sexta-feira, 6 de maio de 2016

Desastre Ambiental de Mariana MG após seis meses

Após 6 meses, depoimentos inéditos revelam o drama no dia do desastre de Mariana

No rádio, ouviu-se uma gritaria. Fundão estava se rompendo, avisaram pelo sistema interno de comunicação. Eram 15h30. Eduardo Rodrigues, 44, virou-se para a barragem e viu a estrutura se soltar inteira, bater num barranco e cair sobre o laboratório onde, minutos antes, estava.
Escapou da morte porque o celular estava sem sinal. Pouco antes do desastre, o técnico de mineração havia deixado seu local de trabalho, no pé do reservatório, para tentar, do alto de um morro, fazer o telefone funcionar.
Seus colegas Marcos Moura e Edmirson Pessoa estavam no laboratório e foram carregados pela avalanche de lama da Samarco. O corpo de Pessoa nunca foi achado.

Em fuga, Rodrigues correu para o carro. Deu carona a duas pessoas que encontrou no caminho e, do retrovisor, viu árvores caindo.
Ao ouvir pelo rádio alguém cogitar chamar a imprensa, retrucou: "Deveriam se preocupar, primeiro, em pedir que todos os funcionários fossem para as áreas seguras e só depois contatar os jornalistas."
A descrição da tragédia que completa seis meses nesta quinta-feira (5) foi feita por Rodrigues à Polícia Federal. A Folha obteve 34 depoimentos dados à PF pelos principais personagens ligados ao desastre; ao menos 12 deles detalham o espanto e o desespero vivenciados no dia -sete são citados neste texto.
O técnico Romeu dos Anjos, 37, que atuava em Fundão, fora destacado para inspecioná-la naquela dia. Estava numa caminhonete quando "tudo sacudiu". Achou que estivesse passando mal.
O veículo que ocupava flutuou sobre a lama e tombou. Foi derrubado por um jato de lama e rodou num redemoinho de rejeitos. "O barulho era ensurdecedor", disse. Não recebera nenhum aviso pelo rádio, mas diz ter ouvido outro som: um grito de mulher.

Reportagem completa Aqui

Publicado na Folha de São Paulo

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