terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Como o dinheiro do Narcotráfico do caixa 2 dos politicos corruptos atua via Offshores no Brasil

Explicada a venda de terras para estrangeiros, por Sérgio Palhano

SEG, 27/02/2017 - 15:07
ATUALIZADO EM 27/02/2017 - 15:08


Lavagem está sendo institucionalizada, com manobra de fundos e pressa de oficializar compra e venda de ativos em 30 dias





Comentário do post: ‘O primeiro amigo Yunes, a holding Maraú e o encontro dos bilionários’

Por Sérgio Palhano

Sensacional! Agora teremos a lavagem de dinheiro institucionalizada pelo governo com a abertura para compra de terras por estrangeiros. Está explicada a pressa de Meireles em oficializar mecanismos de vendas de ativos em 30 dias, conforme anunciado recentemente.

Fundos de investimento espalhados pelo mundo controlando Offshore em paraíso fiscal que detém o controle de empresa nacional, cujo objetivo é comprar e vender ativos imobiliários e exploração de atividade agrícola ou extrativista.

Trocando em miúdos pega-se o caixa 2, o dinheiro de drogas, trafico de armas etc, converte-se em dólares através de doleiro, compra-se cotas de investimentos em fundos nos paraísos fiscais e no dia seguinte você recebe em casa cotas de participação em empreendimentos imobiliários, terras agricultáveis e de mineração perfeitamente legais aqui no Brasil.

Publicado no jornal GGN

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

NO BRASIL PETROLEIRAS FIZERAM LOBBY PELO FIM DO CONTEÚDO NACIONAL NO PETRÓLEO


                       


A articulação pelo fim do conteúdo nacional no setor de óleo e gás, que segundo associações empresariais brasileiras pode eliminar 1 milhão de empregos num país que já tem 13 milhões de desempregados, foi liderada pelo IBP – Instituto Brasileiro do Petróleo; sediada no Rio de Janeiro, a entidade tem entre seus associados multinacionais como Shell e Chevron e argumenta que o fim do conteúdo nacional pode destravar investimentos no setor de óleo e gás; com a chegada de Michel Temer ao poder, não só o pré-sal foi entregue a companhias internacionais, como as plataformas poderão ser construídas fora do Brasil, matando a política industrial para o setor; empresários brasileiros agora se dizem traídos por Temer

247 – Quando Edward Snowden revelou a espionagem executada pela NSA, agência americana de segurança, soube-se que o Brasil era um dos países mais espionados pelos Estados Unidos e que o foco do interesse era o pré-sal.

Antes disso, documentos do Wikileaks indicaram que o senador José Serra (PSDB-MG), ex-chanceler de Michel Temer, havia prometido à multinacional americana Chevron a abertura do pré-sal.

No ano passado, quando se concretizou o golpe contra a democracia brasileira, a presidente eleita Dilma Rousseff garantiu que o pré-sal seria a primeira vítima do novo regime.

Não deu outra. Temer fez de Serra seu chanceler e o governo aprovou a abertura do pré-sal. Se isso não bastasse, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, cedeu a empresas estrangeiras, como Total e Statoil, blocos inteiros da companhia.

Na semana passada, no entanto, veio a grande surpresa. Temer praticamente eliminou, por decreto, as exigências de conteúdo nacional no setor. Ou seja: agora, plataformas inteiras, assim como tubos e equipamentos de perfuração poderão vir da China, de Cingapura e outros países.

Sentindo-se traída por Temer, a indústria brasileira anunciou que cerca de 1 milhão de brasileiros deverão perder seus empregos, num Brasil pós-golpe que já tem 13 milhões de desempregados – saiba mais na entrevista de Cesar Prata, que comanda a área de óleo e gás da Abimaq e apontou uma relação incestuosa entre o governo Temer e as multinacionais do petróleo.

Por trás do lobby pelo fim do conteúdo nacional, está uma entidade, o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), que reúne as grandes multinacionais do setor. Em Brasília, o IBP contratou os serviços da Arko Advice, do cientista político Murilo Aragão, que disse ao 247 ter feito um trabalho de inteligência e monitoramento legislativo para o IBP.

O fato é que a mudança veio imposta de cima para baixo – e nem passou pelo Congresso. Ao mesmo tempo em que o ministro licenciado da Casa Civil, Eliseu Padilha, negociava com empresários brasileiros a questão do conteúdo nacional – havia uma reunião marcada para quarta-feira de cinzas – o ministro Fernando Bezerra, de Minas e Energia, já anunciava para as multinacionais o fim do conteúdo nacional.

O resultado hoje é uma inusitada aliança entre trabalhadores e empresários. Tanto a Federação Única dos Petroleiros como as entidades empresariais, que se reuniram numa entidade chamada Produz Brasil, avaliam que o projeto entreguista de Temer não só entregou o pré-sal, como toda a cadeia produtiva do setor. "Perdemos uma batalha, mas não a guerra", diz Cesar Prata, do Produz Brasil. "Há estudos que mostram que com mais investimentos, outros empregos serão criados", pontua Murilo Aragão, que foi contratado pelo IBP.

Em nota enviada ao 247, o IBP justificou sua posição. Confira abaixo:

O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, IBP, avalia que as novas regras de conteúdo local anunciadas hoje representam uma importante simplificação e adequação das regras à capacidade de fornecimento da indústria nacional e vão colaborar para destravar investimentos, gerar empregos e estimular maior competição na 14ª rodada de licitações de blocos.

Para o IBP, a definição de índices globais por segmentos representa um avanço frente ao modelo atual, e acreditamos que traz uma sinalização de que se persegue o caminho de maior atratividade para os projetos futuros, cenário que favorece novos investimentos na indústria de óleo e gás no Brasil.

O IBP entende que o diálogo do setor de óleo e gás com as autoridades governamentais e a indústria nacional amadureceu e avançou durante as discussões sobre conteúdo local na direção de regras que estimulam o investimento e a geração de empregos no Brasil.

Publicado no Brasil247

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Empresario amigo do presidente Michel Temer recebeu e repassou propina para comprar deputados

Yunes: Temer sabia de tudo e propina da Odebrecht pagou 140 deputados
                 

O empresário José Yunes decidiu disparar um tiro no peito de Michel Temer; em entrevista ao jornalista Lauro Jardim, Yunes afirmou que Temer, seu melhor amigo, sabe que ele foi usado como "mula" por Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil; "mula" é um termo do tráfico de drogas que designa a pessoa usada para transportar drogas para terceiros; Yunes disse ter recebido Lúcio Funaro em seu escritório, a pedido de Padilha; no encontro, Funaro lhe contou que estava financiando 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados; Yunes decidiu falar depois que apareceu nas delações da Odebrecht; de acordo com o delator Cláudio Melo Filho, da propina de R$ 11 milhões acertada com Temer, R$ 4 milhões foram entregues no escritório de Yunes; Padilha acaba de se licenciar do cargo alegando razões médicas

247 – O empresário José Yunes decidiu disparar um tiro no peito de Michel Temer, seu parceiro e melhor amigo há várias décadas.

