sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sobre o Bolsa familia

Conheça os 11 mitos do programa Bolsa Família e ajude a desconstruí-los

Publicado em: 31 de outubro de 2014

Maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família garante a permanência de crianças e adolescentes na escola, reduz a desnutrição e a mortalidade infantil, faz girar a roda da economia (para cada R$ 1 investido no Bolsa Família, o PIB cresce R$ 1,78) e abre inúmeras portas de oportunidades: 1,5 milhão de beneficiários matricularam-se em cursos de qualificação profissional do Pronatec e 1,7 milhão de famílias abriram voluntariamente mão do benefício, porque conseguiram melhorar de vida.

Mas a desinformação — proposital ou não — sobre o programa leva muita gente a acreditar que se trata de uma “Bolsa Preguiça” que sustenta pessoas que não trabalham. Duplo engano. O valor médio do benefício, de R$ 170,10 por família, é suficiente apenas para garantir a segurança alimentar e uma vida mais digna. Além diso, 75% dos beneficiários adultos do Bolsa Família estão no mercado. O problema é que, como no tempo deles não havia nenhum apoio do Estado, foram obrigados a abandonar os estudos quando crianças e hoje exercem atividades precárias, recebendo menos que o necessário para viver com dignidade.

Visite a página brasildamudanca.com.br/bolsafamilia/mitos para desfazer os principais mitos que cercam o Bolsa Família, elogiado pela ONU e replicado em várias partes do planeta — inclusive Nova York – mas ainda hoje vitima da desinformação e do preconceito.
Abaixo as questões que estão no link do site acima

11 - O Bolsa Família transformou o Nordeste em curral eleitoral

Por que não é verdade

Uma das inovações do Bolsa Família foi justamente eliminar o coronelismo. O beneficiário é titular de um cartão e não deve favores a ninguém. Vota em quem quiser. Pouca gente sabe, mas São Paulo é o vice-campeão nacional do Bolsa Família, com mais famílias beneficiadas do que todos os estados nordestinos, à exceção da Bahia.
Os governos do PT são tão bem avaliados pelos nordestinos porque o Nordeste, esquecido pelos governos anteriores, passou por uma verdadeira revolução nos últimos 12 anos. A região cresceu o triplo da média nacional. Foi também no Nordeste que a renda do brasileiro mais cresceu. Mais de 4 milhões de empregos foram gerados.
Hoje, 42% da população nordestina está na classe média, um crescimento de 20 pontos em apenas uma década. A infraestrutura turística cresceu como nunca; a matriz industrial se diversificou, com destaque para as indústrias naval e petroquímica; grandes obras estão mudando a paisagem e a história da região, como a integração do rio São Francisco, a ferrovia Transnordestina, o Eixão e o Cinturão das Águas, a refinaria Abreu e Lima, entre tantas outras.
Lula e Dilma reduziram como nunca as desigualdades sociais e regionais. O Brasil deixou de ser um país governado apenas para um terço da população e passou a ser um país de todos.
1- O Bolsa Família estimula a vagabundagem
Por que não é verdade
Sete em cada dez beneficiários adultos do programa estão no mercado de trabalho – procurando emprego ou exercendo atividades precárias, com rendimentos insuficientes para manter suas famílias. Além disso, 1,5 milhão de beneficiários matricularam-se em cursos de qualificação profissional do Pronatec, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, em busca de uma profissão e de uma vida melhor.
Sim, o Bolsa Família ajuda o cidadão a pescar!

2 – O governo não exige filhos na escola para receber Bolsa Família

Por que não é verdade

O governo federal monitora a frequência escolar de 17 milhões de estudantes. Para que a família tenha direito ao benefício, os filhos entre 6 e 15 anos precisam estar matriculados e frequentar, no mínimo, 85% das aulas. Já os estudantes entre 16 e 17 anos devem ter frequência de, no mínimo, 75%. O programa teve impacto altamente positivo no aumento do índice de aprovação e na redução da taxa de evasão escolar.
Sem contar que muitos filhos do Bolsa Família, livres da necessidade de abandonar os estudos para ajudar no sustento de suas famílias, já chegaram ao ensino superior.
Além das exigência educacionais, existem também as condicionalidades na área da saúde: crianças com até 7 anos devem manter as vacinações atualizadas e terem seu crescimento acompanhado, gestantes e nutrizes devem realizar consultas pré e pós-natal etc.

3- Não há porta de saída para o Bolsa Família

Por que não é verdade

O Bolsa de Família está integrado ao plano Brasil Sem Miséria, que oferece inúmeras oportunidades (ou “portas de saída”) de inclusão produtiva rural e urbana. Por exemplo: cursos de qualificação profissional do Pronatec, construção de cisternas (não só para consumo humano, mas também para produção), Luz para Todos (que abre caminho para várias ações de empreendedorismo), programa de assistência técnica e extensão rural, programas de compra direta de alimentos produzidos por agricultores familiares etc.
Isso tudo além de acesso a serviços nas áreas de educação (creches e escolas em tempo integral, por exemplo), saúde (Rede Cegonha, Brasil Sorridente, Saúde da Família etc), assistência social e segurança alimentar.
Neste ano, como já dissemos, o Brasil atingiu a marca de 1,5 milhão de beneficiários do Bolsa Família inscritos em cursos do Pronatec (dentro de um universo total de 8 milhões de matrículas). São pessoas de baixa renda e escolaridade, antes sem futuro, que estão conquistando novas profissões e melhores salários.
Dos 4,5 milhões de brasileiros e brasileiras que abriram ou formalizaram seus pequenos negócios, aderindo ao Programa Microempreendedor Individual (MEI), 10% são beneficiários do Bolsa Família; nas regiões Norte e Nordeste, o percentual ultrapassa os 35%.
Ou seja, a transferência de renda do Bolsa Família proporciona um alívio imediato da pobreza, mas o objetivo do programa é que os beneficiários consigam superar em definitivo a condição de vulnerabilidade em que se encontram.
O Bolsa Família é, portanto, uma grande porta de entrada – para a cidadania e para uma vida melhor.

4-   Conheço uma mulher que recebe 3 mil reais do Bolsa Família

Por que não é verdade

O Bolsa Família é um programa de superação da pobreza, e o complemento de renda recebido é o suficiente apenas para garantir às famílias uma vida mais digna. Cada família recebe, em média, R$ 170,10 (são 14 milhões de famílias atendidas). Seis em cada dez famílias recebem ainda menos do que esse valor e apenas uma em cada 10 recebe mais de R$ 300. Apenas em casos raros, — menos de 1% do total — esse valor passa de 500 reais. Em todo país, cerca de 8400 famílias, ou 0,06% do total, recebe mais do que um salário mínimo. Essas são famílias em situação especialmente vulnerável, nas quais os pais cuidam de uma família numerosa que muitas vezes inclui sobrinhos ou até netos.
5-        5- Ninguém quer largar o osso e abrir mão dessa esmola
Por que não é verdade
Primeiro: não se trata de esmola, é um direito. E segundo: nada menos que 1,7 milhão de famílias (12% do total de beneficiários) já abriu mão voluntariamente do benefício, pois conseguiram melhorar de vida.

6-  O Bolsa Família está quebrando o Brasil

Por que não é verdade

É justamente o contrário. Além de ser um programa barato, que corresponde a cerca de 0,5% do PIB, o dinheiro do Bolsa Família irriga a economia na base, estimula a atividade econômica e a arrecadação de impostos. Na ponta do lápis, um excelente negócio: Para cada R$ 1,00 investido no programa, o PIB cresce R$ 1,78.

7-  Só no Brasil do PT tem essa esmola estatal

Por que não é verdade

Mais de 40 países têm programas semelhantes. Inclusive os Estados Unidos: o Bolsa Família inspirou um programa similar em Nova York, que foi classificado como “inovador” e “bem-sucedido” pelo então prefeito, Michael Bloomberg.

8- O PSDB criou o Bolsa Família com FHC

Por que não é verdade

Os programas sociais do governo tucano eram dispersos, não tinham um eixo estratégico, ebeneficiavam pouquíssima gente. Eram pouco mais que uma vitrine. Foi Lula, em 2003, quem unificou vários programas e multiplicou seu alcance e o volume de recursos, transformando-os em políticas públicas de verdade. O investimento cresceu sete vezes: de R$ 3 bi para R$ 25 bi. Hoje, graças ao Bolsa Família, 36 milhões de brasileiros e brasileiras estão fora da pobreza extrema.

