segunda-feira, 28 de julho de 2014

O Brasil que queremos

Existem 2 Brasis.

1. o Brasil da FGV, IBGE e IPEA que cresce distribuindo renda
2. o Brasil da Folha, Veja e Globo onde tudo vai mal.
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É um direito de cada um escolher em quem acreditar !!!
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PIB em bilhões de reais 
Ano 2002 – 1.477
Ano 2013 – 4.837
Fonte: IPEA
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Número de Falências Requeridas
Ano 2002 – 19.891
Ano 2013 – 1.758
Fonte: Serasa
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Inflação
Ano 2002 – 12,53%
Ano 2013 – 5,91% 
Fonte IPEA.
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Taxa de desemprego % MES DEZEMBRO
Ano 2002.- 10,5
Ano 2013. – 4,3 
Fonte IPEA.
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Taxa de Juros Selic
EM 31/12/2002 – 24,9 %
HOJE – 11 %
Fonte: Ipea
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Dívida Pública % do PIB
Ano 2002 – 60,4%
Ano 2013 – 33,8% ; 
Fonte: Ipea
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Número de universitários
Ano 2002 – 3,5 milhões
Ano 2012 – 7,0 milhões
fonte: ANDIFES
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Salário Mínimo Real mes de janeiro

Série em reais (R$) constantes do último mês, elaborada pelo IPEA, deflacionando-se o salário mínimo nominal pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE a partir de março de 1979
Ano 2002. – 364,84 
Ano 2014. – 724,00 
Fonte: IPEA
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Taxa de pobreza (% de pobres)
2002 34 %
2012 15 %
Dados IPEA
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IDH
2000 0,669
2005 0,699
2012 0,730
Fonte: Estadão
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Reservas Cambiais em bilhões de dólares
Ano 2002 – 38 
Ano 2013 – 375
Fonte: Ipea e Banco Mundial
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Espectativa de vida em anos

2002 – 71,0 anos
2011 – 73,4 anos
Fonte Banco Mundial
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Gastos Públicos com saúde
2002 – 28 bi
2014 – 106 bi
Fonte: Orçamento federal
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Gastos Públicos com educação

2002 – 17 bi
20124- 94 bi
Fonte: Orçamento Federal
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Capacidade instalada de Geração de Energia em MV
2002 – 80.315 
2012 – 120.973 
Fonte: IPEA
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RISCO-BRASIL (INDICE EMBI)
31/12/2002 – 1.446 
31/12/2013 – 224 
Fonte: IPEA
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Economia mundial
2002 – 14a. economia mundial
2013 – 6a economia mundial
Fonte: Banco Mundia​l

​ Por que o Santander fez nota aos clientes contra Dilma Rousseff? Na Matéria de 2013 abaixo ​​ a explicação óbvia!

http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/05/15/spread-bancos.htm


Clique aqui para ler “Terrorismo econômico tem nome e sobrenome”

E aqui para
 “Santander se desmente. Ele só ganha $ aqui”

Do site conversaafiada do jornalista Paulo Henrique Amorin
Do Denilson Crispim Santos, no Face do C AF


Inspirado nos livros do lixo, ex-catador virou médico

 
Jornal GGN - Ex-catador, Cícero Batista sonhou em entrar para a carreira de medicina com livros que encontrava no lixo. Livros de biologia e ciências eram os que deixava Cícero mais feliz. Pegava o que podia no lixo para ganhar algum dinheiro, somado ao trabalho de vigiar carro e vender latinhas. "Diante da minha situação social eu não tinha escolha. Era estudar ou estudar para conseguir sair da miséria extrema", conta.
 
