteiras reduzidas a pequenos grupos vivendo à margem da estrada inacabada - obra da dobradinha ditadura militar & Camargo Corrêa.

A Camargo Corrêa cresceu e se tornou um poderoso grupo como toda construtora da época, a Andrade Gutierrez, Mendes Jr. etc.: fazendo grandes obras para governos da ditadura militar, que afetaram negativamente a vida de índios, posseiros, agricultores, garimpeiros, o meio ambiente. Num tempo em que denunciar era impossível ou resultava em prisão e tortura. Não havia facebook, nem liberdade.

Hoje, o site oficial da empresa afirma que "o Grupo Camargo Corrêa é uma das maiores organizações empresariais privadas do Brasil. Administrado pela holding Camargo Corrêa S.A., de capital fechado e controle familiar, originou-se de uma pequena empresa de engenharia e construção, fundada em 1939 com um escritório no centro da cidade de São Paulo. Hoje, o Grupo atua nos setores de cimento, concessões de transporte, engenharia e construção, vestuário e calçados, incorporação e naval".

Não é de hoje a existência de denúncias de suborno, propina, cartel para "organizar" concorrências, licitações de obras. Por trás de uma grande obra da Camargo Corrêa (e das outras empreiteiras), geralmente há denúncias que vêm junto. Nos anos 1970, por exemplo, a polêmica ponte Rio-Niterói foi obra de um consórcio que teve a presença da CC. Muito dinheiro sobrou para vários personagens ditatoriais. Em São Paulo, gueto tucano, existe um mar de obras: o Metrô da capital, no governo de Roberto de Abreu Sodré (1967-71), da Aliança Renovadora Nacional (ARENA); depois no governo de Laudo Natel (1971-75), também da ARENA.

A Camargo Corrêa fez a Rodovia dos Imigrantes, de São Paulo a Santos. E em 1976, a Rodovia dos Bandeirantes, no governo Paulo Egydio Martins (1975-79), também da ARENA - partido que se dividiu com a abertura política e gerou o PDS, que acabou no PP; e o PFL que acabou no DEM.

A partir de 1975, no governo do general-ditador Ernesto Geisel (1974-79), a Camargo Corrêa entrou na construção das mega hidrelétricas de Tucuruí, no Pará, e Itaipu.

Em 1980, fez a construção do o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no governo Paulo Salim Maluf (1979-82), então filiado à ARENA. Em 1987, a Camargo Corrêa começou o anel viário de São Paulo, no governo Orestes Quércia (1987-91), do PMDB, e, em 88, o túnel Jânio Quadros.

Nos anos 1990, sob comando de Joaquim Roriz, PMDB, a Camargo Corrêa alçou voo para o Distrito Federal e construiu o aeroporto de Brasília e o metrô, outro escândalo.

Com Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, na presidência (1995-2002), a Camargo Corrêa seguiu tocando grandes obras. A partir de 1997, o grandioso gasoduto Brasil-Bolívia, da Petrobras, e a usina de Angra dos Reis. Em 2001, a Camargo Corrêa fez refinaria de Paulínea em São Paulo, também da Petrobras.

Em 2004, sempre em São Paulo, tocou a linha 4 do metrô de São Paulo, no governo Geraldo Alkmin, PSDB, (2003/2006), e o Rodoanel Mario Covas, em 2006.

Em 2007, a Camargo Corrêa faz obras em outro ninho tucano, na cidade administrativa do governo de Minas Gerais, o palácio do governo. Aécio Neves, PSDB, governou Minas de 2003 a 2010.

Então, governos da ditadura militar, do PMDB e PSDB têm muitas obras com a Camargo Corrêa, que possui uma histórica tradição de se envolver em polêmicas de suborno e propinas. Mas nunca houve nada, certo? Errado. Em março de 2009, a Polícia Federal deflagrou a Operação Castelo de Areia que investigou indícios de crimes financeiros praticados pela construtora. As investigações da PF apontaram para doações ilegais a sete partidos: PSDB, PPS,PSB, PDT, DEM, PP e o PMDB do Pará. É só olhar no Google pra ver que o Ministério Público Federal indiciou Fernando Botelho, vice-presidente da empresa e mais dois diretores do grupo por crime de corrupção, fraude, falsidade ideológica, sonegação, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

É só olhar no Google pra ver que em janeiro de 2010, a Justiça autorizou a Polícia
Federal a abrir 19 inquéritos para apurar atos de corrupção ativa e passiva envolvendo o grupo, órgãos, agentes públicos e obras, dentre as quais o Rodoanel Mário Covas e a Linha 4 do Metrô de São Paulo, do governo do PSDB.

Será que agora a Polícia Federal, o Ministério Público, a Justiça vão retomar esses escândalos abafados?

Será que vão a fundo na Mendes Jr., mineira como Aécio Neves, que também participou da construção de Itaipu, da ponte Rio-Niterói, da Transamazônica, do metrô de São Paulo e foi pioneira em offshore em 1976, construindo plataformas para a Petrobras quando o presidente da república era o ditador Ernesto Geisel (1974-79). E, a partir de 1990, fez vários trabalhos pra Petrobras, entre eles o gasoduto Brasil-Bolívia do Fernando Henrique Cardoso, PSDB.

Será que vão a fundo na OAS -- baiana como o clã dos democratas ACMs -- que surgiu em 1976 e entrou na petroquímica a partir de 1986, no governo do último ditador João Batista Figueiredo (1979-85).