9-  O Bolsa Família gera dependência

Por que não é verdade

O Bolsa Família é suficiente para garantir a sobrevivência. Combate a fome, reduz a mortalidade infantil, incentiva os estudos e melhora o rendimento escolar. Mas não dá vida boa a ninguém. Não há acomodação. Até porque, lembremos, o valor médio do benefício é de apenas R$ 170,10 – enquanto o salário mínimo chega a R$ 724,00. Palavras do diretor do Banco Mundial, o indiano Arup Banerji: “Estudos comprovam: depois de dez anos do Bolsa Família, não há dependência”.

10 - O Bolsa Família estimula os pobres a ter filhos

Por que não é verdade

Pelo contrário: é cada vez maior o número de beneficiárias que utilizam métodos anticoncepcionais. A taxa de fecundidade das brasileiras caiu 20% nos últimos anos, mas no grupo de mulheres mais pobres o recuo foi ainda maior: 30%. Sem depender financeiramente dos maridos, essas mulheres conquistaram autonomia não apenas para escolher o que comprar, mas também para decidir se querem ou não ter filhos. Estudos mostram que as condicionantes do programa estão estimulando a troca da quantidade por qualidade entre as beneficiárias – menos filhos, com mais futuro para cada um deles.
Além disso, o benefício para cada criança é de R$ 35 mensais. Alguém pensaria em ter um filho a mais para ter acesso a essa “fortuna”?

11 - O Bolsa Família transformou o Nordeste em curral eleitoral

Por que não é verdade

Uma das inovações do Bolsa Família foi justamente eliminar o coronelismo. O beneficiário é titular de um cartão e não deve favores a ninguém. Vota em quem quiser. Pouca gente sabe, mas São Paulo é o vice-campeão nacional do Bolsa Família, com mais famílias beneficiadas do que todos os estados nordestinos, à exceção da Bahia.
Os governos do PT são tão bem avaliados pelos nordestinos porque o Nordeste, esquecido pelos governos anteriores, passou por uma verdadeira revolução nos últimos 12 anos. A região cresceu o triplo da média nacional. Foi também no Nordeste que a renda do brasileiro mais cresceu. Mais de 4 milhões de empregos foram gerados.
Hoje, 42% da população nordestina está na classe média, um crescimento de 20 pontos em apenas uma década. A infraestrutura turística cresceu como nunca; a matriz industrial se diversificou, com destaque para as indústrias naval e petroquímica; grandes obras estão mudando a paisagem e a história da região, como a integração do rio São Francisco, a ferrovia Transnordestina, o Eixão e o Cinturão das Águas, a refinaria Abreu e Lima, entre tantas outras.
Lula e Dilma reduziram como nunca as desigualdades sociais e regionais. O Brasil deixou de ser um país governado apenas para um terço da população e passou a ser um país de todos.
Fonte: Site O Brasil da Mudança

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Declaração de voto

Extraído da seção comentários do Blog do LuisNassif

DECLARAÇÃO DE VOTO

Eu tive o privilégio de viver boa parte da minha juventude na Europa, graças ao cargo de diplomata do meu Pai. Deixamos o Brasil em 1961, depois de uma era de otimismo impulsionado por JK, que durante e depois do brilhante mandato foi tratado como um cão sarnento, que nem Lula e Dilma, hoje. Infelizmente, boa parte da classe média brasileira parece não suportar bem políticos com visão e compromisso com o País...
Pois bem, saindo orgulhoso do meu Brasil depois da epopéia desenvolvimentista, eu sempre fui humilhado na Europa por pertencer a um País repleto de miséria. Não havia igrejas, não havia escolas onde não houvesse um "projeto social" no Brasil, com uma foto de criança descalça, passando fome.
Tínhamos de engolir seca essa humilhação, pois correspondia a mais pura verdade! Como pode um país repleto de chão, de oportunidades, de riqueza, suportar tanto atraso humano, moral !
Que governo finalmente ia nos resgatar de tanta vergonha, de suportarmos ver coexistir a fome ao lado de riquíssimos bairros de Zona Sul, shoppings e condomínios? E de ver isso estampado em qualquer reportagem ou até mesmo guia turístico sobre o Brasil?
Esperei, lutei, esperei, lutei, esperei, lutei... Primeiro contra a ditadura; depois pelo aprofundamento da democracia; por projetos de qualidade no campo dos transportes...
Aguentei Sarney, Collor; despertei minhas esperanças com a vinda de FHC, o tão garboso intelectual da esquerda. Aguentei (e, dadas as circunstâncias, até compreendi) as desilusões com esse príncipe.
E, finalmente, receando golpes por parte de uma elite que não é capaz de ceder um milímetro de seus privilégios, veio o Lula. Ocorreram muitas coisas negativas que não preciso lembrar, eis que é conhecimento de todos; mas aconteceu o principal: o decidido combate contra a injustiça social, contra a pobreza, que fora sempre o flagelo moral da minha juventude! O regate moral desse nosso País diante o mundo, que reconheceu e aplaudiu nosso rumo! O fim da vergonha que me atormentou durante toda minha juventude!
Finalmente, pude voltar à Europa, por ocasião de dois estágios de pós-doutoramento (onde, mais uma vez, me dediquei buscar soluções que ajudassem ao desenvolvimento de meu País: PPP, em Paris; e Engenharia Territorial, em Berlim). Ali, só ouvi elogios, admiração, até, por nossa nação. Finalmente, podia me orgulhar, finalmente era respeitosamente acolhido, só por ser brasileiro.
Claro, certos modelos de política econômica já se esgotaram: por ordem cronológica, o socialismo ortodoxo (1989), o neo-liberalismo (2009) e o neo-keynesianismo (2014). Hoje, não é apenas o Brasil que busca freneticamente a porta de saída dos paradigmas dos Séculos XIX e XX, é o mundo todo! Ainda não se chegou a uma solução, mas que deverá aparecer brevemente (as discussões são muito vivas, a respeito!).
E temos duas candidaturas que falam de mudança, mas não são, por ser filhos desta nossa era de incertezas, capazes de definir claramente o novo a ser construído. Analisemos as duas:
a) Aécio: com todo o respeito que tenho pela obra de regate, necessário, mas doloroso e humilhante, da nossa instabilidade econômica e hiperinflacionária na era fernandina, essa candidatura tucana não aporta nada de mudança. E sim, a volta para os remédios da década de 90, aceitáveis naquela época de absoluta ditadura intelectual do pensamento único do neoliberalismo (que em parte até comunguei), mas totalmente falidos no mundo pós-Lehmann.
Fofocas eleitorais e maledicências nojentas à parte, para mim a grande falha dos tucanos não foi o que fizeram durante o seu período no Poder, e sim o que deixaram de fazer depois. Lembro que os protagonistas do PSDB tiveram um forte papel na redemocratização desse País, e seria de se esperar que, fora do Poder, pudessem reanalisar sua estratégia e desenvolver uma alternativa viável e não tão antissocial, para os rumos do nosso País.
Só que isso não aconteceu. A campanha de Aécio é vazia de propostas (não me venham com o longo texto de seu programa, até porque papel aguenta tudo). Isso ficou claro sobretudo nos debates. Promete, ao invés, um cavalo-de-pau deflacionista, que provocará grandes estragos na nossa economia, na nossa já tão combalida indústria.
As propostas no setor das políticas sociais e de educação nada têm de inovadoras. Só prometem continuar o que já ocorre, quando muito adornadas com palavras puramente marqueteiras (“re-estatização” da Petrobrás; transformação do Bolsa-Família em “política de Estado”, etc.). Mas, qual o avanço, já cobrado nas ruas, em 2013? A volta dos contratos de concessão na exploração do Petróleo irá beneficiar ou comprometer o uso dos recursos para a educação? Silêncio total! A redução dos bancos públicos irá beneficiar como, a economia, os tão cobrados investimentos na infraestrutura? Silêncio total. O que Aécio falou sobre as infraestruturas?
Vamos para Dilma: seu neo-keynesianismo demonstra claros sinais de esgotamento. Embora tenha deslanchado toda uma política de concessões e parcerias, nos falta ainda um planejamento territorial que faça despertar mais fortemente as economias regionais, sobretudo na periferia econômica. Em suma, as estratégias para a retomada do crescimento estão ainda muito tímidas. Problemas à vista!
Entretanto, volto ao sonho da minha juventude: o combate decidido contra a pobreza. A saída gloriosa, mas silenciada, do nosso País do mapa da fome!!! O forte investimento em habitação social, eletrificação rural, a ampliação radical ao ensino técnico e superior por diversos caminhos; o aumento decidido do poder aquisitivo, sobretudo no interior, viabilizando inclusive a economia e as finanças públicas dos municípios (como ouvi da própria boca de muitos prefeitos). E finalmente ver o povo colorido auto-confiante, fazendo planos para um futuro “diplomado”.
Que o Brasil precisa mudar, é óbvio. Mas em que direção? Como é que esses avanços históricos vão ser preservados, sobretudo por um candidato que não os menciona nos debates?
Assim, confirmo meu voto em Dilma, mas com um alerta: precisamos ser tremendamente criativos para buscar novos caminhos que não sejam a continuidade do presente ou a volta ao passado. Temos de adotar projetos propulsores concretos, não apenas de uma ou outra indústria, de infraestruturas, mas sobretudo que despertem de forma sistêmica os potenciais de todas as regiões, de todas as classes sociais.
E, claro, aprofundar mais a construção de uma nova sociedade, não apenas mais justa no quesito distributivo, mas, sobretudo, no empoderamento das famílias, das empresas e das agências públicas. Na capacidade de cada cidadão desenvolver e implementar projetos de vida, de empreendimentos, de carreiras; das empresas de conceber novos projetos de negócio e investimento; e do Poder Público, de políticas públicas que facilitem os projetos dos cidadãos e de suas organizações empresarias e não-empresariais.
E aí vai meu segundo alerta: terminou a era das políticas de gabinete, do piloto automático. Onde não são aceitas nem visitas dos representantes da sociedade. Ao invés, os novos rumos só virão à tona se houver um diálogo amplo com a sociedade, e um encorajamento para uma radical participação.
Isso implica também o fim da selvageria deplorável vista nos últimos dias. Segunda-feira, todos deverão enterrar o machado de guerra e voltar a construir o País. As divergências, que certamente haverá, devem ser expressas pelos caminhos e espaços da democracia, não cabendo questionamento aos mecanismos institucionalizados.
Eu tenho minhas razões para ter votado em Dilma. Compreendo as razões dos que optaram por Aécio. Mas não podemos nos dominar pelas paixões e adentrar sendas que sabemos onde elas vão parar.
Bom voto a todos!
recolher
Joaquim Aragão

