segunda-feira, 31 de outubro de 2016


“Venezuela não é Brasil”: golpistas que tentarem derrubar Maduro vão topar com Forças Armadas


No último domingo, dia 23, a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma declaração afirmando haver uma "ruptura da ordem constitucional e a existência de um golpe de Estado" em curso no país
no Nocaute
No último domingo, dia 23, a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma declaração afirmando haver uma “ruptura da ordem constitucional e a existência de um golpe de Estado” em curso no país, supostamente cometido pelo governo de Maduro em relação ao bloqueio do referendo revogatório. Ontem, em meio a protestos dos chavistas, a mesma Assembleia iniciou um julgamento político que pode levar à destituição do atual presidente Nicolás Maduro, embora a Constituição venezuelana não preveja qualquer forma de impeachment.
Enquanto o povo saía às ruas gritando “Venezuela não é Brasil”, o ministro da Defesa, general Padrino Lopez, apareceu na televisão cercado por outros treze generais do Alto Comando Militar, todos em traje de campanha, para anunciar: golpistas que tentarem derrubar Maduro vão topar com a férrea resistência das Forças Armadas.
Veja os principais momentos da fala do general López:
“Seu verdadeiro propósito não é outro senão afetar gravemente a institucionalidade do país mediante o caos e a anarquia, para finalmente derrubar o governo legitimamente estabelecido do senhor Nicolás Maduro Moros. Para nós Maduro não é representante de uma parcela política, mas o presidente constitucional e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, que exerce a suprema autoridade hierárquica e a quem reiteramos nossa incondicional lealdade e o inquebrantável compromisso de cumprir e fazer cumprir fielmente a suprema lei da República, que se constitui num pacto de convivência para todos os que vivemos nesta abençoada terra.
Convém ressaltar o respeito que sentimos por todos aqueles que elegeram os atuais deputados da Assembleia Nacional, o mesmo respeito professamos pelos que elegeram o atual Chefe de Estado.
Tudo o que ocorreu nos últimos dias, sem margem a dúvidas, encarna um grave atentado contra a soberania e independência nacional, pois viola flagrantemente o principio de autodeterminação dos povos, assim como serve à cobiça imperial do sistema capitalista mundial.
Em consequência, não nos cansaremos de repetir: quem, sob qualquer pretexto, pretender intervir no solo sagrado da pátria, topará com a férrea resistência dos filhos e filhas de Bolívar e de Chávez, em sua irredutível disposição de defender com a vida cada espaço do território nacional e cada conquista social alcançada. Da mesma forma, exigimos respeito à Constituição e às leis da República.”
Publicado no site o Cafezinho

sexta-feira, 28 de outubro de 2016


Comentário deste Blogueiro: Publico mais uma excelente analise do jornalista Luis Nassif sobre este momento politico que se passa no Brasil em 2016, lembro que este jornalista dois anos antes já desenhava o cenário de golpe a la Paraguai armado pelas elites com setores do poder judiciário com parlamentares e o então vice-presidente envolvidos em corrupção, golpe este para minar a com a democracia e varrer para debaixo do tapete o período LULA/DILMA. Porem como tem dito o ex-presidente LULA sem a participação e a consulta ao povo ninguém terá a legitimidade e a tranquilidade para dirigir um pais com mais de 200 duzentos milhões de habitantes.