Vão falar da Andrade & Gutierrez, também mineira, fundada em 1948, hoje a segunda construtora brasileira e uma das maiores do mundo? Empresa que a partir dos anos 90, diversificou os negócios e entrou nas áreas de concessões públicas e telecomunicações, aproveitando a onda das privatizações iniciadas pelo governo Fernando Collor (1990-92), do PRN, e seguida por Fernando Henrique Cardoso, PSDB. E hoje tem projetos em hidrelétricas, termoelétricas, usinas nucleares, petroquímicas, mineração, siderúrgicas, refinarias, portos, metrôs, saneamento e urbanização, aeroportos, ferrovias, construção civil. No Brasil, a unidade de negócios Industrial conquistou a primeira obra, a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e iniciou uma parceria com a Petrobras.

No governo do mineiro Itamar Franco (1992-95) iniciou a sua atuação na área de telecomunicações, através da criação da AG Telecom, em 1993. Em 1998, a empresa venceu o leilão de privatização do Sistema Telebrás e integrou a operação da Telemar. Depois, veio a Contax, uma das três maiores empresas de "contact center" do mundo.

E foi longe, entrou na área de concessões e hoje é a maior controladora de rodovias sob concessão da América Latina. Por meio da CCR, está entre os maiores grupos do mundo em concessão de infraestrutura. No setor de Transporte e Logística, possui atuação nos segmentos de concessão de rodovias, mobilidade urbana e serviços. A CCR detém hoje participação nas concessionárias Barcas S.A., RodoNorte, ViaQuatro, STP, Controlar e Transolímpica. Além disso, é detentora das concessões das rodovias Ponte Rio Niterói, Nova Dutra, ViaLagos, AutoBan, RodoAnel. Ou seja: recebe para construir e depois segue cobrando pedágio... Por que será que a grande imprensa defende tanto as concessionárias?

Pra concluir: o que aparece nas delações premiadas da Lava Jato não são apenas empreiteiras que subornam e financiam campanhas eleitorais e compram burocratas para conseguirem obras. Lembrando que seis delas estão entre os maiores doadores da campanha presidencial de Aécio Neves. São grandes oligopólios com ramificações poderosas e relações estreitas com os subterrâneos da política desde os tristes tempos da ditadura militar. Se quiserem ir a fundo, terão que descer aos porões mais escusos da história recente do Brasil.


(*) Jornalista

Créditos da foto: Camargo Côrrea/Divulgação

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sobre o Bolsa familia

Conheça os 11 mitos do programa Bolsa Família e ajude a desconstruí-los

Publicado em: 31 de outubro de 2014

Maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família garante a permanência de crianças e adolescentes na escola, reduz a desnutrição e a mortalidade infantil, faz girar a roda da economia (para cada R$ 1 investido no Bolsa Família, o PIB cresce R$ 1,78) e abre inúmeras portas de oportunidades: 1,5 milhão de beneficiários matricularam-se em cursos de qualificação profissional do Pronatec e 1,7 milhão de famílias abriram voluntariamente mão do benefício, porque conseguiram melhorar de vida.

Mas a desinformação — proposital ou não — sobre o programa leva muita gente a acreditar que se trata de uma “Bolsa Preguiça” que sustenta pessoas que não trabalham. Duplo engano. O valor médio do benefício, de R$ 170,10 por família, é suficiente apenas para garantir a segurança alimentar e uma vida mais digna. Além diso, 75% dos beneficiários adultos do Bolsa Família estão no mercado. O problema é que, como no tempo deles não havia nenhum apoio do Estado, foram obrigados a abandonar os estudos quando crianças e hoje exercem atividades precárias, recebendo menos que o necessário para viver com dignidade.

Visite a página brasildamudanca.com.br/bolsafamilia/mitos para desfazer os principais mitos que cercam o Bolsa Família, elogiado pela ONU e replicado em várias partes do planeta — inclusive Nova York – mas ainda hoje vitima da desinformação e do preconceito.
Abaixo as questões que estão no link do site acima

11 - O Bolsa Família transformou o Nordeste em curral eleitoral

Por que não é verdade

Uma das inovações do Bolsa Família foi justamente eliminar o coronelismo. O beneficiário é titular de um cartão e não deve favores a ninguém. Vota em quem quiser. Pouca gente sabe, mas São Paulo é o vice-campeão nacional do Bolsa Família, com mais famílias beneficiadas do que todos os estados nordestinos, à exceção da Bahia.
Os governos do PT são tão bem avaliados pelos nordestinos porque o Nordeste, esquecido pelos governos anteriores, passou por uma verdadeira revolução nos últimos 12 anos. A região cresceu o triplo da média nacional. Foi também no Nordeste que a renda do brasileiro mais cresceu. Mais de 4 milhões de empregos foram gerados.
Hoje, 42% da população nordestina está na classe média, um crescimento de 20 pontos em apenas uma década. A infraestrutura turística cresceu como nunca; a matriz industrial se diversificou, com destaque para as indústrias naval e petroquímica; grandes obras estão mudando a paisagem e a história da região, como a integração do rio São Francisco, a ferrovia Transnordestina, o Eixão e o Cinturão das Águas, a refinaria Abreu e Lima, entre tantas outras.
Lula e Dilma reduziram como nunca as desigualdades sociais e regionais. O Brasil deixou de ser um país governado apenas para um terço da população e passou a ser um país de todos.
1- O Bolsa Família estimula a vagabundagem
Por que não é verdade
Sete em cada dez beneficiários adultos do programa estão no mercado de trabalho – procurando emprego ou exercendo atividades precárias, com rendimentos insuficientes para manter suas famílias. Além disso, 1,5 milhão de beneficiários matricularam-se em cursos de qualificação profissional do Pronatec, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, em busca de uma profissão e de uma vida melhor.
Sim, o Bolsa Família ajuda o cidadão a pescar!