domingo, 26 de outubro de 2014

Liberdade de imprensa x criminalidade

Liberdade de imprensa x Criminalidade jornalística, por Fábio de Oliveira Ribeiro


Passei alguns anos da minha vida observando a imprensa brasileira e reportando seus exageros, distorções, omissões e distopias no Observatório da Imprensa:
http://observatoriodaimprensa.com.br/authors/all_author/435/news
Mas ainda não tinha visto algo parecido com o que ocorreu nos últimos dias. Na reta final da campanha, por desespero de causa, a imprensa brasileira massacrou o PT e sua candidata. Sobre as acusações que pesam contra o PSDB e Aécio Neves nenhuma palavra, nenhuma indignação. A imprensa age como se quisesse comandar o Brasil ou, pior, como se fosse comandada pela oposição.
A imprensa no Brasil é livre. Mas não age com liberdade. Ela escolhe quem vai defender e quem pretende destruir. Os motivos que a levam a tomar partido, porém, ficam soterrados e raramente são discutidos. Nos últimos 12 anos o PT não casou nenhum dano econômico às empresas de comunicação. Nenhuma grande empresa do setor faliu, deixou de receber verbas federais de propaganda, de ter acesso aos créditos do BNDS, de imprimir livros do MEC, nem foi impedida de colocar em circulação o que bem entendiam. Mesmo assim, Dilma Rousseff foi tratada como se fosse uma criminosa qualquer. Qual foi o crime que ela cometeu?
Há apenas um crime que pode ser atribuído a Dilma Rousseff: mandar investigar toda e qualquer denuncia, independentemente dos envolvidos serem petistas, tucanos, doleiros, ministros, diretores de estatais, etc... Somente os jornalistas não foram investigados.
O que os donos de jornalistas temem? Ser investigados? A imprensa no Brasil tem um pé no crime organizado desde que os Ibrahim Abi-Ackel mandou apreender malotes da Rede Globo contendo cocaína e, na sequencia, foi massacrado pelo clã Marinho. Se a imprensa não é livre e age como ponta de lança do crime organizado (algo que ficou claro quando as relações entre o Cachoeira e seu "caneta" na Veja vieram a público), a CF/88 está sendo solapada.
O princípio da liberdade de imprensa foi colocado de ponta-cabeça. Ao invez de servir aos interesses da sociedade, serve apenas aos chefes de quadrilhas. Impossível deixar de ligar o PSDB à estas quadrilhas, pois o partido raramente é atacado pela imprensa. Na reta final da campanha não vi uma só manchete desfavorável a Aécio Neves. Até mesmo a falta de água em São Paulo vai sendo discretamente creditata na conta do governo federal.
Do jeito que as coisas estão, não podem ficar. Reeleita, Dilma tem que meter o dedo nesta ferida purulenta. As ligações entre as empresas de comunicação e a criminalidade dos potentes deve ser minuciosamente investigada pela PF. Isto é o mínimo que o Estado deve fazer para preservar a validade e eficácia de sua própria Constituição. Caso contrário, a inversão de valores se tornará a regra e passaremos a viver não num Estado de Direito e sim no maior Narco Estado Jornalístico jamais construído na história da humanidade.
 
Do site do LuisNassif

sábado, 25 de outubro de 2014

Quem é o mais corrupto no Brasil

Serve de baliza as pessoas que estão assim como eu revoltadas com a corrupção neste pais

PSDB É O PARTIDO COM MAIOR NÚMERO DE POLÍTICOS FICHA-SUJA DO BRASIL, APONTA JUSTIÇA ELEITORAL

Levantamento realizado em 26 estados brasileiros e divulgados pelo site Pragmatismo Político aponta os principais partidos que tiveram filiados barrados na Lei da Ficha Limpa pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Dos 317 políticos barrados na lei, o número deve aumentar pois na época do levantamento ainda haviam 16 casos a serem julgados, a maior parte é do PSDB.
ficha-suja
O partido dos tucanos lidera a contagem de políticos barrados na Lei da Ficha Limpa. Nada menos do que 56 membros do PSDB foram impedidos de disputar eleições por estarem em débito com a justiça. O segundo partido com mais fichas-sujas é o PMDB, com 49, na sequência aparecem o PP, com 30, o PR com 25 e o PSB com 23. O PTB possui 22 fichas-suja, o PSD possui 20, o PT 18, o DEM 16 e o PDT possui 13.
No que diz respeito aos estados, Minas Gerais lidera o ranking com 54 nomes, seguido de perto por São Paulo, com 53 nomes. Ceará com 36, Goiás com 34, Par[a com 22 e Rio Grande do Sul com 18 completam a lista dos principais estados com candidatos fichas-suja.
Todos os candidatos barrados pelos tribunais regionais podem recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A presidente do tribunal, Cármen Lúcia, já disse que não será possível julgar todos os casos antes das eleições, mas sim até o final do ano, antes da diplomação dos eleitos, assim, o nome de alguns pode aparecer na urna de votação em 2014.
Do site Brasilpoder

