quinta-feira, 9 de março de 2017

FILHOS DE YUNES, MELHOR AMIGO DE TEMER, PAGARAM OPERADOR DE PROPINAS

      O caminho da propina, chegando no presidente de republica            
                

A afirmação do advogado José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Michel Temer, de que ele teria sido apenas uma "mula" —usado sem saber— para a transferência de dinheiro de caixa dois para Eliseu Padilha está cada vez mais insustentável; a quebra de sigilo das empresas de Adir Assad, conhecido operador de propinas já condenado na Lava Jato, revela que empresas dos filhos de José Yunes pagaram ao menos R$ 1,2 milhão para firmas de fachada; as empresas de Marcos e Marcelo Mariz de Oliveira Yunes, todas ligadas a Yuny Incorporadora, aparecem em 113 transações com a SM Terraplanagem e em 28 operações com a Legend Engenheiros; as duas companhias, segundo o MPF, não possuíam condições para funcionar e eram emissoras de notas frias utilizadas para produzir dinheiro em espécie que abastecia o caixa dois de empresas interessadas em pagar vantagens indevidas a agentes públicos e partidos políticos

247 - A quebra de sigilo das empresas de Adir Assad, conhecido operador de propinas condenado na Lava Jato, complicou a vida de José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Michel Temer. Os dados revelam que empresas dos filhos do advogado pagaram ao menos R$ 1,2 milhão para firmas de fachada. As empresas de Marcos e Marcelo Mariz de Oliveira Yunes, todas ligadas a Yuny Incorporadora, aparecem em 113 transações com a SM Terraplanagem e em 28 operações com a Legend Engenheiros.

A Legend e a SM, segundo o MPF, não possuíam condições para funcionar e eram emissoras de notas frias utilizadas para produzir dinheiro em espécie que abastecia o caixa dois de empresas interessadas em pagar vantagens indevidas a agentes públicos e partidos políticos.
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As informações são de reportagem de Fabio Serapião, Beatriz Bulla e Julia Affonso no Estado de S.Paulo.

"José Yunes, pai de Marcos e Marcelo, deixou o governo após ter sido citado na delação de Cláudio Mello, da Odebrecht. O executivo disse que parte dos R$ 10 milhões solicitados em reunião no Palácio do Jaburu, da qual o ministro Eliseu Padilha e Temer participaram, teria sido entregue no escritório de Yunes, na capital paulista. Depois do episódio, Yunes prestou depoimento na Procuradoria-geral da República e afirmou ter sido utilizado por Padilha, este último o destinatário dos valores entregues pelo corretor Lúcio Bolonha Funaro, preso na Papuda.

Além da SM e Legend, as empresas de Assad – Rock Star, Power To Ten, Soterra e SP Terraplanagem – movimentaram cerca de R$ 1,3 bilhão provenientes de grandes companhias. O empresário teve a prisão preventiva decretada quatro vezes desde 2015. Chegou a ser solto duas vezes, mas foi novamente levado à prisão por decisão do juiz Sergio Moro. Ele foi condenado na Lava Jato a 9 anos e 10 meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

(...)

Segundo o MPF, os pagamentos de grandes empresas para a Legend alcançaram o valor de R$ 631 milhões, entre 2006 e 2012. Nas suas contas, somente a Andrade Gutierrez depositou R$ 125 milhões. O segundo maior pagador, com R$ 37 milhões, é o Consórcio Nova Tietê, liderado pela Delta Engenharia, responsável pela obra obra bilionária de reforma na Marginal na capital paulista.A movimentação da SM Terraplanagem é um pouco menor – R$ 199 milhões em créditos desde 2005 até 2012. Quem lidera o ranking feito pelo MPF, e no qual as empresas da família Yunes também estão, é a UTC Engenharia, com R$ 53 milhões pagos à empresa de fachada.

Como revelou o Estado, Assad negocia um acordo de colaboração com a Lava Jato. A tentativa é vista como a chance de Assad, investigado em várias frentes e desdobramentos da Lava Jato, conseguir algum benefício no cumprimento da pena. "

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