2 – O governo não exige filhos na escola para receber Bolsa Família

Por que não é verdade

O governo federal monitora a frequência escolar de 17 milhões de estudantes. Para que a família tenha direito ao benefício, os filhos entre 6 e 15 anos precisam estar matriculados e frequentar, no mínimo, 85% das aulas. Já os estudantes entre 16 e 17 anos devem ter frequência de, no mínimo, 75%. O programa teve impacto altamente positivo no aumento do índice de aprovação e na redução da taxa de evasão escolar.
Sem contar que muitos filhos do Bolsa Família, livres da necessidade de abandonar os estudos para ajudar no sustento de suas famílias, já chegaram ao ensino superior.
Além das exigência educacionais, existem também as condicionalidades na área da saúde: crianças com até 7 anos devem manter as vacinações atualizadas e terem seu crescimento acompanhado, gestantes e nutrizes devem realizar consultas pré e pós-natal etc.

3- Não há porta de saída para o Bolsa Família

Por que não é verdade

O Bolsa de Família está integrado ao plano Brasil Sem Miséria, que oferece inúmeras oportunidades (ou “portas de saída”) de inclusão produtiva rural e urbana. Por exemplo: cursos de qualificação profissional do Pronatec, construção de cisternas (não só para consumo humano, mas também para produção), Luz para Todos (que abre caminho para várias ações de empreendedorismo), programa de assistência técnica e extensão rural, programas de compra direta de alimentos produzidos por agricultores familiares etc.
Isso tudo além de acesso a serviços nas áreas de educação (creches e escolas em tempo integral, por exemplo), saúde (Rede Cegonha, Brasil Sorridente, Saúde da Família etc), assistência social e segurança alimentar.
Neste ano, como já dissemos, o Brasil atingiu a marca de 1,5 milhão de beneficiários do Bolsa Família inscritos em cursos do Pronatec (dentro de um universo total de 8 milhões de matrículas). São pessoas de baixa renda e escolaridade, antes sem futuro, que estão conquistando novas profissões e melhores salários.
Dos 4,5 milhões de brasileiros e brasileiras que abriram ou formalizaram seus pequenos negócios, aderindo ao Programa Microempreendedor Individual (MEI), 10% são beneficiários do Bolsa Família; nas regiões Norte e Nordeste, o percentual ultrapassa os 35%.
Ou seja, a transferência de renda do Bolsa Família proporciona um alívio imediato da pobreza, mas o objetivo do programa é que os beneficiários consigam superar em definitivo a condição de vulnerabilidade em que se encontram.
O Bolsa Família é, portanto, uma grande porta de entrada – para a cidadania e para uma vida melhor.

4-   Conheço uma mulher que recebe 3 mil reais do Bolsa Família

Por que não é verdade

O Bolsa Família é um programa de superação da pobreza, e o complemento de renda recebido é o suficiente apenas para garantir às famílias uma vida mais digna. Cada família recebe, em média, R$ 170,10 (são 14 milhões de famílias atendidas). Seis em cada dez famílias recebem ainda menos do que esse valor e apenas uma em cada 10 recebe mais de R$ 300. Apenas em casos raros, — menos de 1% do total — esse valor passa de 500 reais. Em todo país, cerca de 8400 famílias, ou 0,06% do total, recebe mais do que um salário mínimo. Essas são famílias em situação especialmente vulnerável, nas quais os pais cuidam de uma família numerosa que muitas vezes inclui sobrinhos ou até netos.
5-        5- Ninguém quer largar o osso e abrir mão dessa esmola
Por que não é verdade
Primeiro: não se trata de esmola, é um direito. E segundo: nada menos que 1,7 milhão de famílias (12% do total de beneficiários) já abriu mão voluntariamente do benefício, pois conseguiram melhorar de vida.

6-  O Bolsa Família está quebrando o Brasil

Por que não é verdade

É justamente o contrário. Além de ser um programa barato, que corresponde a cerca de 0,5% do PIB, o dinheiro do Bolsa Família irriga a economia na base, estimula a atividade econômica e a arrecadação de impostos. Na ponta do lápis, um excelente negócio: Para cada R$ 1,00 investido no programa, o PIB cresce R$ 1,78.

7-  Só no Brasil do PT tem essa esmola estatal

Por que não é verdade

Mais de 40 países têm programas semelhantes. Inclusive os Estados Unidos: o Bolsa Família inspirou um programa similar em Nova York, que foi classificado como “inovador” e “bem-sucedido” pelo então prefeito, Michael Bloomberg.