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Agua uma tragédia paulista

A tragédia paulista da falta de governo


São Paulo tornou-se um buraco negro institucional. Praticamente todos os vícios que os grupos de mídia apontam no governo federal vicejam em São Paulo com muito maior intensidade, devido à falta de vigilância tanto da mídia quanto dos demais poderes.
Por aqui consolidaram-se vícios de estados atrasados.
Por exemplo, no Ministério Público Estadual, o cargo de Procurador Geral do Estado é um trampolim para uma futura secretaria de governo. Apesar da existência de procuradores aguerridos, há uma evidente subordinação do PGE ao grupo político que controla o Estado.
No caso dos grupos de mídia, a ideia fixa em se apresentar como condutora da oposição bloqueou a fiscalização de todos os atos de governo.
***
É por isso que se chegou à iminência do maior crime já cometido contra a população de São Paulo, que será o racionamento desorganizado de água que se prenuncia.
A falta de água, especialmente em regiões menos assistidas, exporá a população a epidemias, aumento da mortalidade infantil. Se se chegar a esse ponto e as estatísticas apontarem essa letalidade, Alckmin, Mauro Arce, a Secretária Dilma Penna, o presidente da Sabesp estarão expostos a processos criminais, sim.
Quando foi depor na CPI da Assembleia Legislativa, Dilma Penna mostrou o desconforto com a situação, deixou claro que a irresponsabilidade vinha do governo do Estado, não dela. No dia seguinte, notas em jornais davam-na como demissionária por ter “perdido o comando”, sabe-se lá sobre o quê.
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Incúria ocorreu nos últimos anos, com o descaso da Sabesp em relação a um problema anunciado desde 2004. Mas nos últimos dois anos, a crise estava posta e a falta de ação enquadra-se em crime muito mais grave.
Por conta do período eleitoral, o médico Alckmin não cuidou de planejar um rodízio preventivo, responsável. Pensasse um pouco maior, aproveitaria o momento para ser o verdadeiro líder, que não foge do problema e comanda a reação contra o adversário: a falta de água. Em vez disso, fugiu da questão e de suas responsabilidades por mero oportunismo eleitoral.
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Nos últimos anos, São Paulo viveu a maior enchente da sua história. A razão foi a imprevidência do então governador José Serra, cortando verbas destinadas ao desassoreamento do Tietê. Essa razão básica foi sonegada dos paulistanos pela mídia.
Em nome da luta política maior, todos os demais problemas paulistanos foram varridos para baixo do tapete, o desmonte das universidades estaduais, dos institutos de pesquisa – Agronômico, Butantã -, das instituições de planejamento – Fundação Seade, Cepam, Emplasa -, do Museu do Ipiranga, do Instituto Butantã, da Fundação Padre Anchieta, o aparelhamento da estrutura cultural.
***
Além disso, o discurso viciado, preconceituoso e agressivo da mídia modelou o personagem médio mais execrável do cenário político brasileiro: o cidadão que tirou o preconceito do armário e invadiu as ruas armado da agressividade mais inaudita.
São Paulo não é isso.
Esse exército de zumbis floresce em uma sociedade organizada, com movimentos sociais de vulto, vida cultural dinâmica, uma parte da elite moderna, de ONGs que fazem trabalhos exemplares, algumas cabeças empresariais arejadas.
Esse circo de horrores foi modelado por uma mídia que perdeu qualquer noção de responsabilidade. 

Do site do Luis Nassif
 qua, 22/10/2014 - 06:00
Atualizado em 22/10/2014 - 06:00

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A crise de agua em São Paulo!


Este artigo de Gabriel Kogan foi publicado no site Cosmopista.

Gostaria de desmistificar alguns pontos sobre a crise hídrica em SP, assunto que tangencia minhas pesquisas acadêmicas.
1- “Não choveu e por isso está faltando água”. Essa conclusão é cientificamente problemática. Existem períodos chuvosos e de estiagem, descritos estatisticamente. É natural que isso ocorra. A base de dados de São Paulo possibilita análises precisas desde o século XIX e projeções anteriores a partir de cálculos matemáticos. Um sistema de abastecimento eficiente precisa ser projetado seguindo essas previsões (ex: estiagens que ocorram a cada cem anos).
2- “É por causa do aquecimento global”. Existem poucos estudos verdadeiramente confiáveis em São Paulo. De qualquer forma, o problema aqui parece ser de escala de grandeza. A não ser que estejamos realmente vivendo uma catástrofe global repentina (que não parece ser o caso esse ano), a mudança nos padrões de chuva não atingem porcentagens tão grandes capazes de secar vários reservatórios de um ano para o outro. Mais estudadas são as mudanças climáticas locais por causa de ocupação urbana desordenada. Isso é concreto e pode trazer mudanças radicais. Aqui o problema é outro: as represas do sistema Cantareira estão longe demais do núcleo urbano adensado de SP para sentir efeitos como de ilha de calor. A escala do território é muito maior.
3- “Não choveu nas represas”. Isso é uma simplificação grosseira. O volume do reservatório depende de vários fluxos, incluindo a chuva sobre o espelho d’água das represas. A chuva em regiões de cabeceira, por exemplo, pode recarregar o lençol freático e assim aumentar o volume de água dos rios. O processo é muito mais complexo.
4- “As próximas chuvas farão que o sistema volte ao normal”. Isso já é mais difícil de prever, mas tudo indica que a recuperação pode levar décadas. Como sabemos, quando o fundo do lago fica exposto (e seco), ele se torna permeável. Assim a água que voltar atingir esses lugares percola (infiltra) para o lençol freático, antes de criar uma camada impermeável. Se eu fosse usar minha intuição e conhecimento, diria que São Paulo tem duas opções a curto-médio prazo: (a) usar fontes alternativas de abastecimento antes que possa voltar a contar com as represas; (b) ter uma redução drástica em sua economia para que haja diminuição de consumo (há relação direta entre movimento econômico e consumo de água).
5- “Não existem outras fontes de abastecimento que não as represas atuais”. Essa afirmação é duplamente mentirosa. Primeiro porque sempre se pode construir represas em lugares mais e mais distantes (sobretudo em um país com esse recurso abundante como o Brasil) e transportar a água por bombeamento. O problema parece ser de ordem econômica já como o custo da água bombeada de longe sairia muito caro. Outra mentira é que não podemos usar água subterrânea. Não consigo entender o impedimento técnico disso. O Estado de São Paulo tem ampla reserva de água subterrânea (como o chamado aquífero Guarani), de onde é possível tirar água, sobretudo em momentos de crise. Novamente, o problema é custo de trazer essa água de longe que afetaria os lucros da Sabesp.
6- “O aquífero Guaraní é um reservatório subterrâneo”. A ideia de que o aquífero é um bolsão d’água, como um vazio preenchido pelo líquido, é ridiculamente equivocada. Não existe bolsão, em nenhum lugar no mundo. O aquífero é simplesmente água subterrânea diluída no solo. O aquífero Guaraní, nem é mesmo um só, mas descontínuo. Como uma camada profunda do lençol freático. Em todo caso, países como a Holanda acham o uso dessas águas tão bom que parte da produção superficial (reservatórios etc) é reinserida no solo e retirada novamente (!). Isso porque as propriedades químicas do líquido são, potencialmente, excelentes.
7- “Precisamos economizar água”. Outra simplificação. Os grandes consumidores (indústrias ou grandes estabelecimentos, por exemplo) e a perda de água por falta de manutenção do sistema representam os maiores gastos. Infelizmente os números oficiais parecem camuflados. A seguinte conta nunca fecha: consumo total = esgoto total + perda + água gasta em irrigação. Estima-se que as perdas estejam entre 30% e 40%. Ou seja, essa quantidade vaza na tubulação antes de atingir os consumidores. Água tratada e perdida. Para usar novamente o exemplo Holandês (que estudei), lá essas perdas são virtualmente 0%. Os índices elevados não são normais e são resultados de décadas de maximização de lucros da Sabesp ao custo de uma manutenção precária da rede.
8- “Não há racionamento”. O governo está fazendo a mídia e a população de boba. Em lugares pobres o racionamento já acontece há meses, dia sim, dia não (ou mesmo todo dia). É interessante notar que, historicamente, as populações pobres são as que sempre sentem mais esses efeitos (cito, por exemplo, as constantes interrupções no fornecimento de água no começo do século XX nos bairros operários das várzeas, como o Pari). A história se repete.
9- “É necessário implantar o racionamento”. Essa afirmação é bem perigosa porque coloca vidas em risco. Já como praticamente todas as construções na cidade têm grandes caixas d’água, o racionamento apenas ataca o problema das perdas da rede (vazamentos). É tudo que a Sabesp quer: em momentos de crise fazer racionamento e reduzir as perdas; sem diminuição de consumo, sem aumentar o controle de vazamentos. O custo disso? A saúde pública. A mesma trinca por onde a água vaza, se não houver pressão dentro do cano, se transformará em um ponto de entrada de poluentes do lençol freático nojento da cidade. Estaremos bebendo, sem saber água poluída, porque a poluição entrou pela rede urbana. Por isso que agências de saúde internacionais exigem pressão mínima dentro dos canos de abastecimento.
10- “Precisamos confiar na Sabesp nesse momento”. A Sabesp é gerida para maximizar lucros dos acionistas. Não está preocupada, em essência, em entregar um serviço de qualidade (exemplos são vários: a negligência no saneamento que polui o Rio Tietê, o uso de tecnologia obsoleta de tratamento de água com doses cavalares de cloro e, além, da crise no abastecimento decorrente dos pequenos investimentos no aumento do sistema de captação). A Sabesp é apenas herdeira de um sistema que já teve várias outras concessionárias: Cantareira Águas e Esgotos, RAE, SAEC etc. A empresa tem hoje uma concessão de abastecimento e saneamento. Acredito que é o momento de discutir a cassação dessa outorga, uma vez que as obrigações não foram cumpridas. Além, é claro, de uma nova administração no Governo do Estado, ao menos preocupada em entregar serviços público e não lucros para meia dúzia apenas.
Enfim, se eu pudesse resumir minhas conclusões: a crise no abastecimento não é natural, mas sim resultado de uma gestão voltada para a maximização de lucros da concessionária e de um Governo incompetente. Simples assim, ou talvez, infelizmente, nem tanto.

Minas Gerais disse não ha corrupção!...será?


A abominável família dos Neves!
 
extraído do site do Paulo Henrique Amorim
Publicado em 20/10/2014

Bomba: como o MP blindou
a corrupção do Aecínico !

Conceição Lemes, irrefutável como sempre, descreve a blindagem daquele que fala “haverão” !!!

Tribunal de MG diz que Aécio contou remédio para cavalo como gasto de Saúde

O Conversa Afiada reproduz denúncia de Conceição Lemes, extraída do Viomundo:

Lemes: O balanço das denúncias contra Aécio que a mídia ignorou

por Conceição Lemes

Nos últimos dias, a Folha de São Paulo descobriu as três rádios – entre elas, a Arco-Íris –  e o jornal de Aécio Neves, candidato à presidência pelo PSDB, e  de sua família.

O jornal tentou, mas não conseguiu obter informações sobre quanto o governo de Minas gastou em publicidade nesses veículos.

Isso, no entanto, não é nenhuma novidade.

Desde 2011, o Viomundo denuncia a aplicação, via publicidade, de dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual na rádio Arco-Íris e demais veículos de comunicação de Aécio Neves e família.


– Por que 2011?


Em 17 de abril de 2011, Aécio foi parado pela polícia numa blitz de trânsito no Leblon, cidade do Rio de Janeiro. Convidado a fazer o teste do bafômetro, ele se recusou. A carteira de habilitação, vencida, foi apreendida. Levou duas multas.

O carro em que o senador dirigia na hora da blitz — Land Rover TDV8 Vogue, ano 2010, placa HMA 1003, valor mercado R$ 255 mil, comprado após as eleições de 2010 — pertencia à rádio Arco-Íris, de Belo Horizonte (MG), cujos sócios são Aécio, a irmã Andrea e sua mãe, Inês Maria Neves Faria.

Durante todo o período em que Aécio governou Minas ( janeiro de 2003 a abril de 2010), sua irmã, Andrea Neves, comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social da Secretaria de Governo. Uma de suas funções era decidir sobre a alocação de recursos de toda a publicidade do Estado de Minas Gerais.

Ontem, no debate do SBT, Dilma questionou Aécio sobre o assunto duas vezes:

– Sua irmã era responsável por toda a verba destinada à publicidade, que foi para as rádios e os jornais que vocês têm em Minas.

– Quando a gente pergunta sobre os recursos passados às rádios e a um jornal mineiro que você tem em MG, não há transparência.

Aécio não respondeu. Fez de conta que não era com ele.

Assim como mídia corporativa menosprezou essa e outras denúncias feitas e reiteradas desde  2011 em relação ao governo de Aécio Neves  (confira aqui, aqui e aqui).

Por isso, nós resgatamos agora – 17 de outubro, às 21h30 – a reportagem abaixo, que foi publicada em 17 de fevereiro de 2013. Nela, tratamos da Rádio Arco-Íris, Banjet, Oswaldinho, aplicação de verbas públicas em empresas da família, voos em jatinho do presidente da Codemig, suspeitas de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, blindagem.

***

“Se o Gurgel não abrir inquérito contra o Aécio, estará prevaricando”


Em Minas, o ex-procurador Alceu Marques Torres arquivou duas representações  contra Aécio e Andrea Neves. Em 31 de maio de 2011, os deputados Rogério Correia, Sávio Souza Cruz e Antonio Júlio entregaram a Roberto Gurgel outra denúncia. Ela está na gaveta do procurador-geral da República há 22 meses e 17 dias

por Conceição Lemes

17 de abril de 2011. Madrugada de domingo, Leblon, Zona Sul carioca. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), dirigindo uma Land Rover, é parado pela polícia numa blitz de trânsito. Convidado a fazer o teste do bafômetro, ele se recusa. A carteira de habilitação, vencida, é apreendida. Leva duas multas.

A partir daí, o poderoso bunker montado para protegê-lo foi sofrendo alguns abalos.

O Movimento Minas Sem Censura (MSC), bloco de oposição que reúne parlamentares do PT, PMDB, PCdoB e movimentos sociais, descobriu fatos até então desconhecidos. Além de denunciá-los publicamente, fez representações a várias instâncias, pedindo que fossem investigados.

Essas ações não deram em nada até agora.

Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), as tentativas para instalar CPIs não prosperaram. Lá, como em São Paulo, vige a lei da mordaça tucana.

Alceu José Marques Torres, procurador-geral da Justiça de Minas até início de dezembro de 2012, arquivou as duas representações feitas contra o senador, a irmã Andrea Neves e a rádio Arco-Íris.



“Como o procurador nada apurou, nós entramos com a segunda representação”, diz o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), líder do MSC.

“O promotor João Medeiros Silva Neto, do Ministério Público do Estado de Minas, abriu inquérito para investigá-la. Porém, o doutor Alceu avocou para si o processo e arquivou. O então procurador-geral prevaricou.”

Em 31 de maio de 2011, Rogério e os colegas Luiz Sávio de Souza Cruz e Antônio Júlio, ambos do PMDB, foram a Brasília.

Entregaram pessoalmente a Roberto Gurgel representação denunciando Aécio e a irmã dele, Andrea Neves, por ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. A representação está na gaveta do procurador-geral da República há 22 meses e 17 dias.

“Como em 2010 Aécio se tornou oficialmente sócio da rádio Arco-Íris, cujo valor de mercado é de R$ 15 milhões, se tinha patrimônio total declarado de R$ 617.938,42?”, questiona Sávio Souza Cruz, vice-líder do MSC.

“Como Aécio viajava para cima e para baixo em jatinho da Banjet, cujo dono preside a Codemig e é dono de empresas que prestam serviços ao governo de Minas? Por que Aécio indicou Oswaldinho para presidir a Codemig?”

Rogério Correia denuncia: “Há fortes indícios de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. Aécio se recusa a prestar esclarecimentos sobre o seu patrimônio. Andrea destinou dinheiro público para empresas da família. Isso é improbidade administrativa!”

“Em Minas, o Aécio tudo pode”, continua Souza Cruz. “Nós poderíamos ter copiado tantas coisas aprazíveis da Bahia, acabamos por reproduzir uma das menos positivas, o Aecinho Malvadeza.”

“Está tudo dominado”, ele sentencia. “A Assembleia Legislativa homologa tudo o que é do interesse do Aécio. O ex-procurador geral de Justiça de Minas virou o zagueiro do Aécio, nós passamos a chamá-lo de ‘Aéceu’.”


AS DENÚNCIAS MENOSPREZADAS PELA MÍDIA CORPORATIVA

Rádio Arco-Íris, Banjet, Oswaldinho, aplicação de verbas públicas em empresas da família, voos em jatinho do presidente da Codemig, suspeitas de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, blindagem.

Nenhuma dessas denúncias, praticamente desprezadas pela mídia corporativa, é novidade. Todas, desde 2011, têm sido feitas e reiteradas (confira aqui, aqui e aqui).

O ponto de partida, relembramos, foi o flagrante do teste do bafômetro, em 17 de abril de 2011, na cidade do Rio de Janeiro.

O carro que o senador dirigia na hora da blitz — Land Rover TDV8 Vogue, ano 2010, placa HMA 1003, valor mercado R$ 255 mil, comprado após as eleições de 2010 — pertencia à rádio Arco-Íris, de Belo Horizonte (MG), cujos sócios são Aécio, a irmã Andrea e sua mãe, Inês Maria Neves Faria.

Há anos é propriedade da família Neves. Em 1987, o então deputado federal Aécio Neves ganhou a concessão para explorá-la do à época presidente da República José Sarney, atualmente senador.

Por coincidência, Aécio votou a favor da ampliação do mandato de Sarney para cinco anos, o que lhe valeu entre adversários a alcunha de “Aecinco”.

Antonio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações naquele momento, assinou a outorga. Inicialmente a sede da emissora ficava em Betim, depois foi transferida para BH.

A matéria abaixo de Veja, publicada na seção Radar, em 1987, circulou muito após o teste do bafômetro. Ela diz que Aécio já seria proprietário de outras três rádios, em Cláudio, Formiga e São João Del-Rei. Investigação feita em 2011 revelou que oficialmente ele era sócio apenas da Arco-Íris. Estavam em nome de Andrea outra emissora e um jornal em São João Del-Rei.

Aécio, aliás, só passou a integrar legalmente a sociedade da rádio Arco-Íris dois meses após ser eleito senador.  Mais precisamente a partir de 28 de dezembro de 2010 com valor declarado à Junta Comercial de Minas Gerais de R$ 88 mil, o equivalente a 88 mil cotas. A mãe, dona Inês Maria Neves Faria, repassou-lhe a maior parte das suas.

Em consequência, as 200 mil cotas da empresa ficaram assim distribuídas:  Andrea, 102 mil (51%); Aécio, 88 mil (44%); e dona Inês Maria, 10 mil (5%).

Foi a sétima alteração contratual da empresa, que iniciou atividades em 1986. Abaixo a última página do contrato.

A rádio Arco-Íris, além da Land Rover, era proprietária em 2011 de outros 11 veículos registrados no Departamento de Trânsito de Minas (Detran-MG).

Dos 12 veículos, seis são carros de passeio de luxo, em geral não utilizados para fins empresariais.

Mais surpreendentes foram as frequentes autuações dos veículos da Arco-Íris no Estado do Rio de Janeiro.

Afinal, ela é retransmissora da rádio Jovem Pan FM, tem sede em BH, não possui departamento de Jornalismo e se atém a transmitir músicas para jovens.

As multas aplicadas em 2011 no Toyota Fielder (HEZ1502) e na Land Rover TDV8 Vogue (HMA 1003) decorreram de excesso de velocidade nas cidades de Búzios, Rio Bonito e Rio de Janeiro e em rodovias fluminenses.

A informação é do Detran-MG. Abaixo uma do Toyota Fielder (HEZ1502) .

MILAGRE DOS PEIXES

Aécio governou Minas de janeiro de 2003 a abril de 2010. Durante os dois mandatos, a irmã Andrea comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social da Secretaria de Governo, criado por decreto em 3 de abril de 2003, pelo próprio governador.

O setor tinha as funções de:

1) coordenar, articular e acompanhar a execução de toda a política de comunicação social do Estado, inclusive a das secretarias, autarquias, empresas públicas e fundações estaduais;

2) decidir a alocação de recursos financeiros de toda a publicidade do Estado de Minas Gerais, sua administração direta e indireta, até mesmo das empresas controladas pelo poder público mineiro, bem como o patrocínio de eventos e ações culturais e esportivas.

De 2003 a 2010, as despesas com “divulgação governamental” somaram R$ 489 milhões. No primeiro mandato, foram R$ 157 milhões; no segundo, R$ 325 milhões, de acordo com o Sistema Integrado de Administração Financeira do Tesouro (Siafi).

Nesses valores não estão incluídos os gastos com publicidade de empresas públicas ou de economia mista controladas pelo Estado, como as companhias  Mineradora (Codemig), Energética (Cemig), Saneamento (Copasa) e Gás (Gasmig), assim como as do Banco de Desenvolvimento de Minas (BMDG) e Loteria estadual (LEMG). Eles totalizaram mais de R$ 325 milhões de 2003 a 2009, conforme o Tribunal de Contas do Estado.

Pois era Andrea quem orientava, determinava e supervisionava quanto, quando, como e onde aplicar todos esses recursos do Estado e suas empresas, diretamente ou via agências de publicidade.

No decorrer das gestões do irmão-governador, o seu núcleo aplicou, a título de publicidade, dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual na rádio Arco-Íris e em outras empresas de comunicação dos Neves.

Exatamente quanto não se sabe, pois o ex-procurador-geral Alceu José Marques Torres nem ao menos  investigou quanto de dinheiro público a rádio Arco-Íris recebeu.

Por falar em patrimônio, em fins de 2010, quando Aécio passou a ser oficialmente sócio da rádio Arco-Íris, o capital social registrado não representava o valor real. Somente os 12 veículos em nome da empresa valiam aproximadamente R$ 714 mil em maio de 2011. Já o valor comercial da emissora, de acordo com fontes do mercado, era de aproximadamente R$ 15 milhões.

Contudo, no início de 2010, ao registrar a candidatura ao Senado, Aécio declarou à Justiça Eleitoral patrimônio total de R$ 617.938,42. Um decréscimo de cerca de 20% em relação ao de 2006. Apenas a parte dele no valor dos automóveis da rádio Arco-Íris seria de R$ 314 mil!  Um milagre dos peixes às avessas.

BANJET, CODEMIG, BANDEIRANTES, IM: RELAÇÕES FAMILIARES E COMERCIAIS

Em 2011, o Minas Sem Censura fez outra denúncia contra o senador tucano: Aécio usava gratuitamente os jatinhos da Banjet Taxi Aéreo Ltda, para deslocamentos no Brasil e exterior. “Uma cortesia da empresa”, justificou-se na época.

A Banjet fazia parte do grupo do extinto Banco Bandeirantes, sendo seus donos os empresários Clemente Faria e Oswaldo Borges da Costa Filho.

Oswaldinho (como Oswaldo Borges da Costa Filho é conhecido em Minas) é casado com Beatriz Faria Borges da Costa, filha do banqueiro Gilberto de Andrade Faria, que foi padrasto de Aécio. Gilberto, falecido em 2008, casou-se em segundas núpcias com dona Inês Maria, com quem viveu durante 30 anos.

Clemente, morto em acidente aéreo em julho de 2012, é o outro filho do primeiro casamento do banqueiro Gilberto Faria. Clemente, portanto, era cunhado do Oswaldinho, seu sócio na Banjet.

Pois Oswaldinho e Clemente eram sócios em outras empresas, entre elas a Star Diamante Ltda (nome fantasia Starminas), criada em setembro de 2003. Em 4 de fevereiro de 2004, Clemente transferiu todas as suas cotas para Oswaldo Borges da Costa Neto, que já era sócio, e Oswaldinho, a quase totalidade. Costa Neto é  filho de Oswaldinho e ficou com 259.999 cotas das 260 mil cotas da empresa. Abaixo fragmento da última página do contrato social de constituição dela.

A essa altura, Oswaldo Borges da Costa Filho  já presidia a Companhia Mineradora de Minas (Comig), como mostra nota publicada pelo jornal O Estado de Minas em 24 de setembro de 2003, página 17.

No final de 2003, a Comig teve nome e objeto social alterados para Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).

Codemig é uma empresa pública e como tal o diretor-presidente deve ser eleito pelo seu conselho. Mas, na prática, é quem o governador indicar. Em 2003, com Aécio no poder, Oswaldinho  – genro do padrasto de Aécio – passou a presidir a Comig, depois a Codemig, cargo que ocupa até hoje.

Não haveria aí conflito de interesses?

Explico. A mineração é uma das áreas de atuação da Codemig. Além disso, Oswaldo Borges da Costa Filho era sócio ou integrava a diretoria de várias empresas, segundo levantamento feito na Junta Comercial de Minas Gerais em 16 de maio de 2011. Entre elas, a Minasmáquinas S/A e a Bamaq S/A – Bandeirantes Máquinas e Equipamentos, que também pertenceram ao grupo do extinto Banco Bandeirantes e mantêm relações comerciais com o Estado de Minas Gerais, segundo o bloco de oposição Minas Sem Censura.

Curiosamente, um dos endereços do liquidado Banco Bandeirantes — Avenida Rio de Janeiro, 600,  Belo Horizonte – era o mesmo da IM Participações e Administração Ltda.

Gilberto Faria, relembramos, era dono do extinto Banco Bandeirantes e foi padrasto de Aécio.

A IM, por sua vez, tem como sócios os irmãos Neves da Cunha — Aécio, Andrea e Ângela, a mais nova do clã.  A mãe é a administradora. Dona Inês Maria atuou também na gestão do Bandeirantes e foi sócia do marido, o banqueiro Gilberto Faria, em algumas empresas, como a Trevo Seguradora.

A investigação pedida pela oposição mineira poderia esclarecer, por exemplo, se houve alguma triangulação entre o Banco Bandeirantes e a IM.

ASSESSORIA DE AÉCIO: ”MOTIVAÇÃO MERAMENTE POLÍTICA”

Esta repórter buscou falar com o senador e a irmã, para saber o que teriam a dizer sobre as representações feitas contra ambos pelo Minas Sem Censura.

Foram muitos e-mails e telefonemas para o gabinete de Aécio, em Brasília, com a secretária driblando: “os assessores de imprensa estão em Minas”, “estou tentando contatá-los, mas não consigo”.