SEX, 28/10/2016 - 06:50
               
Peça 1 – a guerra dos vencedores
O golpe teve dois movimentos.
No primeiro, bastou um governo inerte e um movimento de manipulação da opinião pública para criar a figura do inimigo. Não havia riscos em afrontar o poder e havia as vantagens de se alinhar ao bloco dos vencedores.
Houve uma debandada geral do navio petista e dilmista, de parlamentares aliados a magistrados, de autoridades que ascenderam nas ondas do lulismo a petistas arrependidos.
Foi uma celebração que reuniu a malta da Câmara aos PhDs do Ministério Público, dos torquemadas da Lava Jato aos bruxos do Senado, que permitiu um exercício amplo da hipocrisia, com os presidenciáveis do PSDB propondo a fogueira aos adversários do PT, pelos mesmos pecados que ambos praticaram, enquanto Ministros do Supremo e o Procurador Geral se confraternizavam no meio da turba, agraciados com placas moldadas em chumbo quente e selfies apontando-os como salvadores da honra nacional.
O grande porre da hipocrisia nacional chegou ao fim. Agora, entra-se no segundo tempo.
Peça 2 – os agentes (não) moderadores
Perpetrado o maior ato de subversão da moderna história do país – a deposição por motivo fútil de uma presidente eleita – romperam-se os cordões do equilíbrio institucional, tanto nas relações entre os poderes, como na própria disciplina interna de cada poder.
Tem-se agora, uma guerra intestina, entre e intra-poderes, com poucos agentes moderadores.
O STF
Deflagrada esta semana, a Operação Métis – que deteve policiais do Senado que estavam fazendo varreduras em casa de senadores – é um fenômeno típico da desordem institucional do país. Os policiais cumpriam ordens. Os mandantes eram senadores, mais que isso, o próprio presidente do Senado. Qualquer intervenção teria que ter a autorização expressa do Supremo.
Em vez disso, um juiz de 1à instância autorizou a prisão dos funcionários do Senado, com a mesma sem-cerimônia com que PMs invadem bares de São Paulo e Rio para espancar clientes.
O mais grave da história não foi o explícito abuso de autoridade, mas a defesa do juiz pela presidente do Supremo, Carmen Lúcia. Ficou-se à beira de uma crise institucional, corrigida a tempo pela decisão do Ministro Teori Zavascki de segurar a operação e, por vias indiretas, enquadrar a presidente.
O episódio confirma a falta de noção de Carmen Lúcia. E fornece sinais claros sobre sua estratégia.
Não será um agente da paz e da concórdia, mas um instrumento para acirrar a guerra política.
Ela tem lado – o de Aécio Neves – e uma vontade imensa de exercer o mando e o protagonismo político, inversamente proporcional ao seu conhecimento das estruturas de poder. Seu trabalho consistirá em enfraquecer os aliados peemedebistas e investir contra o governador mineiro Fernando Pimentel.
Portanto, tem-se na presidente do Supremo um ponto de instabilidade.
A Lava Jato e o PGR
Dia desses, um investigador da PF ousou dar uma entrevista e imediatamente foi enquadrado pelo comando. A PF tem lado, mas tem comando.
Já o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot tornou-se um ponto morto. Em dias distantes, ousou confrontar a Lava Jato, recebeu de volta a ameaça de demissão coletiva e definitivamente refugou.
Hoje em dia, é incapaz, sequer, de responder aos ataques que a instituição recebe do Ministro Gilmar Mendes. Quem fala pelo Ministério Público Federal é o procurador Carlos Fernando Santos Lima. É ele que investe contra os que tentam enfraquecer o MPF e a Lava Jato.
A falta de comando de Janot será crucial quando se ingressar na guerra mundial que se avizinha.
A Polícia Federal
A Operação Acrônimo, em Minas Gerais, é um abuso de poder e uma politização da PF mais grave que a própria Lava Jato. É toda baseada em um marqueteiro suspeito, o tal de Bené. Um dia, a PF detém  Bené e solta trechos da sua delação. Depois, solta o Bené. Mais tarde, prende de novo o Bené para novas averiguações e novas manchetes. É um movimento contínuo de marola, com o único intuito de impedir o governador de governar.
O caso Bené é elucidativo. Montou-se a operação em pleno segundo turno das eleições. Pimentel já estava eleito, mas se pensava em influenciar a campanha para presidente.  Ele foi detido em um avião com uma pasta com algum dinheiro. Bastou para se tentar tirar o mandato de um governador eleito. Na mesma época, descobriu-se um helicóptero com 500 quilos de cocaína – de propriedade de um senador mineiro – e não resultou em nada.
Tentou-se o impeachment do governador através da operação. Uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) matou a tentativa. Por 8 x 6 os ministros decidiram que qualquer tentativa de processo teria que ter autorização da Assembleia Legislativa.
Na semana passada, o Estadão já deu o mote: o Supremo, pautado por Carmen Lúcia, poderá apreciar a decisão do STJ.
O Senado
Em que pese as denúncias contra ele, o presidente do Senado, Renan Calheiros, é um dos poucos agentes moderadores no quadro atual. Tem noção da relevância do cargo, da responsabilidade institucional, da importância de preservar o espaço de mediação Senado em meio ao tiroteio. Mas está vulnerável.
Peça 3 – os fatores de instabilidade
Esse quadro de poucos agentes moderadores, de mediocrização do alto comando institucional, torna mais perigosos os movimentos desestabilizadores.
1.     Lava Jato
Continuará tentando manter seu protagonismo político.