8- O PSDB criou o Bolsa Família com FHC

Por que não é verdade

Os programas sociais do governo tucano eram dispersos, não tinham um eixo estratégico, ebeneficiavam pouquíssima gente. Eram pouco mais que uma vitrine. Foi Lula, em 2003, quem unificou vários programas e multiplicou seu alcance e o volume de recursos, transformando-os em políticas públicas de verdade. O investimento cresceu sete vezes: de R$ 3 bi para R$ 25 bi. Hoje, graças ao Bolsa Família, 36 milhões de brasileiros e brasileiras estão fora da pobreza extrema.

9-  O Bolsa Família gera dependência

Por que não é verdade

O Bolsa Família é suficiente para garantir a sobrevivência. Combate a fome, reduz a mortalidade infantil, incentiva os estudos e melhora o rendimento escolar. Mas não dá vida boa a ninguém. Não há acomodação. Até porque, lembremos, o valor médio do benefício é de apenas R$ 170,10 – enquanto o salário mínimo chega a R$ 724,00. Palavras do diretor do Banco Mundial, o indiano Arup Banerji: “Estudos comprovam: depois de dez anos do Bolsa Família, não há dependência”.

10 - O Bolsa Família estimula os pobres a ter filhos

Por que não é verdade

Pelo contrário: é cada vez maior o número de beneficiárias que utilizam métodos anticoncepcionais. A taxa de fecundidade das brasileiras caiu 20% nos últimos anos, mas no grupo de mulheres mais pobres o recuo foi ainda maior: 30%. Sem depender financeiramente dos maridos, essas mulheres conquistaram autonomia não apenas para escolher o que comprar, mas também para decidir se querem ou não ter filhos. Estudos mostram que as condicionantes do programa estão estimulando a troca da quantidade por qualidade entre as beneficiárias – menos filhos, com mais futuro para cada um deles.
Além disso, o benefício para cada criança é de R$ 35 mensais. Alguém pensaria em ter um filho a mais para ter acesso a essa “fortuna”?

11 - O Bolsa Família transformou o Nordeste em curral eleitoral

Por que não é verdade

Uma das inovações do Bolsa Família foi justamente eliminar o coronelismo. O beneficiário é titular de um cartão e não deve favores a ninguém. Vota em quem quiser. Pouca gente sabe, mas São Paulo é o vice-campeão nacional do Bolsa Família, com mais famílias beneficiadas do que todos os estados nordestinos, à exceção da Bahia.
Os governos do PT são tão bem avaliados pelos nordestinos porque o Nordeste, esquecido pelos governos anteriores, passou por uma verdadeira revolução nos últimos 12 anos. A região cresceu o triplo da média nacional. Foi também no Nordeste que a renda do brasileiro mais cresceu. Mais de 4 milhões de empregos foram gerados.
Hoje, 42% da população nordestina está na classe média, um crescimento de 20 pontos em apenas uma década. A infraestrutura turística cresceu como nunca; a matriz industrial se diversificou, com destaque para as indústrias naval e petroquímica; grandes obras estão mudando a paisagem e a história da região, como a integração do rio São Francisco, a ferrovia Transnordestina, o Eixão e o Cinturão das Águas, a refinaria Abreu e Lima, entre tantas outras.
Lula e Dilma reduziram como nunca as desigualdades sociais e regionais. O Brasil deixou de ser um país governado apenas para um terço da população e passou a ser um país de todos.
Fonte: Site O Brasil da Mudança