Mais do que simplesmente delatar Eliseu Padilha (saiba mais aqui), ministro da Casa Civil que acaba de pedir licença do cargo, ele afirmou que Temer sabia de tudo.

Em entrevista ao jornalista Lauro Jardim, Yunes afirmou que Temer, seu melhor amigo, tem conhecimento de que ele foi usado como "mula" por Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil – "mula" é um termo do tráfico de drogas que designa a pessoa usada para transportar drogas para terceiros.

Na entrevista, Yunes disse ter recebido Lúcio Funaro em seu escritório, a pedido de Padilha. No encontro, Funaro lhe contou que estava financiando 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados.

"Contei tudo ao presidente em 2014. O meu amigo Temer sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre. Eu decidi contar tudo a ele porque, em 2014, quando aconteceu o episódio e eu entrei no Google e vi quem era o Funaro, fiquei espantado com o 'currículo' dele. Nunca havia conhecido o Funaro", disse Yunes a Jardim.

Segundo Yunes, Funaro afirmou que estava em curso uma estratégia para eleger uma bancada fiel a Cunha, para conduzi-lo à presidência da Câmara. "Ele me disse: 'A gente está fazendo uma bancada de 140 deputados, para o Eduardo ser presidente'. Perguntei: 'Que Eduardo?'. Ele respondeu: 'Eduardo Cunha'".

Yunes decidiu falar depois que apareceu nas delações da Odebrecht. De acordo com o delator Cláudio Melo Filho, da propina de R$ 11 milhões acertada com Temer, R$ 4 milhões foram entregues no escritório de Yunes. Por isso mesmo, ele se antecipou e procurou também o Ministério Público para dar sua versão dos fatos.

Tais recursos foram acertados num jantar entre Michel Temer e Marcelo Odebrecht, no Palácio do Jaburu, em 2014, com a presença de Padilha. O dinheiro saiu do departamento de propinas da empreiteira e ajudou a bancar a eleição de Cunha para a Câmara. Uma vez eleito presidente, Cunha passou a sabotar o governo da presidente eleita Dilma Rousseff e aceitou um pedido de impeachment sem crime de responsabilidade, abrindo espaço para que Temer chegasse ao poder.


Publicado no Brasil247

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Presidente da Camara dos deputados recebeu propina da construtora Delta

Cavendish, da Construtora Delta, delata propina a Rodrigo Maia 
 
                     

O empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta, decidiu delatar o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Câmara dos Deputados; em seu acordo, ele afirmou que Maia recebeu R$ 3 milhões como contrapartida pelas obras da construtora no Engenhão – contrato obtido quando seu pai, Cesar Maia, era prefeito do Rio de Janeiro; Cavendish disse ainda que Maia levou ainda outros R$ 500 mil; primeiro homem na linha de sucessão presidencial, Maia também aparece nas delações da Odebrecht, como o "Botafogo", e da OAS; delatado, ele se enfraquece para conduzir reformas impopulares, como a da Previdência, que pode deixar 70% dos brasileiros sem aposentadoria.

247 – Além dos apuros de Michel Temer, que foi delatado por seu melhor amigo José Yunes (leia aqui), seu sucessor natural, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), também está em apuros.

Maia foi delatado pelo empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta, segundo aponta reportagem de Rodrigo Rangel, em Veja.

Em seu acordo, Cavendish afirmou que Maia recebeu R$ 3 milhões como contrapartida pelas obras da construtora no Engenhão – contrato obtido quando seu pai, Cesar Maia, era prefeito do Rio de Janeiro.

O empreiteiro afirmou, ainda, que Maia levou ainda outros R$ 500 mil.

Primeiro homem na linha de sucessão presidencial, Maia também aparece nas delações da Odebrecht, como o "Botafogo", e da OAS.

Delatado, ele se enfraquece para conduzir reformas impopulares, como a da Previdência, que pode deixar 70% dos brasileiros sem aposentadoria, segundo um estudo do Dieese.

Maia não se pronunciou sobre a denúncia feita por Cavendish.

Publicado no Brasil247

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O ministro de relações exteriores do Brasil Jose Serra pede demissão apos ser delatado na operação Lavajato por ter recebido propina da Odebrcht


                      DELATADO PELA ODEBRECHT, SERRA PEDE DEMISSÃO 
                         
Alegando motivos de saúde, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, pediu demissão do governo Michel Temer nesta quarta-feira 22; "Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que são do conhecimento de Vossa Excelência, os quais me impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler", diz ele na carta; segundo o tucano, o tempo para sua recuperação, de acordo com os médicos, é de quatro meses; Serra foi delatado pela Odebrecht acusado de ter recebido R$ 23 milhões em propina na Suíça


247 - O ministro das Relações Exteriores, José Serra, pediu demissão do governo Michel Temer nesta quarta-feira 22. Primeiro tucano a integrar a equipe de Temer, Serra alegou motivos de saúde na carta em que pediu sua exoneração.

"Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que são do conhecimento de Vossa Excelência, os quais me impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler", diz Serra.

Segundo o tucano, o tempo para sua recuperação, de acordo com os médicos, é de quatro meses. "Para mim, foi motivo de orgulho integrar sua equipe", afirma.

Serra é acusado pela Odebrecht, em delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, de ter recebido R$ 23 milhões em propina na Suíça.





Publicado no Brasil247

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Carnaval de rua em São Paulo finalmente pegou, o povo adorou ir pras ruas brincar


A alegria insolente do paulistano saiu do controle

Milhares vão às ruas e ignoram regras da Prefeitura, que tentou limitar o público dos blocos 

Multidão no Largo da Batata no bloco 'Casa Comigo', sábado. 



WHITAKER REUTERS

MARINA ROSSI

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São Paulo   21 FEV 2017 - 01:00 CET

Os vagões do metrô de São Paulo ficaram abarrotados de noivas, abelhas, joaninhas, gregos, índios e melindrosas. Na Linha Amarela, o capeta se encontrava com o anjo, enquanto lá fora muita gente se desesperava no trânsito por não conseguir se locomover em vários pontos da cidade mal sinalizada. Nos blocos, o cortejo fluía perfeitamente. Às vezes uma sereia beijava um palhaço obstruindo a passagem. Findado o beijo, a multidão seguia em frente. Assim foi dada a largada do Carnaval de São Paulo no último final de semana.
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Não faltaram fantasias de tigres, misses, Mario Bross, e tudo que a imaginação permitiu. Nem as altas temperaturas meteram medo nos foliões que estão se acostumando ao movimento de ocupar as ruas da cidade nesta época do ano. Pelo contrário. No domingo, enquanto o Instituto Nacional de Meteorologia apontava a marca do dia mais quente deste verão - os termômetros chegaram a 34,6 graus - o bloco Acadêmicos do Baixo Augustaarrastava 350.000 pessoas, segundo a secretaria de Cultura, pela rua que batiza o bloco. "Primeiramente a cidade é nossa", era o lema do bloco, um dos maiores da cidade, lembrando da onda de apropriação do espaço público.