Até agora, os procuradores acreditavam que conseguiram romper a muralha que protegia a elite brasileira graças ao seu extraordinário trabalho (e a ajuda indispensável da cooperação internacional), com o apoio desinteressado da mídia.
Daqui para frente irão se confrontar com as verdadeiras estruturas de poder, o pacto tácito entre mídia, lideranças tucanas, a PGR e os Ministros mais combativos do STF. E perceberão a diferença entre bater em um governo inerte e investir contra o poder real.
Será um embate curioso.
Embora haja  uma clara tomada de posição de toda a Lava Jato contra Lula/PT e a favor do PSDB, a mina Lula está prestes a se esgotar. Para sobreviver, a Lava Jato terá que virar o disco. E virar o disco significará romper com o pacto de impunidade do PSDB.
Não é por outro motivo que Gilmar Mendes e seus blogueiros começaram a bater forte na operação e em Sérgio Moro.
Sempre haverá maneiras de procrastinar, valendo-se da estratégia padrão. Periodicamente, divulga-se uma denúncia ou outra contra um parlamentar aliado. Não permanece mais que um dia nos jornais. Procuradores e delegados tem o poder de controlar os fluxos seguintes de vazamentos, para uma mídia pouco propensa a dar espaço contra os seus. Depois, no âmbito do STF – para onde irão os acusados com foro privilegiado – a PGR poderá se valer do fator tempo de acordo com seus critérios. Bastará colocar mais gás em alguns processos que nos outros, para controlar os efeitos políticos.
Mesmo assim, a mega-delação da Odebrecht significa artilharia pesada a todos os frequentadores do saloon, em um momento em que a blindagem do PSDB passou a incomodar até a opinião a pública não alinhada.
2.     Economia andando de lado
O único fator capaz de legitimar a gestão Michel Temer seria uma eventual recuperação da economia. Mas não espere recuperação da economia com o governo Temer. Não existe nenhum fator de demanda no horizonte:
·       O aumento dos gastos fiscais não priorizou investimentos.
·       A política monetária do BC eleva de tal maneira a TIR (Taxa Interna de Retorno) para novos investimentos, que praticamente os inviabiliza.
·       A apreciação do câmbio inverteu novamente a balança comercial, desestimulando as exportações.
·       Para 2017 espera-se um aperto fiscal ainda maior, na véspera de um ano eleitoral.
·       A questão da segurança jurídica foi para o espaço tanto pela perda de legitimidade do governo Temer como pela atuação do MPF de criminalizar qualquer tipo de política pública e de contratos.
Virando o ano, ficará mais clara a incapacidade do governo Temer de virar o jogo econômico.
3.     A corrosão do governo Temer
Talvez o governo Temer entregue a PEC 241. Mas não vai entregar a reforma da Previdência. Todos os membros da camarilha que tomou o poder – incluindo o próprio Temer – estão nas delações da Odebrecht.
Além disso, Temer não possui a menor envergadura moral e política para articular um arranjo entre os poderes, que permita baixar a fervura política. É politicamente pequeno, desinformado, domina as mesóclises, mas não os rituais do cargo, e não tem envergadura para ser nem o líder político, nem o mediador com os demais poderes de que o momento necessita.
Peça 4 – o cenário imponderável
Está-se naqueles momentos de impasse, que abrem um leque enorme de possibilidades.
Tem-se, de um lado, centros difusos de poder, articulando-se, reorganizando-se, mas de maneira caótica, sem um fio condutor, sem uma liderança clara, com algumas peças sem nenhum controle, como o canhão solto no convés do navio – como é o caso da Lava Jato.
Movem-se em um cenário caótico, sem a presença de agentes moderadores, nem sequer de lideranças articuladoras.
Nesse terreno movediço, há duas variáveis chave: a delação da Odebrecht e o julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da chapa Dilma-Temer.
Ambas são armas relevantes nas mãos de quem conseguir se articular melhor.
A eventual derrubada de Temer está condicionada aos seguintes fatores:
1.     Nenhum partido quer pegar o pepino de um governo provisório, a não ser no bojo de uma conspiração mais ampla, destinada a interromper as eleições de 2018.
2.     Por outro lado, a deterioração do governo Temer é uma ameaça geral. A desmoralização se acentuará com a não recuperação da economia, com os desmandos do seu ministério e com o aprofundamento do arrocho fiscal no próximo ano.
3.     Vive-se um caos institucional, no qual a presença de um presidente fraco não interessa a ninguém.
Há um conjunto de processos em andamento – conforme relatado em outros Xadrez -, como o maior protagonismo militar, mas ainda incipientes. Ainda não há um quadro maduro permitindo apostar todas as fichas em uma ou outra direção, embora ocorra um processo acelerado de deslegitimação de Temer.
Portanto, aos cenários que traço abaixo deve ser dado o devido desconto.
Cenário 1 – Temer se arrastando até 2018.
Cenário 2 – Temer sendo derrubado no TSE e sendo substituído por um presidente eleito indiretamente.
A eventual queda de Temer significaria o PMDB voltando ao seu papel de adjunto do poder. Mas dificilmente entraria um presidente alinhado com o PSDB, tanto pela herança pesada, como pelas divisões entre os tucanos e pelas resistências dos peemedebistas.
A hipótese de um tertius é a mais razoável.
Nesse caso, não deve ser menosprezada a alternativa Nelson Jobim, aventada recentemente. Tem senioridade, autoridade, preparo, transita bem por muitos setores.
A incógnita maior seria o conjunto de forças que o apoiaria e o perfil de seu governo: se se acomodaria a um governo de transição ou não.