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Declaração de voto

Extraído da seção comentários do Blog do LuisNassif

DECLARAÇÃO DE VOTO

Eu tive o privilégio de viver boa parte da minha juventude na Europa, graças ao cargo de diplomata do meu Pai. Deixamos o Brasil em 1961, depois de uma era de otimismo impulsionado por JK, que durante e depois do brilhante mandato foi tratado como um cão sarnento, que nem Lula e Dilma, hoje. Infelizmente, boa parte da classe média brasileira parece não suportar bem políticos com visão e compromisso com o País...
Pois bem, saindo orgulhoso do meu Brasil depois da epopéia desenvolvimentista, eu sempre fui humilhado na Europa por pertencer a um País repleto de miséria. Não havia igrejas, não havia escolas onde não houvesse um "projeto social" no Brasil, com uma foto de criança descalça, passando fome.
Tínhamos de engolir seca essa humilhação, pois correspondia a mais pura verdade! Como pode um país repleto de chão, de oportunidades, de riqueza, suportar tanto atraso humano, moral !
Que governo finalmente ia nos resgatar de tanta vergonha, de suportarmos ver coexistir a fome ao lado de riquíssimos bairros de Zona Sul, shoppings e condomínios? E de ver isso estampado em qualquer reportagem ou até mesmo guia turístico sobre o Brasil?
Esperei, lutei, esperei, lutei, esperei, lutei... Primeiro contra a ditadura; depois pelo aprofundamento da democracia; por projetos de qualidade no campo dos transportes...
Aguentei Sarney, Collor; despertei minhas esperanças com a vinda de FHC, o tão garboso intelectual da esquerda. Aguentei (e, dadas as circunstâncias, até compreendi) as desilusões com esse príncipe.
E, finalmente, receando golpes por parte de uma elite que não é capaz de ceder um milímetro de seus privilégios, veio o Lula. Ocorreram muitas coisas negativas que não preciso lembrar, eis que é conhecimento de todos; mas aconteceu o principal: o decidido combate contra a injustiça social, contra a pobreza, que fora sempre o flagelo moral da minha juventude! O regate moral desse nosso País diante o mundo, que reconheceu e aplaudiu nosso rumo! O fim da vergonha que me atormentou durante toda minha juventude!
Finalmente, pude voltar à Europa, por ocasião de dois estágios de pós-doutoramento (onde, mais uma vez, me dediquei buscar soluções que ajudassem ao desenvolvimento de meu País: PPP, em Paris; e Engenharia Territorial, em Berlim). Ali, só ouvi elogios, admiração, até, por nossa nação. Finalmente, podia me orgulhar, finalmente era respeitosamente acolhido, só por ser brasileiro.
Claro, certos modelos de política econômica já se esgotaram: por ordem cronológica, o socialismo ortodoxo (1989), o neo-liberalismo (2009) e o neo-keynesianismo (2014). Hoje, não é apenas o Brasil que busca freneticamente a porta de saída dos paradigmas dos Séculos XIX e XX, é o mundo todo! Ainda não se chegou a uma solução, mas que deverá aparecer brevemente (as discussões são muito vivas, a respeito!).
E temos duas candidaturas que falam de mudança, mas não são, por ser filhos desta nossa era de incertezas, capazes de definir claramente o novo a ser construído. Analisemos as duas:
a) Aécio: com todo o respeito que tenho pela obra de regate, necessário, mas doloroso e humilhante, da nossa instabilidade econômica e hiperinflacionária na era fernandina, essa candidatura tucana não aporta nada de mudança. E sim, a volta para os remédios da década de 90, aceitáveis naquela época de absoluta ditadura intelectual do pensamento único do neoliberalismo (que em parte até comunguei), mas totalmente falidos no mundo pós-Lehmann.
Fofocas eleitorais e maledicências nojentas à parte, para mim a grande falha dos tucanos não foi o que fizeram durante o seu período no Poder, e sim o que deixaram de fazer depois. Lembro que os protagonistas do PSDB tiveram um forte papel na redemocratização desse País, e seria de se esperar que, fora do Poder, pudessem reanalisar sua estratégia e desenvolver uma alternativa viável e não tão antissocial, para os rumos do nosso País.
Só que isso não aconteceu. A campanha de Aécio é vazia de propostas (não me venham com o longo texto de seu programa, até porque papel aguenta tudo). Isso ficou claro sobretudo nos debates. Promete, ao invés, um cavalo-de-pau deflacionista, que provocará grandes estragos na nossa economia, na nossa já tão combalida indústria.
As propostas no setor das políticas sociais e de educação nada têm de inovadoras. Só prometem continuar o que já ocorre, quando muito adornadas com palavras puramente marqueteiras (“re-estatização” da Petrobrás; transformação do Bolsa-Família em “política de Estado”, etc.). Mas, qual o avanço, já cobrado nas ruas, em 2013? A volta dos contratos de concessão na exploração do Petróleo irá beneficiar ou comprometer o uso dos recursos para a educação? Silêncio total! A redução dos bancos públicos irá beneficiar como, a economia, os tão cobrados investimentos na infraestrutura? Silêncio total. O que Aécio falou sobre as infraestruturas?
Vamos para Dilma: seu neo-keynesianismo demonstra claros sinais de esgotamento. Embora tenha deslanchado toda uma política de concessões e parcerias, nos falta ainda um planejamento territorial que faça despertar mais fortemente as economias regionais, sobretudo na periferia econômica. Em suma, as estratégias para a retomada do crescimento estão ainda muito tímidas. Problemas à vista!
Entretanto, volto ao sonho da minha juventude: o combate decidido contra a pobreza. A saída gloriosa, mas silenciada, do nosso País do mapa da fome!!! O forte investimento em habitação social, eletrificação rural, a ampliação radical ao ensino técnico e superior por diversos caminhos; o aumento decidido do poder aquisitivo, sobretudo no interior, viabilizando inclusive a economia e as finanças públicas dos municípios (como ouvi da própria boca de muitos prefeitos). E finalmente ver o povo colorido auto-confiante, fazendo planos para um futuro “diplomado”.
Que o Brasil precisa mudar, é óbvio. Mas em que direção? Como é que esses avanços históricos vão ser preservados, sobretudo por um candidato que não os menciona nos debates?
Assim, confirmo meu voto em Dilma, mas com um alerta: precisamos ser tremendamente criativos para buscar novos caminhos que não sejam a continuidade do presente ou a volta ao passado. Temos de adotar projetos propulsores concretos, não apenas de uma ou outra indústria, de infraestruturas, mas sobretudo que despertem de forma sistêmica os potenciais de todas as regiões, de todas as classes sociais.
E, claro, aprofundar mais a construção de uma nova sociedade, não apenas mais justa no quesito distributivo, mas, sobretudo, no empoderamento das famílias, das empresas e das agências públicas. Na capacidade de cada cidadão desenvolver e implementar projetos de vida, de empreendimentos, de carreiras; das empresas de conceber novos projetos de negócio e investimento; e do Poder Público, de políticas públicas que facilitem os projetos dos cidadãos e de suas organizações empresarias e não-empresariais.
E aí vai meu segundo alerta: terminou a era das políticas de gabinete, do piloto automático. Onde não são aceitas nem visitas dos representantes da sociedade. Ao invés, os novos rumos só virão à tona se houver um diálogo amplo com a sociedade, e um encorajamento para uma radical participação.
Isso implica também o fim da selvageria deplorável vista nos últimos dias. Segunda-feira, todos deverão enterrar o machado de guerra e voltar a construir o País. As divergências, que certamente haverá, devem ser expressas pelos caminhos e espaços da democracia, não cabendo questionamento aos mecanismos institucionalizados.
Eu tenho minhas razões para ter votado em Dilma. Compreendo as razões dos que optaram por Aécio. Mas não podemos nos dominar pelas paixões e adentrar sendas que sabemos onde elas vão parar.
Bom voto a todos!
recolher
Joaquim Aragão

domingo, 26 de outubro de 2014

Liberdade de imprensa x criminalidade

Liberdade de imprensa x Criminalidade jornalística, por Fábio de Oliveira Ribeiro