Sugerido por Cláudio José
 
Do Uol Educação
O dia seis de junho de 2014 é uma data muito importante para Cícero Pereira Batista, 33. É data da sua formatura, quando ele fez o "Juramento de Hipócrates" e jurou fidelidade à medicina. O diploma na tão sonhada carreira foi um investimento de quase oito anos da vida do ex-catador.
Natural de Taguatinga, cidade satélite a 22,8 km de Brasília, Cícero nasceu em família pobre e precisou de muita perseverança para alcançar a formação em uma das carreiras mais concorridas nos vestibulares. Ele só começou a fazer a graduação aos 26 anos.
"Minha família era muito pobre. Já passei fome e pegava comida e livros do lixo. Para ganhar algum dinheiro eu vigiava carro, vendia latinha. Foi tudo muito difícil pra mim, mas chegar até aqui é uma sensação incrível de alívio. Eu conseguir superar todas as minhas dificuldades. A sensação é de que posso tudo! A educação mudou minha vida, me tirou da miséria extrema", conta Cícero.
O histórico familiar de Cícero é complicado: órfão de pai desde os três anos e com mãe alcoólatra, o médico tinha dez irmãos. Dois dos irmãos foram assassinados.
Quando tinha 5 anos, o menino pegava o que podia ser útil no lixo. Inclusive livros, apesar de não saber ler. Com o tempo, conta o ex-catador, eles foram servindo de inspiração. Ficava mais feliz quando encontrava títulos de biologia, ciências. Certa vez encontrou alguns volumes da Enciclopédia Barsa e "descobriu Pedro Álvares Cabral, a literatura, a geografia".
Cícero é o único da família que concluiu o ensino médio e a graduação. Para ele, a educação era a única saída: "Diante da minha situação social eu não tinha escolha. Era estudar ou estudar para conseguir sair da miséria extrema". Ele terminou o ensino fundamental na escola pública em 1997 -- na época as séries iam do 1º ao 8º ano. Entre 1998 e 2001, fez o ensino médio integrado com curso técnico em enfermagem.
Ajuda dos professores e colegas
"Quando eu fazia o ensino médio técnico eu morava em Taguatinga e estudava na Ceilândia. Não tinha dinheiro para o transporte e nem para a comida. Andava uns 20 km, 30 km a pé. Muitas vezes eu desmaiava de fome na sala de aula", explica.
Ao perceber as dificuldades do rapaz, professores e colegas começaram a organizar doações para Cícero de dinheiro, vale-transporte e mesmo comida. "Eu era orgulhoso e nem sempre queria aceitar, mas, devido à situação, não tinha jeito. Eu tinha muita vergonha, mas nunca deixei de estudar", conta.
Na época da faculdade, Cícero também recebeu abrigo de um amigo quando passou em medicina numa instituição particular em 2006 em Araguari (MG), a 391 km de Brasília. "Frequentava as aulas durante a semana em Minas e aos finais de semana vinha para Brasília para trabalhar. Era bem corrido", diz. Ele conseguiu segurar as contas por um ano e meio. "Eu ganhava cerca de RS 1.300 e pagava RS 1.400 [de mensalidade]. Até cheguei a pedir o Fies [Fundo de Financiamento Estudantil] por seis meses, mas no fim as contas foram apertando ainda mais e parei".
Ao voltar para Brasília decidiu fazer Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para conseguir uma bolsa do Prouni (Programa Universidade para Todos). Estudou por conta própria, fez a prova no final de 2007 e conseguiu uma bolsa integral em uma universidade particular de Paracatu (MG), a 237,7 km de Brasília. Foram mais seis meses -- e Cicero voltou a Brasília mais uma vez.
No ano seguinte, fez o Enem mais uma vez. Ele queria estudar mais perto de casa por causa do trabalho -- ele era técnico de enfermagem concursado -- e da família. Com sua nova nota do Enem, ele conseguiu uma vaga com bolsa integral na Faciplac (Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central), na unidade localizada na cidade satélite Gama, 34,6 km de Brasília.
"Tive que começar tudo zero novamente. Tive vontade de desistir na época. Poxa, já tinha feito um total de dois anos do curso de medicina, mas não consegui reaproveitar nenhuma matéria. Mas no fim deu certo", conta o médico que enfrentou os anos da faculdade também com a ajuda dos livros do projeto Açougue Cultural, uma iniciativa que empresta livros gratuitamente nas paradas de ônibus de Brasília.
Atualmente, Cícero é diretor clínico de um hospital municipal e trabalha em outros dois. O momento para ele agora é o de "capitalizar" [ganhar dinheiro] para melhorar de vida e ajudar a família. Cursar um doutorado fora do Brasil também está entre seus planos.
"Não há desculpa para não seguir os sonhos. É preciso focar naquilo que se quer. Não é uma questão de inteligência e sim de persistência. A educação mudou a minha vida e pode mudar a de qualquer pessoa", conclui.
Do site do Luis Nassif