O ministro Jose Serra do governo Michel Temer recebeu propina segundo delação da Odebrecht na Lava-jato


ODEBRECHT ENTREGA SERRA: R$ 23 MILHÕES EM CONTA SECRETA NA SUÍÇA

                       


Chega ao fim a carreira política do chanceler brasileiro José Serra; manchete da Folha desta sexta-feira informa que, em seu acordo de delação premiada, a Odebrecht revelou como pagou R$ 23 milhões ao candidato tucano à presidência da República, em 2010, numa conta secreta na Suíça; executivos da empreiteira prometeram entregar os recibos dos depósitos de um valor que, corrigido pela inflação, hoje seria de R$ 34,5 milhões; Serra foi um dos principais articuladores do impeachment da presidente Dilma Rousseff e, no gabinete de Michel Temer, pretendia se credenciar para chegar à presidência da República, mas foi o primeiro cacique abatido na nova fase da Lava Jato; sua continuidade no cargo é insustentável

247 – Não se sabe se será nas próximas horas, dias ou semanas, mas José Serra, atual ministro das Relações Exteriores, fatalmente perderá o cargo.

Ele é o primeiro grande nome da política brasileira cujo nome aparece na delação premiada da Odebrecht, cujo acordo foi fechado nesta semana.

De acordo com reportagem de Bela Megale, a Odebrecht revelou como pagou R$ 23 milhões ao candidato tucano à presidência da República, em 2010, numa conta secreta na Suíça, pelo caixa dois.

A operação foi articulada pelo ex-tesoureiro tucano Márcio Fortes e por Ronaldo Cezar Coelho, um banqueiro e político do PSDB tucano.

Os executivos da empreiteira também prometeram entregar os recibos dos depósitos de um valor que, corrigido pela inflação, hoje seria de R$ 34,5 milhões.

Serra foi um dos principais articuladores do impeachment da presidente Dilma Rousseff e, no gabinete de Michel Temer, pretendia se credenciar para chegar à presidência da República, mas sua continuidade no cargo é insustentável.

Em breve, ele deverá ser denunciado pela procuradoria-geral da República e Michel Temer, que também deve aparecer na delação da Odebrecht, não terá como mantê-lo no Itamaraty.