Essa onda colaborou para que o público deste pré-carnaval em São Paulo superasse - e muito - a previsão da Prefeitura. Calculando que 250.000 pessoas passassem pelos cerca de 60 blocos da programação deste fim de semana, a administração municipal se surpreendeu ao se deparar com 750.000 foliões só no sábado. Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura ainda não havia divulgado o balanço dos dois dias. "A situação saiu um pouco do nosso controle por triplicar a quantidade de pessoas em relação ao previsto", afirmou Sérgio Avelleda, secretário de Transportes, nesta segunda-feira, ao jornal Bom Dia São Paulo, da TV Globo.

                   Folião brinca nas ruas de São Paulo neste fim de semana.
                      Folião brinca nas ruas de São Paulo neste fim de semana.  AG. BRASIL



Tentando se preparar para o evento, foram publicadas há duas semanas no Diário Oficial algumas regras para a festa de rua poder acontecer. Foram proibidos os trajetos em ruas e avenidas pelos bairros de Pinheiros e da Vila Madalena por onde, tradicionalmente, blocos passavam até o ano passado. A festa deveria acabar até as 20h e os blocos deveriam ter "até 20.000 pessoas".
Vinte mil pessoas por bloco? O limite colocado na festa por meio de um decreto colocou em dúvida a realização dos cortejos já que o público não sabia como esse controle seria feito. No final, o paulistano não só foi desobediente como fez piada com a tentativa de controle. "Daqui pra lá ninguém mais passa", gritava um folião, no meio do Bloco Soviético no sábado, fazendo piada com o limite de público. "Já tem 20.000 pessoas neste bloco. Agora chega", repetia, entre homens fantasiados de bailarinas e um outro vestido de banana.

Um muro no carnaval

No sábado à tarde, um grupo de cinco meninas com chapéu de palha mexicano, tipo sombreiro, vestia um pano estampado com desenhos de tijolos e descia a rua Augusta, em direção ao centro de São Paulo. Estavam fantasiadas de "muro de Trump". Logo atrás, um homem segurava uma cerveja e vestia a máscara do presidente norte-americano, inspirador da discórdia com os imigrantes mexicanos. A poucos metros dali, um casal vestido de cinza da cabeça aos pés fazia as vezes do "muro de Doria", menção ao episódio em que o prefeito de São Paulo pintou de cinza muros antes grafitados pela cidade. Um par de foliões vestiu-se de gari, em mais uma homenagem ao prefeito tucano que já se notabilizou com seu uniforme de varredor de ruas.
                    'Noivas' no carnaval de rua de São Paulo.
                   'Noivas' no carnaval de rua de São Paulo.  REUTERS


Se os foliões vestidos de gari ficassem ali por algumas horas a mais, corriam o risco de encontrar com o criador da fantasia: João Doria vestiu-se, mais uma vez, de varredor de rua e foi fiscalizar a limpeza das vias pela cidade depois que a multidão passou por diversos bairros da cidade, principalmente da zona oeste e centro.
Com as ruas lotadas acima do previsto e o lixo espalhado, Doria admitiu falha nos cálculos. “Houve preparação inferior ao que deveria ter sido. Falhamos, deveríamos ter previsto mais público”, disse o prefeito, no domingo. Nesta segunda, as ruas da cidade brilhavam, refletindo o glitter grudado no asfalto e confetes esparramados por algumas ruas... vestígios de sujeira ou memórias de um final de semana de alegria? Depende do humor de quem interpreta.
Duas semanas antes, a Prefeitura anunciara a contratação de 14.000 diárias de banheiros químicos para atender os blocos. A quantidade de mijões nas ruas, no entanto, revelou que a iniciativa da Prefeitura foi pouca para tanta cerveja... Oito mil vendedores ambulantes estavam vendendo as latinhas e long necks por toda a cidade para dar conta dos foliões sedentos sob o forte calor. Não faltou catuaba, água, gelinho de vodka e drinques coloridos em bancas improvisadas. Os mais ousados cheiravam loló, apesar dos policiais espalhados pelas ruas e avenidas paulistanas. Era São Paulo tendo seus dias de circuito Barra-Ondina, de Salvador...
Talvez a tentativa de controle e a expectativa de público tenham sido a grande fantasia da Prefeitura neste Carnaval, que terá ao todo quase 400 blocos. Nos últimos anos, o paulistano redescobriu a cidade, num movimento que dificilmente tem volta e a festa pagã é um dos maiores símbolos de retomada do espaço público. E não vai ter muro nem decreto que controle a multidão descendo a rua Augusta cantando "Ê faraóóó" com uma garrafa de Catuaba na mão.
Publicação do El Pais

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Processo do MP de Minas Gerais chega nos operadores da propina do senador Aécio Neves

MP de Minas tira das sombras a dupla Bidu-Owaldinho, suspeita de cobrança de propinas como na Cidade Administrativa. E, agora, Aecinho?