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Uma carta ao sr. Fernando Haddad

Prezado Sr. Fernando Haddad,
Lendo as notícias da semana a respeito do altíssimo índice de rejeição a sua gestão (que atingiu a casa dos 47%) eu me senti impelido, quase obrigado mesmo, a escrever essa carta aberta que estou publicando em meu blog.
Antes de qualquer coisa, vamos jogar limpo (diferente dos ditos ‘veículos imparciais de mídia’ que operam em nosso país): Minha inclinação política tende à esquerda, mas eu não sou petista. Aliás, acho que nunca serei “ista” para partido algum. Tenho procurado cada vez mais olhar para o candidato em vez de para o partido, renegando aquela noção de que “nenhum político presta”. Dito isso, uma confissão: Sou seu fã.
Votei em você sem saber quase nada a seu respeito, admito, simplesmente porque não queria de jeito nenhum ver José Serra prefeito de minha cidade. Mesmo assim, marchei nas ruas contra o aumento da passagem de ônibus, admito novamente, e durante esse período assumo ter ficado com raiva de você. Claro que eu fui injusto, aquele ajuste devia estar programado faz muito tempo (e você tinha acabado de chegar), mas você sabe como essas coisas são…
Minha primeira surpresa positiva veio logo depois: A polícia do Alckmin não parou de dar porrada, a tal reforma política anunciada pela Dilma em rede nacional acabou não acontecendo, mas as passagens abaixaram.
Desde então comecei a prestar mais atenção em sua gestão, e comecei a perceber que pela primeira vez desde que eu me lembro por gente, temos em São Paulo um prefeito que trabalha. E minha cidade começou a mudar: Artistas de rua – antes considerados marginais – ganharam seu espaço, os incríveis e criativos Food Trucks (que toda cidade grande do mundo possui e São Paulo proibia) foram autorizados e regulamentados, as ciclofaixas ganharam seu espaço e algumas delas foram promovidas a ciclovias, ganhamos várias praças com internet livre.
A sensação é que o paulistano começou, com sua ajuda, a recuperar a cidade, por anos seqüestrada por especuladores imobiliários e construtoras. Nossa querida São Paulo, que prometia virar um aglomerado asséptico de imensas avenidas conectando ultra-condomínios fechados a shopping centers, deu uma guinada para outra direção. Uma direção mais humana, e muito mais interessante e democrática.
Muitas das medidas – como a ampliação das faixas de ônibus e a clara prioridade que você tem dado ao transporte público – foram incrivelmente impopulares para certa camada da população. Taxistas furiosos pela proibição de trafegar pelas faixas (o que convenhamos, não fazia nenhum sentido) se juntaram aos descontentes. Suspeito que você sempre soube que seria assim, o que justificaria o lema de sua gestão: “Prefeitura de São Paulo: Fazendo o que precisa ser feito”.
Em uma democracia onde o povo escolhe seu candidato em turnos alternados de quatro anos, virou quase um clichê termos administrações focadas em resultados de curto prazo, concentrados em medidas que garantam a reeleição do prefeito para um segundo mandato. As pessoas se acostumaram com esse clichê, e determinam seus votos em função dele. O eleitor médio simplesmente não compreende o conceito de medida de médio-longo prazo, pois esse conceito nunca foi aplicado por aqui.