Até que, depois de muita insistência, veio esta resposta:

A assessoria do senador Aécio Neves informa que se trata de antigas iniciativas de dois deputados de oposição ao PSDB de Minas Gerais, amplamente noticiadas à época e sobre as quais foram prestados todos os esclarecimentos. É nítida a motivação meramente política das mesmas. Registre-se que uma delas chegou a ser apresentada por duas vezes, tendo sido, nas duas ocasiões, investigada e arquivada por falta de fundamento.

De Andrea, nenhum retorno. Em 2003, o então governador Aécio Neves nomeou-a para a presidência do Servas (Serviço Voluntário de Assistência Social), cargo que ocupa até hoje. Está na terceira gestão. O site da entidade informa:

O Serviço Voluntário de Assistência Social – Servas é uma associação civil, de direito privado, sem fins econômicos, que tem como objetivo promover e executar ações sociais em Minas Gerais, dotado de autonomia administrativa, financeira e operacional. É reconhecido como entidade de utilidade pública nos níveis municipal, estadual e federal. Existe desde 1951.

Andrea Neves da Cunha permanece na presidência do Servas, de janeiro de 2011 até a presente data, dando continuidade aos programas já existentes, em parceria com o Governo de Minas, empresas e entidades de classe.

Após vários e-mails e telefonemas ao setor de Comunicação do Servas nos últimos 25 dias, a chefe do setor alegou: “Andrea está de férias, não posso encaminhar para ela”.

Em resposta a mais um e-mail enviado por esta repórter, ela respondeu nessa quinta-feira 14: “A senhora Andrea já retornou de férias, mas ainda não pude tratar com ela sobre seu pedido. Havendo um retorno, informo”.

DENÚNCIA CONTRA AÉCIO E ANDREA NA GAVETA DE GURGEL HÁ QUASE 23 MESES

Em 31 de maio de 2011, os deputados Sávio de Souza Cruz, Antonio Júlio e Rogério Correia entregaram nas mãos do procurador-geral da República, em Brasília, a representação contra Aécio e Andrea.

Gurgel fez questão de ir com os parlamentares até o setor de protocolo da Procuradoria Geral da República (PGR). Aí, a representação recebeu o número 1.00.000.006651/2011-19.

“Ligávamos de vez em para o setor de protocolo e a informação era de que não havia novidade”, diz  Correia. “Sabíamos apenas que a representação não havia sido arquivada nem inquérito aberto.”

“No dia 29 de janeiro, ligamos e nos disseram que no dia 18 de dezembro de 2012, a Coordenadoria de Comunicações Administrativas (CCA) remeteu a representação e um relatório para o doutor Gurgel”, acrescenta Correia. “Nos disseram que estão na mesa dele.”

Ao Viomundo, a Secretaria de Comunicação da PGR limitou-se a dizer antes do Carnaval: “O documento protocolado pelos deputados encontra-se em análise no gabinete do procurador-geral”.

Nesta sexta-feira 15, voltamos a contatar a Secretaria de Comunicação da PGR para saber se havia tido alguma mudança nesse período. A resposta foi “não“.

Fontes da própria PGR nos disseram que até 28 de janeiro de 2013 — portanto, um dia após Correia ligar para lá — não havia sido dado qualquer despacho na representação protocolada em 31 de maio de 2011, que continua na gaveta do procurador.

Oficialmente não é da alçada da CCA dar parecer jurídico sobre qualquer representação. É um setor grande da PGR. Aí, ficam expediente, protocolo, arquivo, publicação.

Além disso, mesmo não existindo arquivamento, o status da representação dos deputados mineiros contra Aécio e Andrea estava gravado como “arquivado” no sistema. Isso sempre acontece quando o processo está parado há mais três meses.

“Diante de todas essas denúncias, não há outra saída para doutor o Roberto Gurgel a não ser abrir inquérito junto ao STF contra Aécio Neves”, espera Rogério Correia. “Do contrário, ele estará prevaricando.” Sávio Souza Cruz afirma: “Espero que o procurador-geral da República cumpra a Constituição”.

A propósito. Enquanto a representação contra Aécio e Andrea Neves dorme há quase 23 meses na gaveta de Gurgel, ele decidiu, em cinco meses, o destino das acusações feitas em setembro de 2012 pelo publicitário Marcos Valério de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria recebido vantagens financeiras do esquema do mensalão.

No dia 6 de fevereiro, o procurador-geral resolveu mandar para Minas o processo. Nessa quinta 14, o Ministério Público Federal (MPF), em Belo Horizonte, recebeu o depoimento de Valério contra Lula.

“A denúncia de Marcos Valério, réu já condenado, querendo benefício para reduzir pena, foi rapidamente remetida ao MPF  para investigação”, compara Correia. ” Já a de duas bancadas, representando 19 deputados estaduais, contra Aécio e Andrea está sem nenhuma providência desde maio de 2011.”

“Parece que o Marcos Valério, como fonte de denúncia, tem mais credibilidade para o procurador-geral do que as bancadas estaduais de Minas dos dois maiores partidos do Brasil”, diz Sávio Souza Cruz. Correia finaliza: “É o cúmulo do partidarismo”.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Acabou a água em São Paulo e agora?

Vivo e trabalho em Guarulhos na grande São Paulo, ontem domingo dia 12/10 de 2014 senti pela primeira vez como será os próximos meses sem a água, já estávamos acostumados com o racionamento que é negado pelas autoridades do estado, dia sim dia não sem água virou rotina não deveria mais virou!
Domingão trabalhei como um dia normal, sou pai de família em casa moram cinco pessoas adultas, no inicio da noite ao chegar sou recebido pelos cachorros a boxer mel e a filha laila, em casa meu filho assistindo TV e vendo não sei o que no celular a filha no quarto dela fazendo unha, minha esposa tirando um cochilo.
Me preparo para tomar um merecido banho ao lavar as mãos na pia o primeiro susto a água estava fraca, opa o que houve desisto de usar o vaso para verificar o que esta acontecendo estamos sem água gritei, de todos os lados a resposta como assim o que aconteceu, lavou roupa demais? a caixa não encheu quem será o culpado?Moro num sobrado na vila Rosália um bairro classe média da cidade, talvez a falha foi minha em não prever que uma caixa dagua de 1000 mil litros não desce conta do recado, nos dois banheiros de cima nada de água, desço e vejo as torneiras do piso inferior, ainda tem um pouco de agua que esta nos encanamentos acho que até o volume morto da caixa foi usado, primeira providencias usar esta água para encher garrafas e reserva pra beber, proibir o uso dos banheiros verificar se havia aguá no tanque ou na maquina, não havia! O filho do celular passa um mensagem para o filho que esta na casa da noiva pedindo para que compre garrafas de agua, não foi explicado o porque ele trouxe apenas uma. Fomos dormir  xingando o governador que não sei porque foi  reeleito por mais quatro anos. A água começou a encher a caixa la pelas duas horas da manha o que possibilitou o banho matinal, e partir para o nosso plano B, outra caixa d`água e ou tonéis de 200 litros para reaproveitamento da água da lavadora de roupas que é muito usada e para o quintal que é bem lavado por causa da mel e da filha dela.E partir para o xingamento aos amigos tucanos que mantem a vinte anos este desgovernador e sua turma no poder em nosso estado.


