segunda-feira, 12 de maio de 2014

Cantareira levara 5 anos para encher

Se voltar a chover a média, Cantareira levará 5 anos para se recuperar

Fabiana Maranhão
Do UOL, em São Paulo
  • Sebastião Moreira/Efe - 6.mai.2014
    Represa Jaguarí, que integra Sistema Cantareira, armazena cada vez menos água
    Represa Jaguarí, que integra Sistema Cantareira, armazena cada vez menos água
Se voltar a chover a média, o Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, levará cinco anos para atingir 70% de sua capacidade de armazenamento de água, nível considerado bom. A estimativa é de um estudo técnico feito pelo Consórcio Intermunicipal PCJ, das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, segundo o coordenador de projetos do consórcio, Guilherme Valarini.
Ainda segundo o estudo, para atingir o índice de 50%, seria preciso chover mais em dois meses do que no ano passado inteiro. "É algo muito improvável. Poderia ocorrer, mas em um caso super extremo", afirma Valarini, que diz que com esse percentual "daria para atravessar o período de estiagem, de inverno, com tranquilidade".

Reservatórios de água na Grande SP

Arte/UOL
Confira entre quais reservatórios se divide o abastecimento de água na Grande São Paulo
Raio-x dos sistemas
Nesta segunda-feira (12), o nível do Cantareira estava em 8,8%, o mais baixo da história do sistema, que existe desde 1973. No mesmo dia do ano passado, o índice era de 61,5%.

Situação "preocupante", "crítica" e "alarmante"

Especialistas ouvidos pela reportagem do UOL usaram os adjetivos "preocupante", "crítica" e "alarmante" para definir a atual situação do abastecimento de água da Grande São Paulo.
"Menos de 10% é alarmante, pois seguimos em período de estiagem, com poucas chuvas até outubro. E se em outubro e novembro não chover o esperado?", questiona Marcelo Pompêo, professor do departamento de ecologia da USP (Universidade de São Paulo).

Maria Aparecida Marin Morales, especialista em toxicologia ambiental do campus Rio Claro da Unesp (Universidade Estadual Paulista), reforça o alerta do pesquisador. Ela classifica a situação como "crítica".
"[O momento] preocupa ainda mais porque estamos sem previsão de chuvas que possam repor essa quantidade de água. Chuvas em grande volume estão previstas apenas para depois de setembro. Até lá, o que for cair não vai recuperar o sistema", avalia.
A pesquisadora defende a implantação do racionamento "mais para não piorar a situação porque não vai resolver o problema. Temos de reduzir o consumo para não zerar [o sistema] ".
Dejanira Franceschi de Angelis, professora do Departamento de Bioquímica e Microbiologia do campus Rio Claro da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) , avalia o momento como "preocupante" e insiste na necessidade de economizar água.
"A quantidade de água que está entrando não é suficiente para cobrir os gastos. Temos de arranjar formas de gastar menos. Mas gastar menos não é só fechar a torneira; é sujar menos roupa, sujar menos o meio ambiente, porque tudo isso implica em uso de água", detalha.
Do site Uol

Nenhum comentário: