segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Golpe de Eduardo Cunha e o vice Michel Temer - a cronologia por Thais Moya

A cronologia do golpe de Temer e Cunha, por Thais Moya

                
Enviado por Henrique O
Do Jornalistas Livres
Por Thais Moya especial para os Jornalistas Livres
Ao menos, desde setembro, o vice-presidente e o presidente da Câmara conspiram para assumir os principais cargos da República
Não restam muitas dúvidas sobre o caráter golpista de Temer e sua turma. A cada dia fica mais evidente sua ganância inescrupulosa para derrubar Dilma e assumir a presidência. Mas não devemos nos enganar pensando que se trata de uma atitude apenas oportunista, ou seja, que ele está aproveitando a oportunidade que o destino lhe trouxe. Longe disso. Temer e Cunha têm articulado a própria chapa presidencial, para assumirem os maiores cargos do país, há mais tempo do que nossa relapsa memória nos alerta. E trata-se de uma articulação entre os três poderes, a grande mídia – televisiva e escrita – e até a autoria do pedido de impeachment.
Explico-me.
Em 29 de outubro de 2015, o PMDB, liderado por Temer[1], lançou um programa próprio de metas governamentais chamado “Uma ponte para o futuro”[2].  Em uma leitura atenta percebe-se que é uma evidente ruptura com o governo Dilma e um anúncio de sua “candidatura indireta” ao cargo da presidência. Havia apenas um obstáculo: Dilma é a presidenta, legitimamente eleita.
Eduardo Cunha “resolveu” o problema em apenas as trinta e quatro dias, 02/12/2015, quando deu início à derrubada de Dilma, acolhendo e deferindo um pedido de impeachment de autoria de Helio Bicudo, Reale Júnior e Janaina Paschoal[3]. Esta última, inicialmente tratada como acessório decorativo do trio, porém, se demonstrou peça-chave no processo.
Se nos atentarmos em como se deu a construção do pedido de impeachment aceito por Cunha, veremos que o primeiro pedido foi protocolado em 01 de setembro de 2015[4] e em quarenta e cinco dias, 15/10/2015, protocolaram um segundo pedido de impeachment[5]. Em seu pronunciamento[6] sobre o acolhimento do segundo pedido e consequente abertura do processo, Cunha se enrolou na explicação, e, ao que tudo indica, o pedido do trio teve tratamento diferenciado e privilegiado, no que se refere ao tramites da Casa.[7]
Se observasse os prazos defendidos por ele mesmo, Cunha deveria ter indeferido o primeiro pedido do trio no final de outubro[8]. No entanto, no final de outubro, como já dito, os holofotes deveriam estar no plano de governo de Temer, “Uma Ponte para o futuro”. Além do mais, a oposição e a grande mídia criaram uma enorme expectativa popular no pedido elaborado pelo trio, não poderiam, então, “queimar essa bala”. Indeferir um pedido deles seria uma derrota simbólica, mesmo que apresentassem um novo em seguida, como fizeram.
A manobra, do “rei das manobras”, portanto, foi deixar o primeiro pedido guardado na sua gaveta por mais de noventa dias, aguardando pacientemente o novo pedido que ele, enfim, aceitaria. O qual, conhecendo Cunha como já conhecemos, deve ter recebido assessoria dos seus advogados. Do mesmo modo como aconteceu na elaboração do relatório da comissão de impeachment[9], votado há poucos dias.
O plano “Uma ponte para o futuro” elaborado pelo Temer foi intensamente divulgado pela grande mídia. O jornal nacional, por exemplo, apresentou uma reportagem de cinco minutos sobre ele.[10]  Na narração, a reportagem afirmou que
O DOCUMENTO É UMA RUPTURA DO PMDB COM O ATUAL MODELO ECONÔMICO DO GOVERNO. ELE TRAZ UMA MENSAGEM CLARA: O PMDB TEM UM CAMINHO PRÓPRIO E DAQUI PRA FRENTE VAI SEGUI-LO. MESMO QUE ENTRE EM CHOQUE COM AS PROPOSTAS DO GOVERNO.”
Esta mesma reportagem afirmou que o PMDB não apresentou o plano previamente à presidenta Dilma. Precisa mais para explicitar o caráter golpista desse plano? Como é possível, em um cenário democrático, o vice-presidente elaborar um plano de metas governamentais e não apresentar e dialogar com a presidenta antes de divulga-lo publicamente?
Em 31 de outubro, o jornal O Globo publicou editorial elogiando o plano de Temer[11].  A revista Veja[12]estampou Temer em sua capa, na edição de 14 de novembro, com a manchete “O plano Temer – Como o vice-presidente e seu partido se preparam para assumir caso Dilma caia”.  É importante ressaltar que, nessa altura, sequer havia processo de impeachment aberto, Cunha deferiu o processo dezoito dias depois.
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Nesse meio tempo, não podemos ignorar que um processo de cassação do mandato de Cunha foi protocolado pelo PSOL – em 13 de outubro – e aceito pela comissão de ética da Câmara em 3 de novembro. Exatamente no interim do lançamento da chapa Temer-Cunha pelo PMDB, por meio do plano “Uma ponte para o futuro”. O presidente da Câmara, então, uniu o útil ao agradável quando abriu o processo de impeachment de Dilma. Retaliou o PT por ter votado favoravelmente ao seu processo de cassação, como havia anunciado que faria[13], e deu o pontapé inicial da sua escalada à vice-presidência.
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Jornais registram ameaças de retaliação de Cunha.


do site GGN do jornalista Luis Nassif

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