Da Matta e o coronelismo utopico na radio jovem pan

O coronelismo utópico de Da Matta, por Márcio Valley

Três dias atrás (09/10), escrevi o ensaio "Carta aberta ao antropólogo Roberto DaMatta", através do qual refutava o artigo desse renomado intelectual brasileiro intitulado "Um soco na onipotência", artigo cujo objeto era a defesa passional da candidatura de Aécio Neves à presidência da república. Nunca foi minha intenção negar ao DaMatta [foto] o seu sagrado direito de optar por uma candidatura, direito constitucional de todos os cidadãos eleitores do Brasil.
Apenas entendi que, diferentemente do que ocorre com a maioria dos eleitores brasileiros, cujo acesso à cultura e à informação historicamente vem sendo sonegado, DaMatta possui o cabedal intelectual, a pletora de informação e conhecimento, que lhe permite uma argumentação com fundamentos mais profundos do que aquilo que denominei de "redação de Facebook". Ressaltei que, ao utilizar os mesmos artifícios retóricos rasos que são utilizados nas redes sociais, o antropólogo se despe de sua condição de intelectual, colocando-se pari passucom os ignorantes ecoadores de bordões, mantras e memes.
Tenho convicção, e penso que deixei isso entendido nas entrelinhas de meu texto, de que o DaMatta é capaz de produzir uma argumentação lúcida em favor da candidatura do Aécio Neves, apoiando-se em questionamentos pertinentes à condução da política econômica da presidenta Dilma, às deficiências no setor da educação, da segurança pública e nas diversas modalidades de atuação estatal federal nas áreas de interesse da sociedade. Ao optar pelo lugar-comum da corrupção de forma seletiva, "esquecendo-se" oportunisticamente dos casos que, investigados ou não, denunciados ou não, julgados ou não, envolvem o PSDB e outros partidos, entendi que DaMatta abriu mão da inteligência e virou um torcedor comum, desses que transitam pelo Facebook espalhando boatos e declarações de deliquentes como se a verdade estivesse estabelecida.
Bom, mas porque estou dizendo isso? Primeiro, porque não esperava a repercussão enorme que meu ensaio obteve. Foram milhares os acessos em meu blog, fazendo com que esse post saltasse, em apenas dois dias, para a segunda colocação nas estatísticas de acessos do blog. Como os acessos continuam, creio que alcançará a ponta em breve. Segundo, porque, ao lado das muitas manifestações de concordância, e como não poderia deixar de ser num ambiente de liberdade de opinião que prezo e desejo que continue nesse país, tive também as de contrariedade. Muitas dessas últimas chamaram minha atenção por fazerem questão de qualificar o bolsa-família como uma espécie de política de coronelismo, cuja finalidade é orientar o voto dos pobres que por esse programa são favorecidos. Mais ou menos como nos orientou outro "sábio", o Fernando Henrique Cardoso, em sua afirmação de que os eleitores do PT são pobres e ignorantes, uma afirmação elitista, mas que se coaduna com a sua história (já chamou aposentado de vagabundo).
Peço desculpas antecipadas às pessoas que lerem esse texto, amigos ou desconhecidos, e que pensem dessa mesma forma, porém confesso que tenho uma certa repugnância por opiniões contrárias ao bolsa-família. Normalmente, partem de integrantes da classe média ou de pessoas ricas. São opiniões que, no fundo, objetivam esconder, sob o disfarce de opinião meramente política, um pegajoso, asqueroso, preconceito contra a pequeníssima ascensão financeira dos pobres. No mais das vezes, são pessoas irritadas por não mais conseguirem contratar miseráveis a preço de banana podre (agora têm que pagar preço de banana madura). Pessoas que se sentem desconfortáveis ao verem nordestinos pobres viajando de avião para visitar os parentes que ficaram na terrinha. Sentem-se irados ao enfrentar um trânsito que ficou ainda mais caótico a partir do ingresso de milhões de veículos na frota nacional, uma imensa quantidade deles saindo das favelas próximas dos ricos condomínios onde moram.
Como se sentir especial e poderoso, um ser humano diferenciado, se os pobres perigosamente se aproximaram (um pouquinho só, mas...) de um estilo de consumo que deveria ser para poucos? Só falta, agora, pobre viajar para a Europa... Êpa, peraí, alguns já estão... É o fim da picada! Esses dias mesmo li um texto em jornal de grande circulação cujo autor lamentava a perda de classe e estilo no turismo internacional ante a massificação que grassa nessas paragens.
Quanto a mim, como já morei em casa de sapê e em barraco no morro, dormindo no chão de barro batido forrado com papelão para não sujar o colchonete, e como já passei fome durante um período de minha vida que parecia que não iria acabar nunca (o tempo passa mais devagar quando temos fome), eu sei exatamente como é sentir a dor sentida pelo miserável que, ao acordar, não sabe sequer se terá o que comer durante o dia. Não preciso ler sobre o assunto, não preciso me inteirar de estudos acadêmicos sobre os benefícios do programa, não preciso assistir a nenhum documentário sobre favelas e grotões de miséria.
Eu vivi a miséria, eu precisei pedir um prato de comida a pessoas que não estavam dispostas a dá-lo, eu fiquei sem abrigo para passar a noite. Ninguém irá me dar aulas sobre as necessidades mais elementares do ser humano, pois possuo o doutorado da vida sobre o assunto. Hoje, por circunstâncias de minha vontade e por outras também importantes mas alheias a ela, integro a chamada classe média-média e não mais preciso encarar o desafio diário de obter nenhuma das chamadas "necessidades básicas". Porém, ainda existe uma pequena coisa que me incomoda, como se fosse um grilo falante a lembrar-me de coisas chatas como moral, ética, civilização e altruísmo. O meu grilo falante se chama "memória".
Eu não renego o meu passado, nem o escondo no fundo de algum baú de constrangimento. Faço questão absoluta de jamais esquecer de onde vim e do que passei. O passado é minha âncora e me recorda, a cada momento, que a miséria será o horror e a negação da civilização humana enquanto existir uma criança esquálida, ossos à vista, que não consegue extrair o leite do seio de sua mãe porque o organismo materno, ainda mais esquálido do que o da criança, não tem de onde tirar os nutrientes necessários para produzi-lo.
Em minha visão, é apenas mesquinha a tentativa de desqualificar um programa assistencial que sequer dá ao miserável tudo o que ele necessita, pois não se pode imaginar que setenta reais por mês seja capaz de retirar alguém da miséria.
Outro dia um conhecido quis me convencer que famílias pobres estão "fabricando" filhos para receber essa pequena esmola. Fiquei imaginando como um ser humano pode achar que outro ser humano, pobre, se preocupará em fazer mais filhos para receber, por cada um, setenta reais mensais. Além disso, é um projeto meio estúpido. Levará dez anos para fazer dez filhos e, então, alcançar a incrível soma de cerca de oitocentos reais por mês, com a qual terá que alimentar doze bocas, no mínimo. É o ponto a que chegou a insensatez do antipetismo doentio.
É bom lembrar que todos os candidatos, inclusive o Aécio, prometem não somente manter, mas aumentar o valor do bolsa-família e qualificá-lo. Para os que bancam a ideia do coronelismo, fica a constatação de que será utilizado por todo e qualquer um que chegar à presidência.
Vou dar mais uns exemplos de "coronelismo" do PT a ser combatido.
O governo petista Lula/Dilma criou dezoito universidades federais públicas, cujo objetivo claramente deve ser conquistar votos e se manter no poder. O governo do PSDB, que não pretende o poder a qualquer preço, não criou nenhuma, sendo esse o motivo pelo qual acreditam que se deve votar nele.
Os governos federais petistas criaram quase vinte milhões de novos empregos, numa manobra para perpetuar-se no poder. O governo federal do PSDB, somente cinco milhões de empregos, o que é uma demonstração de lisura.
Até o ano de 2013, o Prouni concedeu mais de um milhão e duzentas mil bolsas de estudos para estudantes carentes estudarem em faculdades particulares, assim permitindo aos pobres terem acesso ao ensino superior, o que evidencia nitidamente a natureza sórdida do governo do PT. O PSDB não concedeu uma só bolsa de estudo dessa forma, uma atitude corajosa e honesta.
Todos sabem que a educação secundária é obrigação dos estados e dos municípios, não do governo federal. Os governos petistas, porém, numa escalada rumo à perpetuação no poder, acrescentaram mais de quatrocentas escolas técnicas federais pelo país afora às somente cento e quarenta que existiam desde Pedro Álvares Cabral. Novamente demonstrando sua ética política, o PSDB não construiu nenhuma escola técnica federal, o que deve ser aplaudido.
Numa outra frente de batalha pelo poder a qualquer custo, os governos petistas criaram o Pronatec permitindo o acesso ao ensino técnico e profissional, cujas matrículas já beneficiaram quase seis milhões de jovens pelo país. O governo federal do PSDB, pautado pela honestidade política, não criou qualquer instrumento semelhante a esse.
Enfim, as comparações poderiam continuar por muito tempo, falando em poder aquisitivo do salário mínimo, o preço de mercado da Petrobras no governo do PSDB e agora no PT, a extrema diferença na lucratividade da Petrobras, o tamanho do PIB e diversos outros indicadores. Porém, o texto está ficando longo demais e acho que já ficou evidente para todos que o PT, beneficiando milhões e milhões de pessoas, busca aperfeiçoar o coronelismo ao seu modo extremo, assim alcançando a materialização da utopia do voto de cabresto: aquele no qual o coronel, agora um déspota hiper-esclarecido, para manter-se no poder a qualquer custo, melhora significativamente a condição social média, reduzindo as desigualdades.
Para perpetuar-se no poder, essa espécie de pós-despotismo, representado pelo PT, não hesita, sem pudor nenhum, em praticar a justiça social e melhorar a economia numa perspectiva histórica.
Começo a entender algumas convicções.