Respeito você como político e como profissional. Você aceitou a idéia de ser rejeitado, de ser repudiado, porque sentiu que estava fazendo o que precisava. Conquistou grandes inimigos ao aprovar o Plano Diretor Estratégico para a cidade na semana passada (as grandes construtoras e os grandes especuladores não vão deixar barato), mas fez isso mesmo assim, pois sem ele nossa cidade caminhava em direção a um colapso de mobilidade urbana, socioambiental e econômico. Qualquer pessoa com meio neurônio que tiver paciência de ler o PDE não terá alternativa senão concluir que ele vai ser positivo para a cidade.
Suspeito que muita gente que diz não gostar de você não sabe bem porque tem essa opinião. Vai praguejar alguma coisa contra o PT, papagaiada de uma VEJA da vida, ou então criticar as faixas de ônibus e como o transito piorou por causa delas (como se fosse possível reverter décadas de negligência ao transporte público em alguns meses).
A essas pessoas, gostaria de recomendar uma rápida pesquisa sobre as ações da prefeitura somente na ULTIMA SEMANA, conforme listado nas  “referências” no final do meu texto. As ações, reunidas em postagem da Carol Almeida (link do facebook abaixo), incluem a instituição de uma política municipal de segurança alimentar, a transformação da Chácara Jockey (169 mil m² no Butatã) em um grande parque municipal, parceria para a reabertura do cinema Belas Artes, a construção de uma usina de triagem de material reciclado, a instalação de contadores de passageiros de ônibus (para aumentar ou reduzir a frota conforme horários e rotas) e a aquisição de áreas para a construção de mais um Sesc (o Sesc Mercadão), entre outras coisas.
Sobre essa lista, e todas as outras medidas citadas em minha carta até agora, só posso dizer uma coisa: Obrigado. O seu índice de rejeição de 47% pra mim é um sintoma de como nossa cidade está doente, e como seus cidadãos estão alienados à própria realidade.
Não sou petista, também não sou “haddadista”. Mas continuarei votando em você, enquanto continuar governando para o futuro, e não em função de uma reeleição. Realmente espero que outros candidatos por aí, de outros partidos, sigam seu exemplo, e que as pessoas comecem a acordar pra vida e comecem a votar nos candidatos por causa de seus planos de governo, não porque uma certa revista mandou, ou porque demoraram 10 minutos a mais pra chegar em casa por causa de uma faixa de ônibus.
Acho que até 2016 ainda tem muito chão, e você vai conseguir fazer muita coisa positiva para a cidade. Espero que isso motive os futuros candidatos a fazer o mesmo, e espero que dê tempo de parte da população acordar e mudar de opinião, pois realmente gostaria de ver o que você faria com São Paulo em um segundo mandato.
Só te peço uma coisa: Não mude seu modus operandi. Não interrompa as medidas de médio e longo prazo por serem impopulares hoje. Não deixe de fazer o que precisa ser feito porque uma pesquisa assustadora foi publicada. Temos toda uma geração de eleitores vindo por aí, com um engajamento e uma cultura política que as gerações anteriores (filhas da ditadura) simplesmente não podem compreender. Faça uma gestão para essas pessoas…
E se em 2016 essa conscientização não tiver sido o bastante, e algum engravatado cheio de promessas vazias e nenhum plano de governo se sentar em sua cadeira, você poderá pelo menos dizer que você fez o melhor que pode. E que produziu mudanças significativas das quais todo paulistano poderá colher os frutos, mesmo tendo achado na época que não o faria.
Isso já é mais do que qualquer prefeito que tivemos em um passado recente jamais poderá dizer.
Obrigado e abraços,

Alguém ai fora.

REFERENCIAS: 

sábado, 19 de julho de 2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Haddad fala sobre o plano diretor de SP

O Plano Diretor e o novo desenho para São Paulo

Jornal GGN - Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo, defende o Plano Diretor Estratégico da cidade, em artigo publicado hoje na Folha de São Paulo. Classificado pelo prefeito como o "mais ousado e inovador" da história da cidade, o PDE estabelece diretrizes para o desenvolvimento da capital paulista pelos próximos 16 anos.
O Plano pretende priorizar o transporte público, as bicicletas e os pedestres, colocando uma largura mínima nas calçadas dos novos empreendimentos. Também prevê o adensamento de regiões próximos a eixos de transporte público, e demarca novas Zonas de Interesse Social (Zeis), destinadas à moradia popular.
Da Folha
 
Fernando Haddad
 
O mercado imobiliário, que sempre elegeu o bairro da vez, é chamado a participar de um processo em que a vez é da cidade
 
São Paulo aprovou o mais ousado e inovador Plano Diretor Estratégico (PDE) de sua história. Pelos próximos 16 anos, conviveremos com diretrizes urbanísticas que reorientam o desenvolvimento da cidade na direção do equilíbrio socioambiental e econômico.
 
Desde o Renascimento, as cidades ocidentais bem-sucedidas se organizam pelo alargamento da sua dimensão pública. O encontro das pessoas para a produção de mercadorias e serviços, de cultura ou de ciência, essência da vida urbana, depende disso. Na contramão, desde Prestes Maia, a cidade de São Paulo vem sendo privatizada, ou seja, negada enquanto cidade.
 
A começar por sua superfície. O solo de São Paulo é privado. As ruas pertencem aos carros. As calçadas são adaptadas para que automóveis tenham acesso às garagens. Os térreos dos prédios são vestíbulos desérticos que separam os moradores das ruas ameaçadoras.
 
A terra nua não dá lugar a parques ou equipamentos públicos, mas é tratada como estoque especulativo de riqueza.
 
Tudo muda com o PDE. O solo é tornado público. As ruas dão lugar ao transporte público e às bikes por meio de faixas exclusivas e ciclovias. As calçadas terão largura mínima nos novos empreendimentos para atender aos pedestres. Os térreos ganharão vida com a ativação das fachadas e comércio de rua.
 
O subsolo muda com a inversão de prioridades: em vez de número mínimo de vagas de garagens, o PDE impõe número máximo.
 
O "sobressolo" ou solo criado é integralmente municipalizado. Os proprietários fundiários terão direito a construir o equivalente a apenas uma vez a área do terreno.
 
Para atingir o potencial construtivo máximo de duas vezes no miolo dos bairros (que são preservados), ou quatro vezes nos eixos de transporte público (que são adensados), os empreendedores terão de adquirir esse potencial adicional mediante o pagamento de outorga à municipalidade. Com isso, a especulação imobiliária perde sentido, e a cidade se apropria da chamada mais-valia fundiária.
 
A outorga paga compõe um fundo de desenvolvimento urbano. De seus recursos, 30% serão destinados à moradia popular e outros 30% ao transporte público, mediante ampliação da capacidade de suporte.
 
A área destinada à produção de moradia popular é duplicada, com a demarcação de novas Zonas de Interesse Social (Zeis), e são definidos alinhamentos viários que garantam recuos destinados ao transporte público, ciclovias e calçadas largas.
 
Como o adensamento é induzido a deixar o miolo dos bairros para os eixos estruturantes, as avenidas radiais ganham nova função. Passam a ser vetores de deslocamento do desenvolvimento no sentido centro-bairro(s). A geração de empregos e oportunidades econômicas assumirão uma distribuição mais linear e centrífuga, rompendo os muros que separam centro e periferia. Avenidas perimetrais como Jacu-Pêssego e Cupecê ganharão importância.
 
O mercado imobiliário, que sempre elegeu o bairro da vez, com as consequências conhecidas, é chamado a participar de um processo em que a vez é da cidade. A visão de empreendimento privado como enclave dará lugar à produção de vida urbana com equilíbrio econômico e socioambiental.
 
Por fim e não menos importante: os rios. O PDE se reapropria das margens dos rios e define o conjunto de arcos que dará lugar a uma nova São Paulo: os arcos Tiête, Pinheiros, Jurubatuba e Tamanduateí.
 
É no Arco do Futuro que ocorrerá a maior transformação de São Paulo. Delineá-la é a próxima tarefa. As diretrizes estão dadas.
 
FERNANDO HADDAD, 51, advogado, mestre em economia, doutor em filosofia e professor licenciado da USP, é prefeito de São Paulo pelo PT. Foi ministro da Educação (governos Lula e Dilma Rousseff)
Do site do Luis Nassif

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A carta a uma seleção derrotada

RUTH MANUS
Retratos e relatos do cotidiano de uma jovem como tantas outras
Meninos,
(sim, meninos, porque quando uma seleção é eliminada na Copa do Mundo, não há mais homens no gramado. Há meninos. Com olhos vazios, sem rumo e sem qualquer indício de vergonha ou de pudor.)
Escrevo só para agradecer.
Agradecer porque vocês nos fizeram sentir o que há muito tempo não sentíamos.
O nervosismo. A voz embargada. Tensão. Alegria. Nó na garganta. Dor de garganta. Explosão. Tristeza. Desilusão. Um turbilhão de sentimentos condensados em 4 semanas.
Agradeço porque vocês conseguiram mexer com muitas emoções que andavam paradas. Bandeiras na janela por amor a um país (e não apenas a uma seleção), acima de qualquer outra questão.
Porque vocês fizeram mais do que colocar corações para bater mais forte. Vocês colocaram corações absolutamente brasileiros para bater.
Agradeço porque a cada jogo que passava, me sentia mais parecida com os desconhecidos na rua. Mais próxima do meu país, da minha gente.
Agradeço porque o desfecho traumático não anula a alegria vivida.
E por saber que vocês vão ter que encarar aqueles brasileiros de momento, que até ontem tinham orgulho e hoje já acham que “isso é Brasil”.
Mas não se preocupem, para nós também é difícil suportá-los. Tamo junto.
E o fato é que a tristeza é geral: do campo, do banco de reservas, da arquibancada, do sofá da sala, do banco do bar, da sarjeta.
Mas, por favor, entendam, nós não estamos tristes com vocês, estamos tristes JUNTO com vocês.
E tanto é assim que posso garantir que milhares de brasileiros queriam poder dar em vocês hoje o abraço que o David Luiz deu no James depois da eliminação da Colômbia.
Obrigada, meninos.
Obrigada por me lembrarem que eu nunca quis ser europeia. Alemã, holandesa, francesa, belga… Nem que me dessem um belo par de olhos claros.
Que o que eu quero sempre é minha camisa amarela, minhas emoções escancaradas, quero o choro embriagado de hoje, esquizofrenicamente orgulhoso de ser quem somos até quando estamos apanhando como apanhamos.
Abracem seus pais. Seus filhos. Suas mulheres. Seus amigos.
Façam isso por nós, que queríamos abraçá-los talvez até mais do que iríamos querer se ganhássemos a Copa.
E continuem sendo assim, brasileiros, acima de tudo.
No cabelo enrolado, nas danças no vestiário, nos abraços verdadeiros, nos choros sofridos, na oração sincera e na certeza de que, bem ou mal, a gente segue em frente.
7 a 1? Dane-se.
Vocês me representam. E não é pela bola que jogam, é pelos caras que são.

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08.07.2014 | 19:41 VARIEDADES

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O Alarmismo tem fim.


​Criam o alarmismo
para tirar proveito político 

Do site Conversa Afiada

Publicado em 07/07/2014

“O Brasil vai se tornar uma economia de petróleo”. (Por isso é preciso destruir a Petrobras ! – PHA)
O Conversa Afiada reproduz trechos de importante entrevista de Fernando Nogueira Costa, Doutor em Ciência Econômica e professor da Unicamp, a Ana Paula Grabois, na edição dessa segunda feira (7) do Brasil Econômico:

“Crescimento de 2% do PIB é padrão normal”, diz Fernando Nogueira Costa



Já em 2018, no máximo em 2020, a Petrobras já produzirá 4 milhões de barris/dia. Com os outros produtores, chegará a 5,2 milhões de barris/dia. O Brasil vai caminhar nesse investimento desde agora, na próxima década e na década dos anos 30 deste século, e se tornará o sexto maior produtor de petróleo do mundo. Qualquer pessoa que tomar decisão econômica, seja pessoa física ou jurídica, tem que olhar o longo prazo. Não pode ficar olhando a campanha eleitoral, o curto prazo, que não vai tomar decisões para a frente. Esse é um período em que o mercado enxerga com miopia, vê de perto, mas não vê longe. O mercado precifica mal as ações da Petrobras. Para os assalariados, que não são especuladores profissionais, está na hora de comprar essas ações para ter resultado na próxima década, quando terminar o ciclo de vida profissional. Outro investimento fundamental a maturar em 2018, em 2020, é Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo, que dará conforto ao crescimento sustentado sem carência de energia. E tem as concessões em curso na logística. Foi muito importante a Copa para ter um pacote de abrangência nacional, como a reforma dos aeroportos. Foi uma oportunidade histórica muita mal compreendida por quem tem visão de curto prazo e politiza excessivamente a economia. Nem politiza, partidariza no mal sentido. Criaram um alarmismo para tirar proveito político.


A Copa deu gás às obras de infraestrutura?
Não tenho a menor dúvida. Reformar e construir estádios em escala nacional dá um sentido de unidade. O Maracanã não tinha uma reforma como essa há 60 anos. O Mineirão também não tinha há muito tempo. No fim de semana, você ficava vendo futebol, o maior evento brasileiro, e admirando os outros países. O custo é relativamente muito baixo, ao contrário do alarmado. O BNDES financiou R$ 3,5 bilhões. Em termos relativos, é muito pouco face ao benefício. E o BNDES financiou R$ 8,5 bilhões em mobilidade urbana. É positivo para sinalizar uma nova fase, existe uma visão de estadista da presidenta Dilma. O resultado não será no mandato dela, será a partir de 2018.

O sr. fala dos resultados desses investimentos?
Sim, são decisões de longo prazo. Os economistas brasileiros e os homens de negócios ficaram muito acostumados com essa visão de conjuntura. Em termos históricos, é um alarmismo falso porque se você observar com isenção, a taxa de inflação está sob controle. Nos últimos quatro anos, ficou dentro da meta e totalmente sob controle. E aí se faz um carnaval político em torno disso.

(…)​



O pessimismo, que o sr. diz ter fundo eleitoral, contaminou os empresários?
Sim, contaminou. As pessoas não têm coragem de falar. Um aspecto extremamente importante do livro do Thomas Piketty (“O capital no século 21”) é que ele mostra, em série históricas, que os países capitalistas maduros crescem muito pouco. O crescimento no mundo, historicamente, é muito baixo. Ter um crescimento do PIB de 2% ao ano é o padrão normal. Só que é desonestidade intelectual, em muitos casos, comparar com China ou Índia.


Qual seria o nosso parâmetro de comparação?
Estamos muito mais próximos de capitalismos maduros, Europa e Estados Unidos, do que dos países emergentes. O Brasil já passou desse patamar da indústria nascente. O Brasil foi o país que, até 1980, mais cresceu no século 20. Pela taxa média, foi mais de 10% ao ano. Desde então, foram duas décadas perdidas. Depois, teve algum período de taxas maiores após de anos de recessão. Foi a 7,5% em 2010, mas houve uma recessão em 2009. Em 2004, estava tendendo a 6% e o Banco Central freou e acabou crescendo 5,71%. Em 2003, tinha ocorrido a freada para arrumação e foi de 1,5%. O crescimento da renda per capita no mundo foi menor que 2% ao ano, segundo o Piketty. Isso com concentração da riqueza. Ele diz que a renda do capital cresce muito mais do que a renda das pessoas, cerca de seis ou sete vezes mais. Porque o crescimento da renda do trabalho é muito baixo.