Passei alguns anos da minha vida observando a imprensa brasileira e reportando seus exageros, distorções, omissões e distopias no Observatório da Imprensa:
http://observatoriodaimprensa.com.br/authors/all_author/435/news
Mas ainda não tinha visto algo parecido com o que ocorreu nos últimos dias. Na reta final da campanha, por desespero de causa, a imprensa brasileira massacrou o PT e sua candidata. Sobre as acusações que pesam contra o PSDB e Aécio Neves nenhuma palavra, nenhuma indignação. A imprensa age como se quisesse comandar o Brasil ou, pior, como se fosse comandada pela oposição.
A imprensa no Brasil é livre. Mas não age com liberdade. Ela escolhe quem vai defender e quem pretende destruir. Os motivos que a levam a tomar partido, porém, ficam soterrados e raramente são discutidos. Nos últimos 12 anos o PT não casou nenhum dano econômico às empresas de comunicação. Nenhuma grande empresa do setor faliu, deixou de receber verbas federais de propaganda, de ter acesso aos créditos do BNDS, de imprimir livros do MEC, nem foi impedida de colocar em circulação o que bem entendiam. Mesmo assim, Dilma Rousseff foi tratada como se fosse uma criminosa qualquer. Qual foi o crime que ela cometeu?
Há apenas um crime que pode ser atribuído a Dilma Rousseff: mandar investigar toda e qualquer denuncia, independentemente dos envolvidos serem petistas, tucanos, doleiros, ministros, diretores de estatais, etc... Somente os jornalistas não foram investigados.
O que os donos de jornalistas temem? Ser investigados? A imprensa no Brasil tem um pé no crime organizado desde que os Ibrahim Abi-Ackel mandou apreender malotes da Rede Globo contendo cocaína e, na sequencia, foi massacrado pelo clã Marinho. Se a imprensa não é livre e age como ponta de lança do crime organizado (algo que ficou claro quando as relações entre o Cachoeira e seu "caneta" na Veja vieram a público), a CF/88 está sendo solapada.
O princípio da liberdade de imprensa foi colocado de ponta-cabeça. Ao invez de servir aos interesses da sociedade, serve apenas aos chefes de quadrilhas. Impossível deixar de ligar o PSDB à estas quadrilhas, pois o partido raramente é atacado pela imprensa. Na reta final da campanha não vi uma só manchete desfavorável a Aécio Neves. Até mesmo a falta de água em São Paulo vai sendo discretamente creditata na conta do governo federal.
Do jeito que as coisas estão, não podem ficar. Reeleita, Dilma tem que meter o dedo nesta ferida purulenta. As ligações entre as empresas de comunicação e a criminalidade dos potentes deve ser minuciosamente investigada pela PF. Isto é o mínimo que o Estado deve fazer para preservar a validade e eficácia de sua própria Constituição. Caso contrário, a inversão de valores se tornará a regra e passaremos a viver não num Estado de Direito e sim no maior Narco Estado Jornalístico jamais construído na história da humanidade.
 
Do site do LuisNassif

sábado, 25 de outubro de 2014

Quem é o mais corrupto no Brasil

Serve de baliza as pessoas que estão assim como eu revoltadas com a corrupção neste pais

PSDB É O PARTIDO COM MAIOR NÚMERO DE POLÍTICOS FICHA-SUJA DO BRASIL, APONTA JUSTIÇA ELEITORAL

Levantamento realizado em 26 estados brasileiros e divulgados pelo site Pragmatismo Político aponta os principais partidos que tiveram filiados barrados na Lei da Ficha Limpa pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Dos 317 políticos barrados na lei, o número deve aumentar pois na época do levantamento ainda haviam 16 casos a serem julgados, a maior parte é do PSDB.
ficha-suja
O partido dos tucanos lidera a contagem de políticos barrados na Lei da Ficha Limpa. Nada menos do que 56 membros do PSDB foram impedidos de disputar eleições por estarem em débito com a justiça. O segundo partido com mais fichas-sujas é o PMDB, com 49, na sequência aparecem o PP, com 30, o PR com 25 e o PSB com 23. O PTB possui 22 fichas-suja, o PSD possui 20, o PT 18, o DEM 16 e o PDT possui 13.
No que diz respeito aos estados, Minas Gerais lidera o ranking com 54 nomes, seguido de perto por São Paulo, com 53 nomes. Ceará com 36, Goiás com 34, Par[a com 22 e Rio Grande do Sul com 18 completam a lista dos principais estados com candidatos fichas-suja.
Todos os candidatos barrados pelos tribunais regionais podem recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A presidente do tribunal, Cármen Lúcia, já disse que não será possível julgar todos os casos antes das eleições, mas sim até o final do ano, antes da diplomação dos eleitos, assim, o nome de alguns pode aparecer na urna de votação em 2014.
Do site Brasilpoder