20 de fevereiro de 2017 às 10h32
aécio bidu
Luiz Augusto de Barros (no topo, à direita), o Bidu, está sendo investigado junto com Oswaldo Borges da Costa Filho (o do meio), o Oswaldinho, num processo aberto pelo MP de Minas. Bidu foi arrolado como testemunha de defesa de Rogério Nora de Sá (abaixo), um dos diretores da  Andrade Gutierrez (AG) denunciados por lavagem de dinheiro, corrupção, pagamento de propina
Investigação do MP tira o Bidu das sombras
Ex-diretor da Andrade Gutierrez e da Codemig é alvo de processo em Poços de Caldas
Um processo aberto pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em Poços de Caldas, no Sul de Minas, por suspeita de superfaturamento em obra pública, tirou das sombras um misterioso personagem dos bastidores da política mineira. A ação judicial dá nome e sobrenome a Bidu, como era conhecido até então o ex-diretor de Obras da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) Luiz Augusto de Barros. Ele está sendo processado, junto com Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho, por suspeita de pagamento acima do preço da reforma das Thermas Antônio Carlos, na cidade.
Oswaldinho já estava sob os holofotes da Lava Jato desde que foi delatado por executivos da Odebrecht. Ele foi citado como auxiliar do então governador Aécio Neves (PSDB) em um suposto esquema de cobrança de propina nas obras da Cidade Administrativa – o que o atual senador e presidente nacional do PSDB nega. A Codemig financiou os mais de R$ 1,2 bilhão gastos na construção da sede de Executivo do Estado.
O nome de Bidu veio à tona em outubro do ano passado, pela voz do então candidato a prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PHS), poucos dias antes de vencer nas urnas seu adversário João Leite (PSDB), afilhado de Aécio. “Muito cuidado com o que vocês estão fazendo, viu Bidu? O Oswaldinho já está morando em Miami.
Muito cuidado com o que estão fazendo com o príncipe Aécio Neves. Eu avisei que não tenho medo e não estou para brincadeira. Cuidado, que o príncipe vai para a gaiola. Cuidado comigo!”, disparou Kalil em um vídeo intitulado “A hora da verdade”, publicado em suas redes sociais. As ameaças pararam por ali e Kalil não deu mais detalhes do que denunciava.
Em proporções menores, em Poços de Caldas, o Ministério Público encontrou um esquema semelhante ao da Cidade Administrativa. Ambas as obras estavam sob responsabilidade de Oswaldinho e Bidu e nelas há suspeitas de favorecimento a empreiteiras durante o processo licitatório e superfaturamento, através de aditivos.
Recentemente, o jornal “Folha de S. Paulo”, trouxe a informação de que o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior afirmou ter se reunido com Aécio Neves para tratar de um esquema de fraude em licitação na obra da Cidade Administrativa para favorecer as empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e OAS. O senador e presidente nacional do PSDB negou o conteúdo da colaboração.
O inquérito sobre as obras de Poços de Caldas, aberto há cerca de dois anos, investiga o contrato da Codemig com a construtora Perfil Engenharia, vencedora da licitação aberta ainda em 2011. O valor da reforma nas thermas seria de R$ 10 milhões, com previsão para durar dois anos. Após nove aditivos, o custo da obra subiu para R$ 15 milhões, 50% a mais que o valor original. Já a Cidade Administrativa foi anunciada por R$ 948 milhões em 2007. Com pelo menos 15 aditivos, foi inaugurada em 4 de março de 2010, tendo custado R$ 2,1 bilhões, segundo divulgou à época a assessoria de imprensa de Aécio. Na Codemig, a dupla comandou também obras polêmicas em São João del Rei, Araxá e Entre Folhas.
Executivo defendeu condenado
Enquanto investigava um esquema criminoso nas obras da usina de Angra 3, executada pela Eletronuclear, procuradores do Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro convocaram o executivo Luiz Augusto de Barros, conhecido como Bidu, a depor em 11 de março de 2016.
Barros foi arrolado como testemunha de defesa de Rogério Nora de Sá, um dos diretores da construtora Andrade Gutierrez (AG) denunciados por lavagem de dinheiro, corrupção, pagamento de propina, entre outros crimes.
Por videoconferência, Bidu foi ouvido por menos de cinco minutos pelo advogado de Rogério Nora, Eduardo Dall Agnoll, que fez poucas e rápidas perguntas sobre o comportamento social e profissional do cliente.
Ao iniciar o depoimento, Bidu declarou-se amigo de Nora, tendo-o conhecido na construtora em 1975. “Nos conhecemos quando fui responsável pela grande obra da Ferrovia do Aço, em Itabirito. Eu era responsável pelos viadutos e ele era um dos engenheiros responsáveis pela construção dos túneis da ferrovia. Diria que é um profissional de altíssima competência”, respondeu.
Conhecida como “Ferrovia dos 1.000 dias”, a obra foi iniciada em 1973, durante o regime militar. A ligação férrea entre Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro jamais teve um vagão sequer circulando em muitos trechos, como o de Belo Horizonte a Itabirito, passando por Sabará, ambas na região metropolitana. Só nesse segmento, foi abandonada uma sequência de seis túneis e quatro viadutos.
Em seu breve depoimento, Bidu disse desconhecer qualquer conduta que desabonasse o profissionalismo e o caráter de Rogério Nora. “O conceito que tenho dele é de uma pessoa de conduta ilibada, seja do ponto de vista profissional, seja do ponto de vista como amigo, seja do ponto de vista como chefe de família, como cidadão, sempre um elevadíssimo conceito”, finalizou a testemunha.
Reviravolta. Poucos meses depois, Rogério Nora e outros executivos da Andrade Gutierrez assinaram termo de colaboração premiada, onde revelaram os detalhes do esquema criminoso que beneficiou diversos políticos, entre eles o ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Nora foi condenado em setembro a uma pena de 17 anos, cumprindo 18 meses em regime semiaberto. O ex-executivo pode ser reconvocado para complementar a colaboração por supostos esquemas de corrupção em obras de outros Estados, delatados pela Odebrecht. (AD)
Carreira incluiu relações políticas
Nem tão conhecido no meio político, Bidu é figura de destaque no ramo da construção pesada. Foi na Andrade Gutierrez que Luiz Augusto de Barros fez carreira, tendo sido diretor da empreiteira durante 25 anos. O executivo representou a construtora na África e em Portugal, onde atuou em importantes obras, como o metrô de Lisboa. Bidu deixou a Andrade em 1997 e depois disso acumulou importantes cargos na área. Foi sócio da Empa, empresa de médio porte do segmento de obras rodoviárias; presidente da Camter Engenharia; presidente do Sindicato da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot-MG); diretor da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC).
Na gestão tucana em Minas, ele integrou o Conselho de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), onde permaneceu pelo menos até o fim de 2014, último ano das gestões PSDB-PP.
Quando ainda era prefeito de Belo Horizonte, em 2006, Fernando Pimentel (PT), atual governador do Estado, manteve relações com Bidu, à época presidente da Camter Engenharia. Naquele ano, a prefeitura contratou a empresa, com dispensa de licitação, conforme o processo número 01.077158.0654.
Bidu havia sido presidente do Conselho de Assuntos Legislativos da Fiemg na gestão Robson Andrade. A entidade foi acusada de pagar R$ 1 milhão por palestras de Fernando Pimentel, logo após este deixar a prefeitura e pouco antes de assumir o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (AD)
Publicado no Viomundo

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O presidente Temer e seu indicado na Caixa Econômica envolvido em propina segundo relatório da policia federal

MENSAGENS IMPLICAM BRAÇO DIREITO DE TEMER EM PROPINAS DA CAIXA 
                  

Afilhado político e um dos principais conselheiros de Michel Temer, Roberto Derziê, que ocupa a vice-presidencia de Governo da Caixa Econômica, está implicado em propinas na Caixa. Mensagens de celular entregues ao Ministério Público Federal pelo empresário Alexandre Margotto fazem referência à atuação de Derziê em negociações que resultaram em irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS); as mensagens indicam que a atuação beneficiaria empresas privadas; Derziê é uma indicação pessoal de Temer, e já tinha sido citado em um relatório da Polícia Federal (PF) sobre irregularidades na Caixa

247 - Mensagens de celular entregues ao Ministério Público Federal pelo empresário Alexandre Margotto implicam o braço direito de Michel Temer, Roberto Derziê, vice-presidente de Governo da Caixa Econômica, propinas no banco. As mensagens fazem referência à atuação de Derziê em negociações que resultaram em irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS). O conteúdo entregue às autoridades indica que a atuação beneficiaria empresas privadas. Derziê é uma indicação pessoal de Temer, e já tinha sido citado em um relatório da Polícia Federal (PF) sobre irregularidades na Caixa.

As informações são de reportagem de André de Souza em O Globo.

