domingo, 12 de fevereiro de 2017

Eixo geopolítico do mundo se move para Eurásia

                        

Em 10 de fevereiro de 2007, o presidente da Rússia Vladimir Putin, em um discurso pronunciado no âmbito da Conferência de Segurança de Munique, lançou as bases para a posição russa em relação ao mundo ocidental nos anos seguintes

Da Agência Sputinik

Em 10 de fevereiro de 2007, o presidente da Rússia Vladimir Putin, em um discurso pronunciado no âmbito da Conferência de Segurança de Munique, lançou as bases para a posição russa em relação ao mundo ocidental nos anos seguintes.
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Em uma entrevista à Sputnik Mundo, Javier Colomo Ugarte, doutor espanhol em Geografia e História e analista internacional, examinou algumas das teses expostas no discurso do presidente russo, sublinhando a atualidade das palavras de Putin nos dias de hoje.

Expansão da OTAN

"A OTAN é um anacronismo da Guerra Fria que é utilizado com o objetivo de dominar o mundo", explicou o especialista.

Rússia se tornou no adversário principal da OTAN, e a Aliança o tem demonstrado com sua expansão nos últimos anos, sublinha Colomo.

Neste sentido, Putin teve razão dizendo que a expansão da OTAN "representa uma provocação séria que reduz o nível de confiança mútua".
"O que mudou de maneira mais negativa é que as pontes de diálogo [entre a OTAN e a Rússia] foram se quebrando e, embora não haja uma corrida armamentista, há cada vez mais desconfiança, o que obriga a Rússia a ter uma política defensiva mais forte", assinalou o acadêmico.

Mundo unipolar

Putin, de maneira visionária, antecipou o avanço do mundo multipolar, destaca Colomo. Hoje em dia, o mundo multipolar se constrói com base no crescimento da Rússia e da China, dado que o eixo econômico mundial, especialmente após a crise de 2008, começou se mudando para a região euroasiática, adianta o especialista.

Colomo assinalou que tanto a vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas, como o triunfo do Brexit no Reino Unido, são exemplos de uma mudança de rumo para este mundo multipolar.

Ações unilaterais

"As ações unilaterais e fora do âmbito legal não se mostraram capazes de solucionar qualquer problema. Mais que isso, elas geraram novas tragédias humanas e novos focos de tensão. Julguem por si mesmos: a quantidade de guerras, conflitos locais e regionais não diminuiu. (…) E nestes conflitos morrem não menos, mas mais pessoas que anteriormente. Muito mais, significativamente mais", disse Putin em 2007.
Explicando as palavras de Putin, o doutor espanhol ressaltou que "as intervenções dos EUA e da OTAN no Afeganistão e no Iraque, as tentativas de impor seus regimes através das chamadas revoluções coloridas ou com intervenções armadas, como na Líbia ou na Síria, provocaram a desestabilização na Europa".

Neste sentido, assinala o especialista, "as ações unilaterais somente criam caos, sofrimento e dor", e a única maneira de evitar este tipo de problemas é através do diálogo.

Legitimidade da ONU

No seu discurso, Putin destacou a importância da ONU como organismo regulador do uso da força indiscriminada por parte dos diferentes atores internacionais. "Não se pode substituir as Nações Unidas pela OTAN ou pela UE", explicou o chefe do Estado.
O acadêmico explica que "instrumentalizar ou anular a vigência das Nações Unidas como instrumento de paz entre nações levará o mundo ao desequilíbrio e ao caos". Neste sentido, as intenções do Ocidente de subjugar a Rússia e o Oriente Médio têm gerado uma situação de caos muito perigosa.

É degradante, diz o especialista, que se subestime a importância da Rússia como país independente e de suma importância como ator no palco internacional.

Nesse sentido, "com a intervenção na Síria, a pedido do governo de Bashar Assad, a Rússia demonstrou que é um país com presença internacional e capaz de solucionar problemas internacionais", concluiu.

Publicado no Brasil247

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