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Agua uma tragédia paulista

A tragédia paulista da falta de governo


São Paulo tornou-se um buraco negro institucional. Praticamente todos os vícios que os grupos de mídia apontam no governo federal vicejam em São Paulo com muito maior intensidade, devido à falta de vigilância tanto da mídia quanto dos demais poderes.
Por aqui consolidaram-se vícios de estados atrasados.
Por exemplo, no Ministério Público Estadual, o cargo de Procurador Geral do Estado é um trampolim para uma futura secretaria de governo. Apesar da existência de procuradores aguerridos, há uma evidente subordinação do PGE ao grupo político que controla o Estado.
No caso dos grupos de mídia, a ideia fixa em se apresentar como condutora da oposição bloqueou a fiscalização de todos os atos de governo.
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É por isso que se chegou à iminência do maior crime já cometido contra a população de São Paulo, que será o racionamento desorganizado de água que se prenuncia.
A falta de água, especialmente em regiões menos assistidas, exporá a população a epidemias, aumento da mortalidade infantil. Se se chegar a esse ponto e as estatísticas apontarem essa letalidade, Alckmin, Mauro Arce, a Secretária Dilma Penna, o presidente da Sabesp estarão expostos a processos criminais, sim.
Quando foi depor na CPI da Assembleia Legislativa, Dilma Penna mostrou o desconforto com a situação, deixou claro que a irresponsabilidade vinha do governo do Estado, não dela. No dia seguinte, notas em jornais davam-na como demissionária por ter “perdido o comando”, sabe-se lá sobre o quê.
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Incúria ocorreu nos últimos anos, com o descaso da Sabesp em relação a um problema anunciado desde 2004. Mas nos últimos dois anos, a crise estava posta e a falta de ação enquadra-se em crime muito mais grave.
Por conta do período eleitoral, o médico Alckmin não cuidou de planejar um rodízio preventivo, responsável. Pensasse um pouco maior, aproveitaria o momento para ser o verdadeiro líder, que não foge do problema e comanda a reação contra o adversário: a falta de água. Em vez disso, fugiu da questão e de suas responsabilidades por mero oportunismo eleitoral.
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Nos últimos anos, São Paulo viveu a maior enchente da sua história. A razão foi a imprevidência do então governador José Serra, cortando verbas destinadas ao desassoreamento do Tietê. Essa razão básica foi sonegada dos paulistanos pela mídia.
Em nome da luta política maior, todos os demais problemas paulistanos foram varridos para baixo do tapete, o desmonte das universidades estaduais, dos institutos de pesquisa – Agronômico, Butantã -, das instituições de planejamento – Fundação Seade, Cepam, Emplasa -, do Museu do Ipiranga, do Instituto Butantã, da Fundação Padre Anchieta, o aparelhamento da estrutura cultural.
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Além disso, o discurso viciado, preconceituoso e agressivo da mídia modelou o personagem médio mais execrável do cenário político brasileiro: o cidadão que tirou o preconceito do armário e invadiu as ruas armado da agressividade mais inaudita.
São Paulo não é isso.
Esse exército de zumbis floresce em uma sociedade organizada, com movimentos sociais de vulto, vida cultural dinâmica, uma parte da elite moderna, de ONGs que fazem trabalhos exemplares, algumas cabeças empresariais arejadas.
Esse circo de horrores foi modelado por uma mídia que perdeu qualquer noção de responsabilidade. 

Do site do Luis Nassif
 qua, 22/10/2014 - 06:00
Atualizado em 22/10/2014 - 06:00

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A crise de agua em São Paulo!


Este artigo de Gabriel Kogan foi publicado no site Cosmopista.