"A delação de Margotto foi homologada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília. As mensagens que citam Derziê foram escritas pelo ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Fábio Cleto, um colaborador da Operação Lava-Jato e ex-conselheiro do FI-FGTS. Em sua delação, Cleto já tinha apontado irregularidades nos investimentos do fundo na Eldorado, o que teria rendido propina ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Em 7 de agosto de 2014, Margotto encaminhou ao doleiro Lúcio Bolonha Funaro, então seu sócio, duas mensagens de Cleto tratando da participação de Derziê no esquema. Uma faz referência a outras duas vice-presidências da Caixa, a de Riscos, e a de Gestão de Ativos de Terceiros (Viter). “Tô em cima cobrando todo mundo. Pus Derziê para cobrar junto comigo e falamos com Risco e Viter. Esses caras tão foda e ainda estão dando trabalho para a empresa”, diz Cleto."

Publicado no Brasil247

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O projeto do metrô de Salvador e sua parceria publico privada que deu certo.

Por que o metrô de Salvador é um sucesso?

E a baiana Odebrecht está de fora...
publicado 17/02/2017
Estação Imbuí - Alto.jpg
Estação Imbuí (Linha 2) será finalizada em 2017 (Reprodução)
PHA: Eu entrevisto José Copello, presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia. Ele é responsável pelo sistema metroviário de Salvador e Lauro de Freitas, inaugurado em 11 de julho de 2014, composto de duas linhas com total de 41km de extensão, 23 estações, 10 terminais de ônibus integrados e o término dessa obra está previsto para 2017. Copello, como é que foi possível construir isso entre 2014 e 2017?
J. Copello: É um desafio muito grande. O Metrô de Salvador tem um histórico bastante negativo de obras iniciadas... Sob gestão do município de Salvador, foram iniciadas obras no ano de 2000, com projeto inicial de 12km - em 2013, só havia 6km de obras construídas e sem condições de operação. Então, em 2013, sob a gestão do governador Jaques Wagner, houve uma atitude bastante corajosa de buscar transferir esse empreendimento, que àquela altura já tinha quase R$ 1 bilhão públicos investidos e sem nenhum benefício para a população. Em 2013, foi feito um acordo entre o estado e a Prefeitura de Salvador, e essas obras paralisadas vieram para o Estado. Então, de imediato, o Estado já tinha feito uma modelagem para uma parceria público-privada e um mês depois de ter recebido do município colocou isso em licitação. Essa parceria público-privada foi definida em leilão na BOVESPA e foi vencedora a empresa CCR, que é uma concessionária - destaco aqui que a gente não contratou, não fez uma modelagem para contratar um obreiro, uma construtora, e sim contratar um serviço, com a concessão de 30 anos. Esse detalhe é muito importante para explicar o resultado que nós estamos tendo hoje.

Estação Pirajá, parte da Linha 1 (Reprodução)
PHA: Qual é a diferença entre contratar por serviço e contratar uma empreiteira?
J. Copello: Basicamente a principal diferença está na questão da matriz de risco. Nós estamos acostumados e vemos tantas obras públicas paralisadas por diversos motivos - e no sistema de obra pública convencional, praticamente todos os riscos são assumidos pelo contratante. Então, o poder público faz um projeto, coloca a licitação e de repente, durante a obra, na hora da fundação, começa a ver que não é bem assim, que ali embaixo passa um rio, que o solo é diferente, que a fundação tem que ser diferente, tudo isso numa obra tradicional. Estou dando um dos exemplos que fazem com que a construtora comece com aqueles famosos pedidos de aditivos de contrato. Enquanto isso, essas obras vão derrapando, vão ficando com custo financeiro tanto para Estado, quanto para o construtor - mas, em última hipótese, é o estado, o poder público, que termina assumindo isso. Então, nessa modelagem existe uma matriz de risco bastante clara, bastante definida, com os riscos todos mapeados. Nesse exemplo que eu coloquei, que é o risco de projeto ou o risco de obras, o risco é 100% assumido pelo privado. Então, não existe possibilidade de acontecer uma parada de obra - ele tem que encontrar a solução, diretamente resolver isso tudo. Como passa ser o custo dele, passa a ter um interesse muito grande de que isso seja muito rápido e ele consiga atingir. Ainda nessa modelagem específica feita aqui, existe um percentual de aporte público... É difícil uma obra de infraestrutura como um Metrô - no mundo inteiro - ser conduzida apenas com resultados que ela dá por tarifa. A Europa é um exemplo claro disso: praticamente todos os grandes metrôs da Europa são subsidiados, têm alguma forma de aporte público, no investimento e também na operação. Então esse aporte público está em torno de 50% do valor total do investimento.

Após conclusão das obras, Metrô de Salvador terá capacidade para atender 500 mil pessoas por dia (Reprodução)
PHA: Que é de quanto?
J. Copello: Em base do contrato da licitação de abril de 2013, em torno de R$ 4 bilhões. Tem um custo da inflação que inclusive é risco dele, do privado.

Estação Detran (Linha 2) foi inaugurada em dezembro de 2016 (Reprodução)
PHA: A inflação é risco deles?
J. Copello: É risco deles, é risco do privado. O aporte público que está estabelecido, por exemplo, em dinheiro da União - R$ 1,3 bilhão -, e do Estado - mais R$ 1 bilhão. Refazendo esses R$ 2,3 bilhões dos R$ 4 [bilhões], é necessário usar preços de 2013. Esse aporte ele vai recebendo à medida que ele vai entregando trechos em operação. Não há aquela tradicional medição por mês. Eu faço uma fiscalização, o poder público faz uma fiscalização contínua, permanente ao longo da obra e ao final daquele trecho, daquele pedaço de via, de estação, [para verificar] se o conjunto tem condições de operar.

Estação Bom Juá (Linha 1) em seus primeiros dias de operação (Reprodução)
PHA: Eu tenho o prazer de ir sempre a Salvador. E, quando saio do aeroporto e me dirijo à minha casa, eu vou sendo acompanhando pela evolução da obra do Metrô, o Metrô vem andando na minha direção, e daqui a pouco ele vai chegar ao aeroporto, não é isso?
J. Copello: Sem dúvida nenhuma, Paulo. Eu gostaria de lhe convidar para o final do ano, quuando você venha a Salvador, estarei no aeroporto lhe esperando para a gente ir de metrô.

Trabalhadores nas obras da Estação Aeroporto, que integrará a Linha 2 (Reprodução)
PHA: Maravilha! Uma das coisas que sempre me intrigou é: como é que na Bahia, que é a sede da Odebrecht, que é uma das maiores empresas de engenharia do mundo, a Odebrecht não participou dessa licitação?
J. Copello: Pois é! A licitação foi feita nessa modelagem PPP, foi conduzida com um processo anterior de manifestação de interesse com audiências públicas, consultas públicas e a Odebrecht, assim como outras construtoras, acompanhou todo esse processo, era uma das empresas que estavam estudando muito o processo e chegou no final da licitação. No dia de apresentar as propostas na BOVESPA, ela não entrou na sessão e terminou que a vencedora foi a empresa CCR.