Procurado pela reportagem, Serra disse que não comentaria supostos vazamentos de supostas delações.

Publicado no site Brasil247

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Cai o golpista Michel Temer e quem assume o Brasil?

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Agonia e queda de Eduardo Cunha, por Urariano Mota

por Urariano Mota
Em que ponto da vida Eduardo Cunha se perdeu? Para o gozo da altura que desfrutou, quando era o substituto, e mais adiante seria o presidente da república, devemos perguntar: em que ponto do poder ele saiu da curva?
Se olharmos para a sua biografia, que se tornou uma ficha criminal, no começo vemos só indícios do grande furto que seria: em 1989, o economista e empresário Paulo César Farias, maneira de se referir ao caixa de Collor, o filiou ao Partido da Reconstrução Nacional (que nome, mas tudo é a ironia da realidade) e o misturou ao núcleo da campanha presidencial de Fernando Collor. Com pouco menos de trinta anos, o gênio Eduardo Cunha trabalhou como tesoureiro do comitê eleitoral no Rio de Janeiro. Em 1991, Collor o nomeou para o comando da Telerj. No papel de  presidente da companhia, criou uma comissão de licitação vinculada diretamente a seu gabinete. (A raposa cuidava das galinhas.) Elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 2002, pelo PPB, foi  reeleito pelo PMDB nas eleições de 2006, 2010 e 2014. O mais é público por fortes laudos criminais.
Nas recuperações histórias de suas entrevistas na televisão, mostra-se num cinismo cavalar desde o tempo das fraudes na Telerj. Ele sorri com escárnio por um canto dos lábios, olha de lado, interrompe a pergunta, argumenta com preciosismos de conceitos. Ele parece se dizer:  são uns babacas, sabem de nada. Sequer conhecem o significado de usufrutuário e dono de contas na Suíça. No Congresso, a sua prática foi comprar, corromper, ameaçar e intimidar, nem sempre nessa ordem.
Mas onde, em que ponto Eduardo Cunha se perdeu?  Se olharmos as datas, vemos que em 17/04/2016 apresentou o impeachment de Dilma Roussef. Seis meses depois, em 19/10/2016, é preso. Mas como é que foi tão depressa de salvador da pátria a ladrão favorito? É que na sua intensa ficha criminal, o chantagista acrescentou o crime de sequestro, na medida em que procurou fazer da então presidenta Dilma uma refém.
O poderoso presidente do Congresso Eduardo Cunha já havia sequestrado o Congresso e, como bom criminoso, aumentava o preço do resgate a cada votação. Ele chegou a sacrificar o Brasil para exercer o próprio arbítrio e delinquência. Na sua decisão afirmou que abriu o impeachment contra a presidenta por estas razões: “o governo Dilma não é uma crise exclusivamente econômica, mas também política e, sobretudo, moral...”.  E mais: “tenho defendido que, a despeito da crise moral, política e econômica que assola o Brasil...”. E entregou a vítima às feras do congresso, grande mídia e judiciário.
É simples e elementar, a experiência humana sustenta: o sequestrador não pode perder a sua vítima. Quando Eduardo Cunha entregou a presidenta ao   impeachment, ele perdeu o valor de troca. E fez sumir o interesse em ser mantido como antes, quando o saudavam como o “malvado favorito”, apesar dos notórios e provados crimes.

Agora, ele se torna agora um homem-bomba,  em mais de um sentido. No de causar a morte política em quem estiver a seu redor e no sentido próprio, que fere fundo a si mesmo. Enquanto escrevo, as notícias precipitam o seu abismo e ladeira.  O chão é o limite, porque gritam os títulos: “Para Lava Jato, filhos de Cunha participaram de ‘série de fatos criminosos’". Para os procuradores da Força Tarefa da Operação Lava Jato, há evidências de que três filhos do ex-deputado federal Eduardo Cunha participaram de uma ‘série de fatos criminosos graves’ como o recebimento de propinas e lavagem de dinheiro.  

