sexta-feira, 6 de maio de 2016

Haddad prefeito da cidade de São Paulo "é obvio que o processo poderá ser questionado"

                  
O prefeito eleito de SP, Fernando Haddad (PT) participa da palestra do professor e filósofo belga, Philippe Van Parijs, sobre --Perspectivas da Renda Básica de Cidadania-- no Salão Nobre da Fundação Getú
Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara deverá resultar em questionamentos sobre o impeachment; "Já havia uma inquietação na Câmara de que o julgamento não podia ser conduzido por Eduardo Cunha, em função dos indícios tão robustos que se acumulavam. (...) É óbvio que o processo na Câmara poderá ser questionado, por ter sido conduzido por um presidente de mandato contestado no Supremo", afirmou; Haddad também acusou o PSDB de "apostar na desestabilização do governo" e de exercer o "papel de ator coadjuvante" na composição de um eventual governo Michel Temer
6 DE MAIO DE 2016 ÀS 13:10
Apu Gomes: SÃO PAULO, SP, 07.12.2012: PHILIPPE VAN PARIJS/SP - O prefeito eleito de SP, Fernando Haddad (PT) participa da palestra do professor e filósofo belga, Philippe Van Parijs, sobre --Perspectivas da Renda Básica de Cidadania-- no Salão Nobre da Fundação Getú


247 - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato e da presidência da Câmara Federal pelo Supremo Tribunal Federal (STF) deverá resultar em questionamentos jurídicos sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"Já havia uma inquietação na Câmara de que o julgamento não podia ser conduzido por Eduardo Cunha, em função dos indícios tão robustos que se acumulavam. Teria sido preferível que a Câmara tivesse procedido em clima de mais normalidade. É óbvio que o processo na Câmara poderá ser questionado, por ter sido conduzido por um presidente de mandato contestado no Supremo. Acredito que o fato terá um impacto simbólico sobre o voto dos senadores", disse Haddad em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Para o prefeito, o STF não interferiu no Legislativo ao determinar o afastamento de Cunha. "Não houve intervenção alguma. Não destoa das decisões que a Corte vem tomando. No sistema de pesos e contrapesos que a Constituição estabelece, quem dá a última palavra é o Supremo no interesse de preservar a República", observou.

Ele também ressaltou que a atual crise está ligada a fragmentação do sistema politico brasileiro. "O problema é a política. O sistema político está cada vez mais fragmentado, em função do financiamento privado, que hoje está vedado pelo Supremo, e das coligações proporcionais que são a matriz na distorção da representação. Vota-se no deputado de um partido e elege-se o deputado de outro, com uma agenda diametralmente oposta à do deputado que se escolheu. Isso dificulta a formação de maiorias", ressaltou.

Haddad disse, ainda, que o PT errou na campanha eleitoral de 2014 em não saber comunicar à população a real dimensão da crise iminente. "Depois de 12 anos de sucesso na geração de emprego e renda, com a menor taxa de desemprego e o maior salário real da história, não teria o menor problema dizer, olha vamos ter um ano difícil pela frente, mas teremos uma retomada logo a seguir. Estou pedindo um ano de sacrifício depois de 12 de bonança. Seria legítimo. Acho que houve uma ruptura ali entre o que se pensou em fazer e o que se disse que se ia fazer e isso na política é muito crucial", avaliou.

Apesar disso, ele observa que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff não se deve apenas a este fator. "Um fato tão dramático na vida de um país quanto o afastamento de uma presidente eleita não se deve a uma razão específica, houve uma sobreposição de fatos, a fragmentação política, a maneira como o PSDB se comportou, a campanha eleitoral do PT, os escândalos que vieram a tona, são muitos fatores", disse.

Haddad também observou que "as condições objetivas" não permitem apontar se um eventual governo do vice Michel Temer terá ou não sucesso a curto prazo. "Um eventual governo Temer vai depender das medidas, do posicionamento, da postura. As notícias estão muito contraditórias. Não se sabe se vai propor CPMF, como vai lidar com os problemas sociais, com os direitos trabalhistas, com política monetária", comentou.

Nesta linha ele criticou durante o PSDB, a quem acusou de "apostar na desestabilização do governo e que vem tomando atitudes cada vez mais decepcionantes", exercendo o "papel de ator coadjuvante".

Apu Gomes: SÃO PAULO, SP, 07.12.2012: PHILIPPE VAN PARIJS/SP -

Leia aqui a íntegra da entrevista.

do site Brasil247

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