Estação Tamburugy (Linha 2) será entregue em 2017 (Reprodução)
PHA: E a OAS, que também é baiana, não concorreu?
J. Copello: A OAS nesse processo estava junto com a Odebrecht. Formaram um consórcio que tinha Odebrecht, OAS - a OAS através da Invepar, que era a empresa de infraestrutura e de concessões, sem fundos de pensão. Então, não era a OAS diretamente, mas era a Invepar, com a Odebrecht Transporte, que também é uma empresa de concessões da Odebrecht.
PHA: E a CCR é uma empresa paulista?
J. Copello: É uma empresa nacional que tem sede em São Paulo, mas tem capital também entre construtoras, e uma parte dela, 49% pelo menos, é o que eles divulgam, está no Novo Mercado de ações.

CCR tem direito à concessão por 30 anos (Reprodução)
PHA: Todos os trabalhadores da obra são baianos ?
J. Copello: Todos não, mas temos poucos estrangeiros, - na área de sistemas tem alguns de origem alemã e na parte de trem também tem alguns de origem coreana, mas com fábricas aqui no Brasil. Mas são pouquíssimos, estatisticamente é quase zero de estrangeiro.
PHA: Então é uma mão de obra que gosta de acarajé, eu imagino.
J. Copello: É, e tem alguns aqui também de todo o Brasil, mas o grande percentual, a grande massa de obras (chegamos no pico de ter 8 mil trabalhadores diretos nas obras, sem falar dos indiretos), quase todos são baianos.
PHA: E são quantos trabalhadores na obra, hoje ?
J. Copello: Agora nós estamos com cerca de 6 mil trabalhadores na obra, porque já esta entregando, já estamos aí a ponto de entregar.
Paulo, só para concluir um pequeno raciocínio naquela hora que falei dos aportes: eles só recebem quando entregam um trecho pronto para operar. E eles recebem isso sem correção, com valor de fato de 2013. Então, esse risco da inflação é totalmente deles e faz com que eles sejam muito rápidos, porque a cada dia que passa o custo financeiro é deles. E também deixam de arrecadar porque eles não abriram a porta do vagao, então eles não têm o passageiro, não têm a tarifa.
PHA: A concessão é por 30 anos?
J. Copello: Concessão por 30 anos, incluindo o período de obras, que deve fechar na faixa de três anos e meio a quatro anos. Quase todo o período é de operação, é de receita.

Obras para instalar estruturas da Estação Aeroporto já foram iniciadas (Crédito: Correio 24 Horas)
PHA: Vocês estão transportando 400 mil passageiros/dia.
J. Copello: Ainda não. O projeto, quando chegar no aeroporto, ele passa para mais 400 mil passageiros/dia. Hoje, o trecho que já está em operação está operando com aproximadamente 65 mil passageiros/dia. E quando entregar o aeroporto e depois de alguns meses de maturação vai chegar a quase 500 mil passageiros por dia.
PHA: Quanto custa uma passagem de integração metrô e ônibus?
J. Copello: R$ 3,60, podendo usar somente o Metrô ou usar o Metrô com até duas integrações de ônibus. Digamos que ele sai da residência dele e não tem Metrô, então ele vai de ônibus até chegar ao Metrô, pega o trecho de Metrô e se na outra ponta tiver necessidade de mais algum ônibus, está incluído nessa tarifa.
A imagem pode conter: noite e área interna
Campanha do Governo da Bahia destaca estação na Avenida Paralela (Reprodução)
PHA: A Companhia de Transportes do Estado da Bahia vai parar na linha 1 e na linha 2?
J. Copello: A Companhia é do Estado, ela faz o gerenciamento, é o "P" público da parceria, então cabe a ela também fazer o planejamento de expansões. Assim como toda administração direta do Estado, nós estamos vinculados à Secretaria de Desenvolvimento Urbano, então já temos algumas expansões em papel, em planejamento, mas nesse momento o foco é:
- concluir o aeroporto, que é a linha 2, até o final desse ano;
- fazer mais 5km no período de 2 anos, até chegar na região de Águas Claras, saindo de Pirajá;
- e, voltando para a linha 1, aquele sentido da BR 324, indo para Feira de Santana.
São mais 5km que pretendemos fazer e entregar daqui a 2 anos, e nesse em particular, na região de Águas Claras, tem desenvolvimento econômico de uma área que é um bairro grande que está junto a Cajazeiras, uma região populosa de Salvador...
PHA: Onde mora a minha sogra ...
J. Copello - ..., onde será implantada uma nova estação rodoviária, integrada com o Metrô, para os ônibus que vêm aqui - intermunicipais ou de outro estado. Então, ele vai chegar por ali, vai ter a estação de Metrô acoplada e vai chegar ao centro de Salvador pelo Metrô.
Estação Rodoviária
Estação Rodoviária: são 7700 m² (Crédito: CCR)
PHA: Quero dizer que quando for à Bahia para comemorar o Natal com a minha sogra, eu vou querer sair do aeroporto com você.
J. Copello: Me avise, que eu vou lhe receber lá no aeroporto com todo o prazer. E queria acrescentar que o programa de mobilidade do Governo do Estado, Paulo, tem um investimento total de R$ 9 bilhões. Além do Metrô, tem uma linha de VLT que vai substituir o trem subúrbio. Nesse momento, estamos encaixando a modelagem para iniciar as obras no segundo semestre de 2017, com mais 18km de um VLT que é quase um Metrô aqui em Salvador e atendendo a região do subúrbio. O Governador Rui Costa é um obstinado em cima desse programa de mobilidade.

Projeto do VLT do Subúrbio - Estação Calçada (Reprodução)
PHA: E vai ser também sob o regime de PPP?
J. Copello: Também PPP, e eu diria pra você que o grande objetivo é o que está na cabeça do Governo, nas gestões tanto do Governador Wagner, quanto do Governador Rui: fazer com que a massa trabalhadora seja privilegiada. Salvador tem a terceira pior mobilidade do país. Com o engarrafamento, o trabalhador leva em média 75 minutos para sair de sua casa para o trabalho. O objetivo é sempre em cima do transporte público, do transporte coletivo.
Publicação do Conversaafiada do jornalista Paulo Henrique Amorin

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A perseguição a Lula pela Lavajato e pela midia do Brasil não passa despercebida pelo povo


PARA 42,7% DOS BRASILEIROS, LULA É PERSEGUIDO PELA MÍDIA E PELO JUDICIÁRIO




O número foi levantado pelo Instituto Paraná Pesquisas, com exclusividade, para o 247; "é um percentual extremamente alto, que revela que até não eleitores de Lula enxergam exageros contra ele", diz Murilo Hidalgo, diretor do instituto; o percentual é maior no Nordeste, onde 50,6% da população considera Lula alvo de perseguição; advogados do ex-presidente já foram às Nações Unidas para denunciar que Lula vem sendo alvo de "lawfare", uma estratégia de guerra que usa meios de comunicação e Poder Judiciário contra os inimigos; se as eleições presidenciais fossem hoje, Lula seria eleito presidente, mas as oligarquias brasileiras pretendem impedi-lo com condenações em primeira instância, por parte do juiz Sergio Moro, e depois no Tribunal Regional Federal


247 – Se as eleições presidenciais fossem hoje, o ex-presidente Lula seria novamente eleito presidente. Teria 30,5% dos votos no primeiro turno, segundo apontou a pesquisa CNT/MDA (leia aqui), e bateria todos os adversários no segundo turno.