Ele está morto? Ainda não. Eduardo Cunha guarda como última moeda os crimes dos amigos corruptos com quem se relacionou. Ele possui muitos dados para a chantagem. Difícil, no seu próximo lance, é saber como usar, como lançar os dados que não o projetem de vez para muito longe da curva. Que não o empurrem para fora da vida.  Eduardo Cunha acredita em Deus, mas não quer dar o próximo passo até o paraíso.  ]
Publicado no GGN do jornalista Luis Nassif
                 O PLANO JUCÁ FRACASSOU. E AGORA, TEMER?

               



A presidente Dilma Rousseff foi afastada porque não conseguiu oferecer proteção à classe política, diante da Lava Jato, e não pelo motivo alegado das pedaladas fiscais; o que muitos caciques esperavam é que seu substituto, Michel Temer, fosse capaz de colocar em prática o plano do senador Romero Jucá (PMDB-RR) de "estancar essa sangria", num acordão que envolveria até o Supremo Tribunal Federal; no entanto, o tiro saiu pela culatra; Eduardo Cunha foi preso e pode levar uma centena de deputados; além disso, os principais senadores do PMDB estão na linha de tiro e o próprio Senado foi alvo de uma inédita batida policial; incapaz, assim como Dilma, de oferecer proteção, é Temer quem agora passa a correr riscos

247 – Por que a presidente Dilma Rousseff foi afastada do cargo? Oficialmente, em razão das "pedaladas fiscais", uma prática comum a praticamente todos os governos.

No entanto, Brasília inteira sabe que o motivo real foi outro. Dilma não conseguiu deter a Operação Lava Jato, oferecendo proteção à classe política. Muitos deputados e senadores chegaram até a desconfiar de que Dilma pretendia levar a operação ao limite, provando que ela, e apenas ela, não tinha rabo preso com a corrupção.

Foi nesse contexto em que surgiu a conversa entre o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, revelando a real natureza do processo de impeachment. Era necessário "estancar essa sangria", contendo a Lava Jato, num acordo que envolveria até o Supremo Tribunal Federal.

Eis a mercadoria que se esperava de Michel Temer.

Ele, no entanto, não foi capaz de entregá-la e hoje são seus aliados no processo de impeachment que entram na linha de tiro.

O principal deles, Eduardo Cunha, foi preso na última quarta-feira e, se vier a delatar, pode levar junto mais de uma centena de deputados, comprovando a tese de que o impeachment foi "uma assembleia de bandidos presidida por um bandido", como disse o escritor português Miguel Sousa Tavares.

Se isso não bastasse, os principais senadores peemedebistas foram alvo de acusações de propina nas revistas semanais, na mesma semana em que o Senado foi alvo de uma inédita batida policial.

Sem resultados na economia, com popularidade baixíssima, e incapaz de proteger a classe política, é Temer quem, a partir de agora, entrará na mira dos mesmos políticos que derrubaram Dilma.

Publicado no Brasil247

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Não só o ministro Teori mas o STF todo pecaram por omissão no golpe contra a democracia no Brasil!

Carta aberta a Teori: por que o senhor demorou tanto a afastar Eduardo Cunha? Por Paulo Nogueira 