Gostaria de desmistificar alguns pontos sobre a crise hídrica em SP, assunto que tangencia minhas pesquisas acadêmicas.
1- “Não choveu e por isso está faltando água”. Essa conclusão é cientificamente problemática. Existem períodos chuvosos e de estiagem, descritos estatisticamente. É natural que isso ocorra. A base de dados de São Paulo possibilita análises precisas desde o século XIX e projeções anteriores a partir de cálculos matemáticos. Um sistema de abastecimento eficiente precisa ser projetado seguindo essas previsões (ex: estiagens que ocorram a cada cem anos).
2- “É por causa do aquecimento global”. Existem poucos estudos verdadeiramente confiáveis em São Paulo. De qualquer forma, o problema aqui parece ser de escala de grandeza. A não ser que estejamos realmente vivendo uma catástrofe global repentina (que não parece ser o caso esse ano), a mudança nos padrões de chuva não atingem porcentagens tão grandes capazes de secar vários reservatórios de um ano para o outro. Mais estudadas são as mudanças climáticas locais por causa de ocupação urbana desordenada. Isso é concreto e pode trazer mudanças radicais. Aqui o problema é outro: as represas do sistema Cantareira estão longe demais do núcleo urbano adensado de SP para sentir efeitos como de ilha de calor. A escala do território é muito maior.
3- “Não choveu nas represas”. Isso é uma simplificação grosseira. O volume do reservatório depende de vários fluxos, incluindo a chuva sobre o espelho d’água das represas. A chuva em regiões de cabeceira, por exemplo, pode recarregar o lençol freático e assim aumentar o volume de água dos rios. O processo é muito mais complexo.
4- “As próximas chuvas farão que o sistema volte ao normal”. Isso já é mais difícil de prever, mas tudo indica que a recuperação pode levar décadas. Como sabemos, quando o fundo do lago fica exposto (e seco), ele se torna permeável. Assim a água que voltar atingir esses lugares percola (infiltra) para o lençol freático, antes de criar uma camada impermeável. Se eu fosse usar minha intuição e conhecimento, diria que São Paulo tem duas opções a curto-médio prazo: (a) usar fontes alternativas de abastecimento antes que possa voltar a contar com as represas; (b) ter uma redução drástica em sua economia para que haja diminuição de consumo (há relação direta entre movimento econômico e consumo de água).
5- “Não existem outras fontes de abastecimento que não as represas atuais”. Essa afirmação é duplamente mentirosa. Primeiro porque sempre se pode construir represas em lugares mais e mais distantes (sobretudo em um país com esse recurso abundante como o Brasil) e transportar a água por bombeamento. O problema parece ser de ordem econômica já como o custo da água bombeada de longe sairia muito caro. Outra mentira é que não podemos usar água subterrânea. Não consigo entender o impedimento técnico disso. O Estado de São Paulo tem ampla reserva de água subterrânea (como o chamado aquífero Guarani), de onde é possível tirar água, sobretudo em momentos de crise. Novamente, o problema é custo de trazer essa água de longe que afetaria os lucros da Sabesp.
6- “O aquífero Guaraní é um reservatório subterrâneo”. A ideia de que o aquífero é um bolsão d’água, como um vazio preenchido pelo líquido, é ridiculamente equivocada. Não existe bolsão, em nenhum lugar no mundo. O aquífero é simplesmente água subterrânea diluída no solo. O aquífero Guaraní, nem é mesmo um só, mas descontínuo. Como uma camada profunda do lençol freático. Em todo caso, países como a Holanda acham o uso dessas águas tão bom que parte da produção superficial (reservatórios etc) é reinserida no solo e retirada novamente (!). Isso porque as propriedades químicas do líquido são, potencialmente, excelentes.
7- “Precisamos economizar água”. Outra simplificação. Os grandes consumidores (indústrias ou grandes estabelecimentos, por exemplo) e a perda de água por falta de manutenção do sistema representam os maiores gastos. Infelizmente os números oficiais parecem camuflados. A seguinte conta nunca fecha: consumo total = esgoto total + perda + água gasta em irrigação. Estima-se que as perdas estejam entre 30% e 40%. Ou seja, essa quantidade vaza na tubulação antes de atingir os consumidores. Água tratada e perdida. Para usar novamente o exemplo Holandês (que estudei), lá essas perdas são virtualmente 0%. Os índices elevados não são normais e são resultados de décadas de maximização de lucros da Sabesp ao custo de uma manutenção precária da rede.
8- “Não há racionamento”. O governo está fazendo a mídia e a população de boba. Em lugares pobres o racionamento já acontece há meses, dia sim, dia não (ou mesmo todo dia). É interessante notar que, historicamente, as populações pobres são as que sempre sentem mais esses efeitos (cito, por exemplo, as constantes interrupções no fornecimento de água no começo do século XX nos bairros operários das várzeas, como o Pari). A história se repete.
9- “É necessário implantar o racionamento”. Essa afirmação é bem perigosa porque coloca vidas em risco. Já como praticamente todas as construções na cidade têm grandes caixas d’água, o racionamento apenas ataca o problema das perdas da rede (vazamentos). É tudo que a Sabesp quer: em momentos de crise fazer racionamento e reduzir as perdas; sem diminuição de consumo, sem aumentar o controle de vazamentos. O custo disso? A saúde pública. A mesma trinca por onde a água vaza, se não houver pressão dentro do cano, se transformará em um ponto de entrada de poluentes do lençol freático nojento da cidade. Estaremos bebendo, sem saber água poluída, porque a poluição entrou pela rede urbana. Por isso que agências de saúde internacionais exigem pressão mínima dentro dos canos de abastecimento.
10- “Precisamos confiar na Sabesp nesse momento”. A Sabesp é gerida para maximizar lucros dos acionistas. Não está preocupada, em essência, em entregar um serviço de qualidade (exemplos são vários: a negligência no saneamento que polui o Rio Tietê, o uso de tecnologia obsoleta de tratamento de água com doses cavalares de cloro e, além, da crise no abastecimento decorrente dos pequenos investimentos no aumento do sistema de captação). A Sabesp é apenas herdeira de um sistema que já teve várias outras concessionárias: Cantareira Águas e Esgotos, RAE, SAEC etc. A empresa tem hoje uma concessão de abastecimento e saneamento. Acredito que é o momento de discutir a cassação dessa outorga, uma vez que as obrigações não foram cumpridas. Além, é claro, de uma nova administração no Governo do Estado, ao menos preocupada em entregar serviços público e não lucros para meia dúzia apenas.
Enfim, se eu pudesse resumir minhas conclusões: a crise no abastecimento não é natural, mas sim resultado de uma gestão voltada para a maximização de lucros da concessionária e de um Governo incompetente. Simples assim, ou talvez, infelizmente, nem tanto.