Uma outra pesquisa, feita pelo Instituto Paraná Pesquisas, trouxe dados ainda mais interessantes. Para nada menos que 42,7% dos brasileiros, Lula vem sendo alvo de perseguição movida pelo Poder Judiciário e pelos meios de comunicação.

"É um percentual extremamente alto, que revela que até não eleitores de Lula enxergam exageros contra ele", diz Murilo Hidalgo, diretor do instituto.

Como se sabe, a Lava Jato atinge todo o sistema político brasileiro, em especial a base de Michel Temer – ele próprio delatado 43 vezes na primeira delação da Odebrecht, por ter pedido R$ 11 milhões em pleno Palácio do Jaburu.

Lula, no entanto, vem sendo processado por um triplex no Guarujá que, segundo as próprias testemunhas de acusação, não lhe pertence, e pela guarda de objetos que ganhou na presidência – acusação em que teve como testemunha de defesa o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Liderados por Cristiano Zanin Martins, os advogados do ex-presidente já foram às Nações Unidas para denunciar que Lula vem sendo alvo de "lawfare", uma estratégia de guerra que usa meios de comunicação e Poder Judiciário contra os inimigos políticos.

Esta parece ser a tática para derrotar Lula fora das urnas. Se as eleições presidenciais fossem hoje, Lula seria eleito presidente, mas as oligarquias brasileiras pretendem impedi-lo com condenações em primeira instância, por parte do juiz Sergio Moro, e depois no Tribunal Regional Federal.

Também de acordo com o Paraná Pesquisas, 61% dos brasileiros consideram que a mídia e o Judiciário blindam políticos do PMDB e do PSDB, que hoje formam a coalizão responsável pelo golpe parlamentar de 2016 (leia aqui).

Publicação Brasil247

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O Xadrez do golpe no Brasil de lula 2018 da Lavajato

Xadrez da contagem regressiva para 2018

Peça 1 – o jogo das expectativas sucessivas

Uma das retóricas recorrentes dos “cabeças de planilha” é a criação das expectativas sucessivas. Monta-se uma política monetária e fiscal que mata qualquer possibilidade de recuperação da economia e vende-se o mito da “lição de casa”. Ou seja, se cortar o leite da merenda escolar, a aposentadoria dos velhinhos, as políticas de renda mínima, se atingirá a prosperidade eterna, na qual todos ganharão.
Aplica-se o arrocho, e nada. Alega-se então que a lição de casa não foi suficientemente radical. Aplica-se nova rodada de cortes em cima dos direitos dos mais fracos, e nada. Até o momento em que o tecido social se esgarça, a paciência geral se esgota, as distorções econômicas se avolumam e o plano vai por água abaixo – por uma crise cambial, por uma crise fiscal, por terremotos sociais, por uma reação política.
Consumado o fracasso, a culpa é atribuía à falta de vontade dos pecadores, que não ousaram cumprir a penitência até o final.
Já se chegou a esse estágio.

Peça 2 - A lógica do pacote Meirelles-Ilan-Coimbra-Bolle:

Primeiro, vendeu-se o peixe de que a queda de Dilma Rousseff e a aprovação de leis que desmontassem a Previdência Social e a legislação trabalhista promoveriam o milagre do crescimento. A racionália é a seguinte:
1      A fada das expectativas despertará o espírito animal do empresário. Voltarão os investimentos assim que a confiança for restabelecida.
2      O gatilho da recuperação da confiança é a redução da dívida bruta como proporção do PIB e a redução da inflação.
3      Alcançados esses objetivos, as agências de risco melhorarão a nota do país e os investimentos voltarão abundantes.
A partir daí, desenhou-se a seguintes política:
1.Arrocho fiscal e social
Amarrou-se o crescimento das despesas públicas com a PEC 55 e, agora, com a reforma da Previdência. A lógica era conter o crescimento da divida cortando despesas e investimentos.
2.Internacionalização da economia
Com a Lava Jato e a Procuradoria Geral da República montou-se uma ofensiva deliberada para destruição do setor de infraestrutura nacional, tanto interna quanto externamente abrindo espaço para a invasão estrangeira – sem nenhum conhecimento sobre a lógica das empreiteiras internacionais.
3.Aumento da taxa real de juros
Manteve-se a taxa Selic em níveis estratosféricos, mesmo com a queda das expectativas inflacionárias. Com esses níveis de taxas de juros, e queda da receita fiscal, aumenta a relação dívida/PIB.

Peça 3 – as medidas econômicas

Toda a lógica dos investimentos é a seguintes:
1.     O investidor olha a demanda interna ou externa, que pode ser o consumo das famílias, as concessões públicas, o mercado exportador.
2.     Encontrando condições de mercado atraentes, aí então analisa os fundamentos econômicos do país, através das agências de risco, que balizarão o custo da captação de investimentos.
Por aqui, os gênios da planilha inverteram tudo.
1.     Para melhorar a avaliação das agências, cortaram despesas e investimentos públicos, ampliando a recessão e pulverizando a demanda interna. As perdas com a queda das receitas fiscais superaram a suposta economia nos cortes de despesas. Mataram o mercado para atrair investimentos!
2.     Criou-se um quadro social de absoluta instabilidade, com os massacres nos presídios, a rebelião da Polícia Militar, as greves do funcionalismo, e estados em situação crítica. A percepção que se tem hoje é de um desmanche do país.
3.     Não se atuou sobre nenhum dos fatores de demanda: não reativou a cadeia do petróleo e gás, porque, por ideologia, é contra políticas industriais; esvaziou o BNDES, porque, por ideologia, é contra financiamento público; montou um cerco implacável contra as empresas brasileiras porque, por ideologia, é contra os campeões nacionais.
Se você coloca feijão preto, paio, linguiça e orelha em uma panela, o resultado será uma feijoada. A feijoada de Temer-Meirelles éóbvia:
1.     Aumento brutal do desemprego.
2.     Crise fiscal dos estados.
3.     Aumento do déficit da União e dos Estados, porque os cortes de despesas produziram uma queda mais que proporcional nas receitas.
4.     Aumento generalizado da insatisfação da opinião pública, acirrada pelas revelações sobre a corrupção do grupo que assumiu o poder – tanto a camarilha de Temer quanto o PSDB.