Postado em 14 Sep 2016
Uma escolha desastrada de Dilma
Uma escolha desastrada de Dilma
Caro Teori:
Seu papel no golpe foi infame. Abjeto. Contribuiu, e muito, para o sucesso do impeachment. E ajudou também extraordinariamente para a péssima imagem do SFT para vastas porções de brasileiros.
A questão que um dia o senhor terá que responder é esta: por que o senhor demorou uma eternidade para afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara?
O senhor já tinha ciência de todos os crimes de Eduardo Cunha, minuciosamente documentados num documento que lhe foi passado pelo Ministério Público.
Qual foi a lógica em permitir que um gangster comandasse, do seu jeito, um processo do qual poderia resultar, como aconteceu, a destruição da democracia?
O tamanho da monstruosidade que o senhor cometeu se comprovou com o fato de que Cunha foi afastado tão logo executou o serviço sujo.
O senhor não teve sequer o cuidado de esperar algum tempo para fazer o que deveria ter feito muito tempo antes. O sicário matou, conforme a encomenda, e então foi descartado.
Na proteção a Cunha enquanto ele tratava de destruir a democracia, o senhor esteve na companhia de toda a imprensa. Isso conta muito.
Um psicopata, um criminoso foi protegido pelo senhor e pela mídia porque ele fazia algo do interesse de vocês. Vocês agiram como sócios numa empreitada sinistra.
Numa demonstração do absoluto desprezo dos juízes do STF pela opinião pública, o senhor jamais se dignou a explicar a sua sinistra demora. Num uma única palavra, como se fosse normal fechar os olhos por meses e meses para um monstro moral no gozo de imenso poder.
Jamais entendi, dados os fatos, como o senhor pôde ter sido escolhido por Dilma para o STF. Foi um erro espetacular.
Roosevelt, nos Estados Unidos, logo percebeu ao ser eleito que jamais emplacaria seu New Deal com a Suprema Corte conservadora que herdou ao assumir a Casa Branca.
Foi reeleito vezes suficientes para montar uma Suprema Corte progressista. Escolheu com imenso cuidado cada juiz a cada vaga que se abria. Só assim o New Deal pôde ser materializado.
O PT fez o oposto de Roosevelt, com as consequências sinistras que estão aí.
O senhor é um prova disso.
Sinceramente.
Paulo
Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.

Publicado no Diário do Centro do Mundo

Desemprego no Brasil passa dos 12%

Seja um "empreendedor" por Paulo Henrique Amorim.



Indicado aos batedores de panelas que sumiram do mapa!

Publicado no blog Conversa afiada do Jornalista Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Eles estão condenados a condenar e se não o fizerem serão desmoralizados, diz Lula

                         
Jornal GGN – A terça-feira trouxe um longo artigo do ex-presidente Lula na Folha. O artigo discute tantos pontos levantados por acusações sem provas e a perseguição sem descanso para enterrar um projeto de Brasil, que não é dele, mas de todo um povo. Lula debate as falsas acusações e se pergunta como podem acreditar que ele é o chefe de uma quadrilha e tenha recebido um butim tão pequeno. Um pouco estranho.
Lula pontua seus 40 anos de vida pública, onde foi duplamente sério por saber que um operário jamais poderia pensar em falhar. E mais, que as acusações, longe de visar somente sua pessoa, queriam acabar com o projeto de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.
O ex-presidente aponta a devassa a que sua vida e a de seus familiares estão sofrendo: contas, grampos, vazamentos descontextualizados, condução coercitiva, tudo para buscar um crime que não há. E isso não vai ser encontrado porque não existe.
Diz que desde que a caçada começou não abriu mão de se defender na Justiça contra todos esses ataques, mas sem abrir mão de sua agenda pelo país. Diz que não se curva em lamúrias, mas ganha forças novas para a batalha.
Mas não é possível se calar diante de tudo isso, e o ex-presidente não se cala. Denuncia, também neste artigo, as arbitrariedades e perseguições que permeiam este processo que só pensa em criminaliza-lo, a qualquer preço, mesmo que o preço seja nossa frágil democracia e as conquistas sociais tão ansiadas pelo povo brasileiro, pelo menos os mais pobres e não os representantes do 1% mais rico.
Lula afirma que seus acusadores bem sabem que não roubou nem se corrompeu, muito menos tentou obstruir a justiça. Mas não podem admitir e recuar depois do massacre que promoveram com a ajuda da grande mídia. Eles tanto fizeram por aparecer que se tornaram prisioneiros de suas mentiras e precisam continuar alimentando reportagens falaciosas e mal apuradas. Segundo Lula, eles estão condenados a condenar, e se não o fizerem serão desmoralizados perante a opinião pública.
Leia o artigo de Lula a seguir.
na Folha
Por Luis Inácio Lula da Silva
Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.
Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.
Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.
Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.
Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.
Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.
Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.
Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma "organização criminosa", e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que "não há fatos, mas convicções".
Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do "chefe", evidenciando a falácia do enredo.
Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.
De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.
Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.
Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.
A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.
Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.
Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?
Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.
Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.
É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.
Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.
Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA foi presidente do Brasil (2003-2010). É presidente de honra do PT (Partido dos Trabalhadores)
 Publicado no GGN do jornalista Luis Nassif