O sr. acha que essa é uma questão esquecida na discussão econômica?
O debate no Brasil está há vários anos extremamente pobre porque essa coisa do tripé é uma bobagem. Qualquer manual de macroeconomia fala que há quatro instrumentos de política econômica. Então, qualquer política econômica de qualquer ideologia vai usar os quatro: política monetária, política cambial, política fiscal e controle de capital. Não tem mais o que fazer. Se você reduzir o debate a isso, ter que subir mais um pouco os juros ou ter que baixar mais o câmbio, é de uma pobreza intelectual tremenda e que perde essa perspectiva histórica, que é estratégica.


O crescimento baixo de hoje não tem nada de anormal?
É um padrão de crescimento que vai se sustentar no longo prazo. Não voltaremos a ter as taxas dos anos 50, ou do milagre econômico. Se forçar a economia a ir nesse ritmo de maior crescimento, de 5%, 7% ao ano, provavelmente vai ter inflação. E aí vai frear. A opção, adotada nos outros países, é manter a economia estabilizada, sem inflação, com taxa de desemprego baixo. Por que crescer muito? Qual é a lógica de demanda, de crescimento, de rendas altas? Geralmente é porque se quer taxa de desemprego baixa.

E já estamos com essa taxa baixa.
As mudanças estruturais, que o país está construindo com efeitos extremamente benéficos para a qualidade de vida, vão se consolidar na próxima década. E se faz esse alarmismo de curto prazo — se faz agora e vão fazer em 2018. Em toda época eleitoral, se faz um alarmismo ilusório.

Quais mudanças estruturais?
A diversificação setorial. Com a industrialização anterior, no pós-guerra, o Brasil se tornou uma economia altamente diversificada entre os países emergentes, com uma estrutura muito mais sofisticada do que a grande maioria desses países. E o Brasil está caminhando para se tornar um capitalismo maduro. A grande mudança estrutural que vai pegar na próxima década e nas seguintes é que o Brasil vai se tornar uma economia de petróleo. Um produtor e exportador de petróleo. Bem administrado, isso tende a resolver os problemas de balanço de pagamentos. Com a legislação já aprovada, vai se criar um fundo social com a riqueza soberana, com base nesse petróleo, e vai se dar uma oportunidade de melhorar a qualidade da educação e da saúde, não é só a quantidade. A quantidade, já estamos enfrentando. Isso tudo não se resolve em um governo, mas terá condição de se resolver a longo prazo. E com a continuidade dos programas de financiamento, o déficit habitacional deve acabar até 2030.

(…)



O mercado reage negativamente à reeleição de Dilma. (Clique aqui para ler “Dias: a burguesia é contra a Dilma ? ” – PHA) Há algo que constitua um risco em um eventual segundo mandato?
Isso é pura ideologia. Conheço os meus colegas, a minha corporação. Também convivi com banqueiros durante quatro anos e meio na Febraban. Os economistas-chefe são os bobos da corte, são mais realistas que o próprio rei, eles vendem muito mais ideologia do que o silêncio, eles são os mais ideólogos. E chega nessa época, eles ficam fomentando o alarmismo. É uma coisa puramente ideológica porque eles protegem a escola deles. Eles querem derrubar a Dilma porque a Dilma não é da escola deles. Fui professor da Dilma no Doutorado da Unicamp. Claramente, eles estão derrubando uma escola de pensamento. O problema é que não é só ideologia. Os empregadores e a mídia ficam muito impressionados com as opiniões deles e passa a ser uma profecia que se autorrealiza. Isso é o mais grave: tomar decisões equivocadas baseadas em ideologia.