Peça 4 – as consequências econômicas

1      Ontem o Banco Central apresentou a prévia do desempenho do PIB em 2016: - 4,18%. Agora fala-se em recuperação “na ponta” no 2o semestre. Significa que nem se espera, na média, recuperação da economia em 2017. Estão matando dez anos na vida do país.
2      As agências de risco se recusam a melhorar a avaliação do país porque constataram que o maior fator de déficit fiscal é o baixo dinamismo da economia, e não vislumbraram nenhuma ação do governo visando reativá-la.
3      O último Indicador de Clima Econômico apontou o Brasil como o país com as menores expectativas dos agentes econômicos, abaixo da Rússia, da União Europeia, do próprio Reino Unido abalado pelo Brexit

t. Não se espere autocrítica desses economistas. Quando as políticas não dão resultado, a realidade é que está errada. Ontem, a economista Mônica de Bolle – que defendeu a tese da “dominância fiscal” para explicar porque a inflação não caia, depois de choques tarifários e cambiais gigantescos – dizia para os seus alunos da CBN que o espírito animal ainda não despertou porque os sacrifícios até agora foram insuficientes.

Peça 5 – as medidas sociais e políticas

Montou-se um pacto da aceitação da corrupção do grupo de Temer em troca da entrega do trabalho de desmonte da Previdência, das políticas sociais e da legislação trabalhista.
Observa-se, então, uma mistura fatal:
1.     Na ponta social, um projeto de reforma da Previdência que inviabiliza a Previdência. A lógica da Previdência é solidária: as contribuições de hoje garantem os contribuintes de ontem. Com a proposta em curso, haverá um desestímulo monumental dos entrantes, em manter-se na Previdência Social. Corre-se o risco, dentro de algum tempo, de ter-se apenas aposentados, sem os contribuintes que deveriam garanti-los.
2.     Na ponta política, um liberou geral para matar. Diariamente o país é sacudido por assaltos à luz do dia por parte de Ministros e membros da camarilha de Temer. A Procuradoria Geral da República monta seu jogo de cena, controlando o ritmo das investigações com operações que jamais resultam em denúncias. E a mídia faz o seu jogo, denunciando os casos mais ostensivos, mas poupando os seus.
Como pretender impor sacrifícios dessa ordem à população, sem nenhuma perspectiva de melhora na economia, e com o assalto aos direitos sociais sendo comandado pelo que de mais corrupto a política brasileira produziu no período democrático?

Peça 6 – as consequências políticas

Desde a redemocratização, havia duas forças políticas no país – PSDB e PT – e dois grupos de coalizão – DEM e PMDB.
O PSDB conseguia manter sob controle a classe média, enquanto o PT ajudava a institucionalizar movimentos sociais e esquerdas em geral. O PT saiu da posição radical e se tornou um partido socialdemocrata. Alijado do espaço, o PSDB tentou ocupar espaço mais à direita.
De qualquer modo, durante mais de duas décadas, eram duas muralhas romanas para impedir a invasão bárbara do baixo clero do Congresso, ainda que pagando o preço alto do presidencialismo de coalizão.
A perseguição implacável da Lava Jato-mídia a Lula e ao PT, produziu o seguinte resultado:
1.A volta de Lula
A campanha Moro-Janot-mídia virou o fio. A perseguição implacável a Lula não logrou encontrar nada que o incriminasse. Mas conseguiu quase inviabilizá-lo como agente de um futuro pacto político, dado o grau de radicalização que se formou em torno de sua imagem.
2.O fim de Temer, o breve
Michel Temer morreu antes de ter sido. Não tem nível, carisma, empatia. Sua imagem pública passa sempre a intenção da pequena malandragem, da falta de reflexos para responder aos problemas que acometem a presidência. Deve ter virtudes como amigo, para justificar a escandalosa proteção que lhe devotam grandes figuras, como Celso Antônio Bandeira de Mello e Antônio Mariz de Oliveira que, em nome da amizade, esquecem o compromisso com o país. Afinal, este é o conceito do brasileiro cordial ao qual se referia Sérgio Buarque de Hollanda.
3.O fim do PSDB.
A última pesquisa da CNT esqueceu José Serra, por irrelevante. Manteve Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Ambos amargam um quarto lugar, atrás de Marina Silva e da ultradireita selvagem de Bolsonaro.
4.O fim do PT
Desde a AP 470, as melhores cabeças do PT foram guilhotinadas pela ação política do Ministério Público Federal com a mídia. Hoje, se tem um partido aos pedaços, sem fôlego e legitimidade para cumprir o papel de organizador das esquerdas.
5. O fenômeno Bolsonaro
Quem imaginava que Michel Temer representasse o fim de linha para a política brasileira, não viu nada. Bolsonaro tem uma piscina olímpica pela frente, para nadar à vontade. E quando ganhar massa crítica, levará de cambulhada a mídia e o Judiciário.
Foi assim nos Estados Unidos, mesmo tendo, ao contrário do Brasil, uma imprensa de opinião zelosa na defesa dos avanços civilizatórios, sendo atropelada pelo dinossauro Donald Trump. No Brasil, não vá se esperar nenhuma reação eficaz de uma imprensa superficial, rasa, sem moral sequer para confrontar movimentos selvagens de opinião e que abrigou a ultradireita mais selvagem nas suas páginas, para efeitos comerciais de ir na onda.
6. A desmoralização do Supremo
No STF (Supremo Tribunal Federal), atrás dos “likes” das redes sociais, o Ministro Luís Roberto Barroso induz o tribunal a condenar o Estado a indenizar presos por condição carcerária degradante.
Barroso endossa os controles draconianos de gastos públicos que, por seus impactos em segurança, saúde e educação, acelerarão o desmonte do país como comunidade civilizada, com a situação dos presídios sendo a marca mais cruel da barbárie.
Em vez de medidas que decidam no atacado, para livrar a cara adota esse varejo ridículo que, no máximo, irá gerar uma indústria da indenização, ao fazer a multa recair sobre o Estado, e não sobre governantes, administradores e funcionários de presídios.
7. O esgotamento da Lava Jato
Na Lava Jato, a perseguição a Lula virou o fio – e a prova está na recuperação de seus índices de popularidade e da queda radical das lideranças tucanas. O que se pretenderá daqui para frente? Continuar a perseguição, insistir nos abusos? Promover condenação sem provas cabais?
Um dado curioso é que os jornalões, pela primeira vez, começam a abrir espaço para as denúncias dos advogados do Lula, contra a perseguição movida por Sérgio Moro. A intenção é óbvia: enfraquecer gradativamente Moro para que não invista sobre seus aliados.
Por outro lado, os principais suspeitos com foro privilegiado, submetidos à seletividade de Janot, reduz-se substancialmente a capacidade da operação de continuar gerando fatos políticos.

Peça 7 – aguardando 2018

Com essa crise generalizada das instituições, toda energia, daqui para frente, será em função de 2018.
Do lado da mídia e da Lava Jato, haverá a intensificação dos esforços para anular Lula.
Por outro lado, o pacto mídia-PSDB-mercado demonstrou não ter a menor condição de gerar nenhuma expectativa positiva, nenhum projeto de país. Falta-lhes imaginação criadora, diagnósticos mais complexos sobre o país, sensibilidade para entender a complexidade social e econômica do país.
2018 já começou! Para o bem ou para o mal!

Publicação no site GGN do jornalista Luis Nassif